Nesta quinta-feira (12/02/2026), reportagens do UOL e da revista Piauí informaram que a Polícia Federal (PF) identificou conversas atribuídas ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e ao seu cunhado, Fabiano Zettel, nas quais são mencionados pagamentos de no mínimo R$ 20 milhões à Maridt Participações S.A., empresa apontada como familiar e da qual o ministro Dias Toffoli (STF) confirmou ser sócio; os repasses teriam sido feitos via fundo Arleen e ocorreriam após um contrato assinado em 2024, em contexto relacionado a investigações envolvendo o banco — cuja apuração bilionária tramita no Supremo sob relatoria do próprio ministro, segundo a piauí.
O que a PF relatou ao STF e como o material chegou à Presidência da Corte
De acordo com o UOL, o conteúdo das mensagens aparece em um relatório apresentado pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao presidente do STF, Edson Fachin. Segundo a reportagem, a PF teria destacado que os diálogos indicam repasses “como uma forma de fazer pagamentos” a Toffoli — interpretação que o ministro contesta, afirmando não ter recebido valores diretamente de Vorcaro ou de Zettel.
A piauí acrescentou que o material entregue ao presidente do STF teria caráter mais grave do que uma discussão de suspeição: o encaminhamento teria sido realizado com base no artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura, dispositivo citado como aplicável quando surgem indícios de possível crime envolvendo magistrado no curso de processo em que atua.
Segundo fontes ouvidas pelo UOL, a PF apresentou as mensagens ao Supremo sem pedir formalmente a suspeição de Toffoli, deixando ao presidente da Corte a avaliação sobre providências cabíveis.
Fundo Arleen, Maridt e a linha do tempo mencionada nas reportagens
As reportagens situam os repasses no âmbito do fundo Arleen, associado a Zettel, e relacionam o caso ao resort Tayayá, ativo no qual o fundo teria comprado participação anos antes. O ponto que chamou atenção dos investigadores, segundo o UOL, foi o fato de os repasses ocorrerem muito depois da operação originalmente ligada ao resort.
Venda em 2021 e contrato em 2024: o intervalo sob análise
O UOL relata que a venda de uma fatia do resort pela Maridt ao fundo Arleen teria ocorrido em 27/09/2021. Já um contrato prevendo pagamentos do Arleen à Maridt, encontrado nas mensagens atribuídas a Vorcaro e Zettel, teria sido assinado em 2024, ou seja, posteriormente à operação de 2021.
Em nota pública citada pelo UOL, Toffoli afirmou que a Maridt é uma empresa familiar (sociedade anônima de capital fechado) e sustentou que não recebeu dinheiro de Vorcaro nem de Zettel, além de dizer que suas declarações e as de acionistas teriam sido prestadas regularmente à Receita.
Encerramento da participação no grupo Tayayá e a ação do BRB sobre o Banco Master
Ainda conforme a nota reproduzida pelo UOL, a Maridt teria integrado o grupo Tayayá Ribeirão Claro até 21/02/2025, quando a participação remanescente teria sido alienada à empresa PHD Holding, após a venda anterior ao fundo Arleen em 2021.
A nota também menciona que a ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída a Toffoli em 28/11/2025, sustentando que, àquela altura, “há muito” a Maridt não faria mais parte do grupo ligado ao resort.
Relações e contatos: mensagens apontariam encontros e frequência de comunicação
Além das conversas entre Vorcaro e Zettel, o UOL afirma que foram encontradas diversas conversas entre Vorcaro e Toffoli, com indicações de encontros e contatos frequentes. A reportagem informa que procurou Vorcaro e Zettel e aguardava resposta.
A piauí, por sua vez, descreve o material como uma Informação de Polícia Judiciária (IPJ) focada exclusivamente em Toffoli — documento em que a PF condensa evidências, enumera fatos e hipóteses, mas não equivale a relatório final de inquérito nem necessariamente contém pedido de indiciamento.
Suspeição, impedimento e o papel da PGR: divergências sobre o rito
As publicações destacam a distinção entre suspeição/impedimento — medidas ligadas à imparcialidade — e o envio de autos com base no artigo 33 da LOMAN, que, segundo a piauí, se relaciona à hipótese de ilícito penal.
O UOL ressalta que cabe à Procuradoria-Geral da República (PGR), se entender cabível, formular pedido de suspeição ou impedimento. Já a piauí relata que, até então, não haveria manifestação pública da Presidência do STF e que a PGR teria solicitado acesso ao material, segundo informação atribuída a coluna jornalística.
A piauí também cita avaliação de um professor de direito penal (Davi Tangerino, Uerj), segundo a qual, se a fundamentação foi mesmo o artigo 33, o procedimento deveria privilegiar a remessa à PGR, por ser o órgão com atribuição para avaliação criminal no âmbito do STF, e observa debate sobre o compartilhamento do relatório com o próprio ministro.
Decisões e encaminhamentos no inquérito: novo envio de materiais ao Supremo
Segundo a piauí, Toffoli sinalizou intenção de permanecer à frente do caso ao determinar, em 12/02/2026, que a PF enviasse ao Supremo todo o material extraído de celulares relacionado à investigação do Master — material que, conforme a revista, menciona o próprio ministro.
A combinação entre mensagens que citam pagamentos, relações de contato e atos processuais em um caso de grande repercussão sustenta o foco das reportagens na necessidade de esclarecimentos institucionais sobre o trâmite e a supervisão do material apresentado.










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