Terça-feira (10/02/2026) — PSD, União Brasil e PL iniciaram articulações para formar uma aliança destinada a disputar a próxima indicação da Câmara dos Deputados ao Tribunal de Contas da União (TCU). A movimentação tem como objetivo desbancar o deputado Odair Cunha (PT-MG), candidato apoiado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), em acordo político que envolveu a bancada do PT durante a eleição interna da Câmara em 2025.
Disputa pela vaga deixada por Aroldo Cedraz
A vaga em disputa no TCU será aberta com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz, prevista para fevereiro de 2026. Nos bastidores, PSD e União Brasil afirmam não se sentir contemplados pelo acordo firmado por Hugo Motta, que prometeu apoio ao petista em troca de votos para sua eleição à presidência da Câmara.
O PL, principal partido da oposição, também resiste a apoiar um nome ligado ao PT para a corte de contas, o que impulsiona a tentativa de formação de uma frente parlamentar alternativa.
Candidatos e estratégias dos partidos
O PSD decidiu lançar candidatura própria e escolheu o deputado Hugo Leal (RJ) para a disputa. Já o União Brasil tem dois pré-candidatos: Danilo Forte (CE) e Elmar Nascimento (BA). A definição entre os dois nomes deve ocorrer em reunião interna marcada para o dia 23.
As duas legendas haviam apresentado candidatos na última disputa pela presidência da Câmara. O PSD lançou o então líder Antônio Brito, enquanto o União Brasil apoiava Elmar Nascimento. Ambos retiraram suas candidaturas quando Hugo Motta consolidou apoios do PT e do PL.
Possível acordo envolvendo duas vagas
Nos bastidores, lideranças discutem um acordo mais amplo envolvendo duas indicações ao TCU. Além da vaga aberta pela aposentadoria de Cedraz, uma segunda cadeira deve ser liberada com a saída do ministro Augusto Nardes, prevista para outubro de 2027, quando completa 75 anos. Há, no entanto, a possibilidade de antecipação dessa aposentadoria.
A proposta em discussão prevê que um partido fique com a vaga de Cedraz e outro com a de Nardes, em um acordo político de médio prazo entre as siglas.
Cálculo de forças e resistência ao acordo de Motta
PSD, União Brasil e PL somam, juntos, cerca de 190 deputados, segundo cálculos de lideranças envolvidas nas negociações. O objetivo é atrair ainda legendas menores, como o Solidariedade, para consolidar uma maioria capaz de vencer a disputa.
No PL, há insatisfação com Hugo Motta. Parlamentares do partido afirmam que apoiaram sua eleição, mas consideram que promessas relacionadas à anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro não foram integralmente cumpridas, o que reduziria o compromisso com o acordo em torno de Odair Cunha.
Como a votação para indicação ao TCU é secreta, dirigentes da sigla avaliam que parte da bancada pode optar por um candidato alternativo ao petista, mesmo sob pressão da presidência da Câmara.
Base governista aposta em acordo original
Integrantes do PT sustentam que o PL participou do acordo político que garantiu a eleição de Hugo Motta e, por isso, esperam os votos da bancada para a indicação de Odair Cunha.
Além disso, aliados do governo afirmam contar com o apoio consolidado de partidos como MDB, PP e Republicanos, que também integraram o entendimento que levou Motta à presidência da Câmara.
Votação pode ser antecipada
Diante da articulação adversária, Hugo Motta deve antecipar a votação para a escolha do novo ministro do TCU. A expectativa é que o processo ocorra ainda em fevereiro, reduzindo o tempo para a consolidação de uma aliança alternativa.
Em reunião de líderes realizada em 2 de fevereiro, o presidente da Câmara teria informado que buscaria apoio direto nas bancadas para garantir a indicação de Odair Cunha.
*Com informações da Folha de S.Paulo.










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