Salvador lidera ranking nacional de população em áreas de risco de enchentes e deslizamentos, aponta Cemaden; deputado Robinson Almeida critica gestões de ACM Neto e Bruno Reis

Um levantamento técnico do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) aponta que Salvador lidera o ranking nacional em número absoluto de moradores expostos a áreas de risco de enchentes e deslizamentos. Segundo o estudo, 1.217.527 pessoas vivem em zonas classificadas como suscetíveis a desastres naturais, o que corresponde a cerca de metade da população da capital baiana.

Os dados motivaram críticas do deputado estadual Robinson Almeida (PT), que responsabilizou as gestões municipais conduzidas pelo ex-prefeito ACM Neto e pelo atual prefeito Bruno Reis, ambos do União Brasil, qualificando como “incompetentes”. O parlamentar afirma que o cenário revela problemas estruturais de planejamento urbano e prevenção de riscos acumulados ao longo de diferentes administrações municipais do União Brasil, ao longo de 13 anos de domínio do grupo político na capital.

O levantamento do Cemaden integra um sistema nacional que monitora 1.942 municípios brasileiros expostos a eventos extremos, como deslizamentos, enxurradas e inundações. A base técnica reúne dados de ocupação urbana, vulnerabilidade socioambiental e histórico de ocorrências, permitindo mapear áreas com maior potencial de risco.

Dados do Cemaden apontam elevada exposição da população

De acordo com a nota técnica que fundamenta o levantamento, Salvador apresenta o maior contingente populacional em áreas classificadas como de risco entre os municípios monitorados no país. A capital baiana possui características geográficas e urbanísticas que contribuem para esse cenário, como ocupações em encostas, alta densidade populacional e expansão urbana em regiões de topografia acidentada.

Essas condições ampliam a suscetibilidade a deslizamentos de terra, enxurradas e alagamentos, especialmente durante períodos de chuvas intensas. Na capital baiana, historicamente, os meses de abril e maio concentram os episódios mais críticos de precipitação, período em que aumentam os registros de ocorrências associadas a instabilidade de encostas e drenagem urbana insuficiente.

O estudo também destaca que processos de urbanização acelerada e ocupações irregulares em áreas ambientalmente sensíveis contribuem para a ampliação da exposição ao risco, exigindo políticas públicas contínuas de prevenção, monitoramento e infraestrutura urbana.

Deputado critica gestões municipais e aponta falhas na prevenção

Ao comentar os dados do levantamento, o deputado Robinson Almeida afirmou que o número de moradores expostos a riscos evidencia deficiências estruturais na política de prevenção e planejamento urbano da capital baiana.

Segundo o parlamentar, faltariam investimentos mais robustos em obras de macrodrenagem, limpeza preventiva de rios e córregos e ampliação de intervenções em encostas, medidas consideradas essenciais para reduzir a vulnerabilidade das comunidades instaladas em áreas suscetíveis a deslizamentos e alagamentos.

Em declaração pública, Robinson Almeida afirmou que o cenário reflete problemas acumulados nas últimas gestões municipais, que, segundo ele, não teriam priorizado políticas estruturantes de prevenção de desastres.

O deputado também associou a situação ao avanço das mudanças climáticas, que tendem a intensificar eventos extremos de chuva e ampliar os desafios de gestão urbana em grandes centros metropolitanos.

Governo do Estado destaca obras de contenção de encostas

Em contraponto às críticas direcionadas à gestão municipal, Robinson Almeida destacou ações conduzidas pelo Governo da Bahia voltadas à redução de riscos geológicos em Salvador.

Segundo o parlamentar, 129 obras de contenção de encostas já foram entregues na capital baiana, incluindo 31 intervenções executadas nos dois primeiros anos da gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Além disso, nove novas obras foram autorizadas em janeiro de 2026, com foco em áreas consideradas prioritárias para mitigação de riscos.

Essas intervenções integram programas estaduais voltados à estabilização de encostas, drenagem superficial e proteção de áreas urbanas vulneráveis, especialmente em bairros situados em regiões de relevo acidentado.

Programas federais e políticas habitacionais

O deputado também citou iniciativas do governo federal relacionadas à prevenção de desastres e à política habitacional. Segundo ele, programas de infraestrutura urbana e a retomada do programa Minha Casa Minha Vida podem contribuir para reduzir a ocupação de áreas consideradas inadequadas para moradia.

A política habitacional, nesse contexto, é frequentemente apontada por especialistas como um instrumento importante para reduzir o déficit de moradia e limitar a expansão de assentamentos informais em encostas ou áreas sujeitas a inundações.

Ainda assim, o parlamentar afirmou que medidas relacionadas à drenagem urbana, manutenção de cursos d’água e obras de contenção permanecem sob responsabilidade direta da gestão municipal.

Contexto urbano e desafios estruturais

Salvador apresenta um dos modelos urbanos mais complexos entre as capitais brasileiras, marcado por forte crescimento populacional ao longo do século XX e pela ocupação progressiva de áreas de encostas.

Essa configuração territorial exige políticas permanentes de planejamento urbano, infraestrutura e monitoramento ambiental, sobretudo em regiões onde a densidade populacional se combina com fragilidade geológica e deficiência de drenagem.

Especialistas em gestão urbana e prevenção de desastres costumam destacar que reduzir riscos em grandes cidades demanda estratégias integradas, envolvendo habitação, infraestrutura, planejamento territorial e sistemas de alerta e monitoramento.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading