Senado instala grupo para acompanhar investigações sobre o Banco Master e prevê audiências, diligências e quebras de sigilo

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado apresentou nesta quarta-feira (04/02/2026) os integrantes e o plano de trabalho do grupo de senadores que irá acompanhar as investigações sobre o Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central após a identificação de indícios de fraudes e irregularidades. O anúncio foi feito pelo presidente da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), que detalhou as linhas de atuação do colegiado, incluindo audiências públicas, diligências, visitas a órgãos de controle e a possibilidade de quebra de sigilos bancários e fiscais.

Segundo o senador, o objetivo é assegurar o papel fiscalizador do Senado e avaliar eventuais mudanças regulatórias e legislativas decorrentes do caso. Renan classificou o episódio como a “maior fraude bancária da história brasileira” e afirmou que o grupo atuará para apurar responsabilidades, inclusive de parlamentares, se houver indícios de envolvimento.

O grupo será composto por 12 senadores titulares e quatro suplentes, com participação de representantes de diferentes partidos e regiões do país. A atuação inclui articulações com o Banco Central, Tribunal de Contas da União (TCU), Polícia Federal e Supremo Tribunal Federal (STF), além da produção de relatórios preliminares e de um relatório final ao término das investigações.

Plano de trabalho prevê audiências, visitas institucionais e análise de documentos

O plano apresentado pela CAE estabelece uma série de medidas para acompanhamento do caso, incluindo:

  • Audiências públicas com autoridades e especialistas
  • Diligências e visitas técnicas
  • Análise de documentos e relatórios de órgãos de controle
  • Possibilidade de quebra de sigilos, mediante aprovação do Plenário do Senado
  • Produção de relatórios preliminares e relatório final

Renan Calheiros informou que o grupo terá reuniões com o Banco Central e com o TCU, além de agendas institucionais com o STF e a Polícia Federal. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, deverão ser convidados para audiências formais.

A comissão também pretende acompanhar investigações conduzidas por diferentes órgãos, incluindo Banco Central, TCU, Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Polícia Federal.

Reuniões iniciais e foco na linha do tempo das fraudes

Na primeira agenda institucional, senadores do grupo se reuniram com o presidente do Banco Central. Segundo Renan, a conversa foi positiva e o BC se dispôs a compartilhar informações dentro dos limites legais.

O senador afirmou que a comissão pretende traçar uma linha do tempo das fraudes atribuídas ao Banco Master, desde as operações financeiras até a liquidação extrajudicial da instituição.

Também estão previstas reuniões com o presidente do STF, Edson Fachin, e com o diretor-geral da Polícia Federal. No âmbito do TCU, o presidente da corte, Vital do Rêgo, teria se comprometido a compartilhar dados da inspeção sobre a atuação do Banco Central no processo de liquidação.

Durante os debates, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) destacou a dimensão institucional do caso e defendeu o aprofundamento das apurações, afirmando que as irregularidades atribuídas ao banco apresentam características de crime organizado.

Comissão pode propor mudanças legislativas e apurar conexões políticas

Além de acompanhar as investigações, o grupo pretende avaliar alterações legislativas. Entre as propostas em análise está a inclusão de fundos de investimento sob a fiscalização direta do Banco Central, medida que pode ampliar o alcance regulatório da autoridade monetária.

Renan também mencionou a necessidade de examinar eventuais conexões políticas e institucionais relacionadas ao banco, citando visitas do empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição, ao Palácio do Planalto antes da eclosão do escândalo.

O senador afirmou que o objetivo é apurar os fatos sem politização, mas sem omissões quanto a eventuais responsabilidades de autoridades públicas.

Integrantes do grupo de trabalho

Senadores titulares

  • Alessandro Vieira (MDB-SE)
  • Damares Alves (Republicanos-DF)
  • Eduardo Braga (MDB-AM)
  • Esperidião Amin (PP-SC)
  • Fernando Farias (MDB-AL)
  • Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
  • Humberto Costa (PT-PE)
  • Izalci Lucas (PL-DF)
  • Leila Barros (PDT-DF)
  • Omar Aziz (PSD-AM)
  • Randolfe Rodrigues (PT-AP)
  • Soraya Thronicke (Podemos-MS)

Senadores suplentes

  • Eliziane Gama (PSD-MA)
  • Fernando Dueire (MDB-PE)
  • Jorge Kajuru (PSB-GO)
  • Nelsinho Trad (PSD-MS)

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