Senador Rodrigo Pacheco articula candidatura ao governo de Minas Gerais e avalia chapa ao Senado com Aécio enquanto PT enfrenta impasse em São Paulo

Brasília, segunda-feira (16/02/2026) — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou as articulações para as eleições de 2026 e conseguiu convencer o senador Rodrigo Pacheco a considerar a disputa pelo governo de Minas Gerais, ao mesmo tempo em que o PT enfrenta resistência de Fernando Haddad e Geraldo Alckmin para encabeçar a corrida ao governo de São Paulo. Nos dois maiores colégios eleitorais do país depois do próprio estado paulista, as movimentações revelam a tentativa do Planalto de estruturar palanques competitivos e alianças ao centro para sustentar o projeto de reeleição presidencial.

Minas Gerais: Pacheco busca composição ao centro

O senador Rodrigo Pacheco já estaria praticamente convencido a disputar o governo mineiro após conversas com Lula. Paralelamente, iniciou negociações para montar uma chapa ao Senado que amplie o alcance político da coligação.

A prefeita de Contagem, Marília Campos, é tratada como candidata natural a uma das vagas. A novidade em discussão seria a possibilidade de Aécio Neves ocupar a segunda posição na chapa. A composição, no entanto, teria caráter pragmático: Aécio não apoiaria Lula, e o PT tampouco pediria votos para o tucano.

O objetivo central da articulação seria posicionar a candidatura de Pacheco mais ao centro político, ampliando o espectro eleitoral em um estado tradicionalmente decisivo nas disputas presidenciais.

Estratégia de amplitude eleitoral

A movimentação em Minas reflete a busca do governo por alianças heterogêneas, com nomes de diferentes espectros ideológicos, para garantir palanques robustos nos estados-chave. Minas Gerais, historicamente, desempenha papel decisivo em eleições nacionais, e o Planalto tenta evitar fragmentações que enfraqueçam a campanha presidencial.

São Paulo: resistência de Haddad e Alckmin expõe fragilidade do PT

Enquanto avança em Minas, o presidente enfrenta dificuldades em São Paulo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o vice-presidente Geraldo Alckmin resistem à pressão para disputar o governo estadual.

A relutância reflete tanto o histórico de derrotas eleitorais quanto o desempenho recente do PT no estado. Haddad acumula três derrotas consecutivas: a disputa presidencial de 2018, a prefeitura de São Paulo em 2016 e o governo paulista em 2022, quando obteve 44,73% dos votos válidos contra Tarcísio de Freitas.

Alckmin, por sua vez, não demonstra interesse em voltar às urnas. O PSB defende sua permanência como vice na chapa presidencial, embora Lula ainda avalie possíveis composições com o MDB.

Enfraquecimento eleitoral no principal colégio do país

Desde a redemocratização, o PT só chegou ao segundo turno do governo paulista duas vezes: em 2002 e em 2022. O desempenho municipal de 2024 agravou o cenário, com o partido elegendo apenas quatro prefeitos em cidades pequenas.

Para analistas, o quadro reflete o encolhimento do partido no interior paulista e o avanço da direita em regiões fora da capital e das áreas metropolitanas.

O cientista político Jairo Nicolau, da FGV, avalia que a disputa contra um governador bem avaliado torna a corrida arriscada para lideranças nacionais:

  • São Paulo tem um interior gigantesco, onde o PT sempre teve dificuldades.
  • Candidaturas fortes exigem estrutura local e rede municipal.
  • A ausência de enraizamento partidário dificulta a campanha estadual.

Apesar das dificuldades, petistas defendem a candidatura de Haddad, lembrando o desempenho de quase 45% em 2022 e a expectativa de uma eleição nacionalizada.

Senado e palanques estaduais no centro da estratégia

No campo legislativo, o PT demonstra preocupação com a falta de puxadores de votos para a Câmara, avaliando que nomes do PSOL podem liderar as votações na esquerda.

Para o Senado, o cenário é visto com mais otimismo. O partido avalia apoiar nomes como:

  • Simone Tebet
  • Marina Silva
  • Geraldo Alckmin (em alternativa à vice-presidência)

A prioridade é montar palanques estaduais competitivos, especialmente em São Paulo, responsável por cerca de 22% do eleitorado nacional.

Polarização nacional e enfraquecimento da terceira via

Nos bastidores, aliados de Lula avaliam que as pesquisas recentes indicam reedição da polarização de 2022. Levantamentos apontam o senador Flávio Bolsonaro como segundo colocado, com diferença estreita em eventual segundo turno contra o atual presidente.

Segundo dirigentes próximos ao Planalto, esse cenário tende a inviabilizar candidaturas de terceira via, com dificuldade de romper a divisão entre os dois polos políticos.

A avaliação interna é de que a polarização deve se repetir também nos estados, dificultando candidaturas que não se alinhem a nenhum dos dois campos principais.


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