Sábado, 07/02/2026 — O Partido dos Trabalhadores (PT) iniciou a preparação de um novo programa partidário e de um programa de governo que será apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a disputa eleitoral de 2026. As diretrizes serão consolidadas durante o 8º Congresso Nacional do PT, marcado para ocorrer entre 23 e 26 de abril, evento que também deve oficializar a pré-candidatura de Lula à reeleição.
O processo envolve a criação de grupos de trabalho para formular propostas programáticas, estratégia eleitoral, revisão estatutária e diretrizes para o próximo ciclo político. O objetivo declarado pelas lideranças é redefinir o papel do partido diante das transformações econômicas, sociais e tecnológicas e preparar o PT para o cenário pós-Lula.
Congresso será marco político e programático
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que o partido precisa formular um novo projeto político capaz de responder aos desafios do século XXI. Segundo ele, o Congresso de abril será decisivo para reorganizar a legenda e consolidar sua estratégia para a disputa presidencial.
De acordo com Edinho, o partido enfrenta um cenário de fragmentação interna, identificado durante visitas às 27 unidades da federação. Para o dirigente, a unidade precisa ser construída em torno de um programa político comum, capaz de garantir a reeleição de Lula e a continuidade do projeto petista.
Ele destacou ainda que o mundo atravessa transformações estruturais, marcadas pela adoção de novas tecnologias, mudanças no mercado de trabalho e crises econômicas e políticas. Na avaliação do presidente do PT, o partido precisa compreender essas mudanças e apresentar propostas que dialoguem com os novos perfis da classe trabalhadora.
Programa partidário terá horizonte de dez anos
O ex-ministro José Dirceu coordena o grupo responsável pela elaboração do novo programa partidário. Segundo ele, o partido precisa discutir os limites do capitalismo brasileiro e propor reformas estruturais para a próxima década.
Dirceu afirmou que, em sua avaliação, a elite política e econômica teria rompido os pactos nacional, político e social estabelecidos na Constituição de 1988. Para o dirigente, cabe ao PT apresentar alternativas que elevem o padrão de vida da população, considerando as mudanças na composição da classe trabalhadora.
O ex-ministro também defendeu a reorganização interna do partido como condição para enfrentar as disputas políticas dos próximos anos e recuperar capacidade de mobilização social.
Estratégia eleitoral será discutida até abril
A formulação da tática eleitoral para 2026 ficará sob responsabilidade de um grupo coordenado por Anne Moura, integrante do Diretório Nacional do PT. A comissão pretende apresentar uma minuta de texto em 26 de março, com prazo para contribuições até 7 de abril.
O grupo deve analisar:
- A conjuntura nacional e internacional
- A correlação de forças políticas
- Os desafios estratégicos do partido
- As diretrizes de tática eleitoral
Segundo a coordenação, a proposta levará em conta as realidades regionais e buscará alinhar a estratégia eleitoral ao projeto político nacional do PT.
Programa de governo será construído com consultas públicas
O programa de governo para a campanha de 2026 será coordenado pelo deputado estadual Cristiano Silveira (MG). A proposta, segundo ele, é construir o documento por meio de um processo participativo, com diálogo entre lideranças locais, bancadas parlamentares e especialistas.
Entre os temas previstos para debate estão:
- Agricultura e meio ambiente
- Tecnologia e inovação
- Direitos das mulheres
- Questões trabalhistas e sindicais
- Políticas para a população LGBT
As contribuições poderão ser enviadas por meio do site do partido, e o relatório final será consolidado com apoio da Fundação Perseu Abramo.
Reforma interna e debate sobre o futuro pós-Lula
O vice-presidente do PT, Jilmar Tatto, afirmou que o Congresso também discutirá o papel do partido após o ciclo político de Lula. Caso seja reeleito em 2026, o presidente não poderá disputar novo mandato em 2030.
Já o dirigente nacional Valter Pomar, responsável pela revisão do estatuto, defendeu uma reforma partidária para adequar o PT às transformações sociais e ao surgimento de uma nova classe trabalhadora. Ele afirmou que o partido deve reforçar sua identidade como força política transformadora e rever práticas internas consideradas incompatíveis com esse objetivo.
Debate ideológico marca comemoração dos 46 anos do PT
Durante as celebrações do aniversário de 46 anos do partido, dirigentes discutiram a conjuntura internacional e os desafios políticos internos. Edinho Silva afirmou que o mundo vive uma crise econômica e política que alimenta o crescimento de movimentos nacionalistas e autoritários.
Segundo ele, esse cenário gera um sentimento antissistema que tem sido capturado por forças de direita em diversos países. Na avaliação do dirigente, o PT precisa disputar esse sentimento e apresentar um projeto de transformação social.
O presidente do partido defendeu que a reeleição de Lula em 2026 representaria, em sua visão, a vitória de um projeto político contra a extrema direita e o autoritarismo.
Lideranças defendem projeto social e alianças amplas
O ex-ministro José Dirceu afirmou que o PT representa a classe trabalhadora e precisa apresentar um projeto nacional voltado à redução das desigualdades e à transformação econômica e social do país.
A deputada federal Benedita da Silva destacou a importância da mobilização partidária para o processo eleitoral, enquanto o deputado federal Helder Salomão defendeu alianças políticas amplas e o fortalecimento das candidaturas ao Senado como parte da estratégia nacional.











Deixe um comentário