A oposição baiana oficializou nesta segunda-feira (30/03/2026) sua chapa majoritária para as eleições de 2026 durante ato político realizado em Feira de Santana, sob liderança do prefeito José Ronaldo de Carvalho. A composição reúne ACM Neto (União Brasil) como pré-candidato ao governo, Zé Cocá (PP) como vice e João Roma (PL) e Angelo Coronel (Republicanos) como pré-candidatos ao Senado, consolidando uma frente ampla com presença territorial e diversidade partidária.
O evento reuniu prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, deputados e lideranças de diversas regiões do estado, evidenciando um movimento estruturado de unificação da oposição. Em sua fala de abertura, ACM Neto destacou o caráter coletivo do ato e a mobilização política:
“Quero agradecer de coração a presença de prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e lideranças de diversas cidades do nosso estado” .
Feira de Santana como símbolo da estratégia política
A escolha de Feira de Santana como palco do lançamento reflete uma estratégia deliberada de valorização do interior baiano. Segunda maior cidade do estado, o município foi apresentado como eixo político fundamental para a construção da candidatura oposicionista.
Durante o evento, José Ronaldo reforçou a importância da interiorização da chapa, alinhando-se ao discurso de fortalecimento das bases regionais. A composição com Zé Cocá, prefeito de Jequié, segue essa lógica, ampliando a presença política fora da capital.
ACM Neto também fez referência direta à relação com José Ronaldo e à construção política conjunta, destacando o papel do prefeito como articulador central:
“Foi com a inspiração de Zé Ronaldo que a gente foi buscar este querido amigo que hoje é pré-candidato a vice-governador da Bahia” .
Composição da chapa e cálculo político
A definição de Zé Cocá como vice foi apresentada como resultado de articulação estratégica. Com trajetória consolidada no interior — incluindo mandatos como prefeito de Lafaiete Coutinho e Jequié —, Cocá surge como peça-chave para ampliar a capilaridade eleitoral.
Ao justificar a escolha, ACM Neto enfatizou atributos administrativos e políticos do aliado:
“Ele reúne todas as qualidades para estar comigo nessa luta. Ele tem experiência política, experiência de gestão e administrativa” .
A presença de João Roma e Angelo Coronel na disputa ao Senado complementa a engenharia política da chapa, reunindo diferentes correntes e ampliando o espectro eleitoral. Durante o discurso, Neto ressaltou a reaproximação política com aliados que estiveram em campos distintos no pleito anterior, sinalizando tentativa de superação de divergências.
Narrativa de aprendizado e reconstrução política
Um dos eixos centrais do discurso de ACM Neto foi o reconhecimento de erros passados e a defesa de uma nova estratégia eleitoral. Em tom reflexivo, o pré-candidato fez referência direta à derrota de 2022 como ponto de inflexão política:
“Só quem disputa uma eleição sabe a dor que é a derrota. Eu vejo hoje o quanto aprendi, o quanto estou mais preparado do que em 2022” .
Na mesma linha, destacou a necessidade de mudança de postura para alcançar resultado distinto:
“Se a gente repetir os mesmos erros, não vamos ganhar as eleições. Para fazer diferente, é preciso fazer melhor” .
Esse posicionamento reforça a tentativa de reconstrução da candidatura com base em aprendizado político, elemento recorrente em campanhas que buscam reverter derrotas recentes.
Críticas ao governo e discurso social
ACM Neto também direcionou críticas ao governo estadual, especialmente no que se refere às condições sociais da população. Em tom direto, associou a disputa eleitoral à situação das camadas mais vulneráveis:
“Hoje quem mais sofre no estado são os pobres” .
Ao mencionar o governador Jerônimo Rodrigues, o pré-candidato questionou a capacidade administrativa do atual governo e buscou estabelecer contraste político:
“Hoje os baianos conhecem Jerônimo. Acreditar que ele está preparado é acreditar no resultado que está aí” .
A linha argumentativa reforça a estratégia tradicional de oposição: vincular mudança de governo à melhoria das condições sociais, especialmente entre os segmentos mais afetados por políticas públicas.
Unidade política e recomposição de alianças
Outro aspecto relevante do evento foi a tentativa explícita de recomposição política entre lideranças que estiveram em campos distintos em eleições anteriores. ACM Neto reconheceu divergências passadas, mas enfatizou a convergência atual:
“Na campanha passada, Coronel e João Roma não estiveram comigo, mas hoje estamos juntos pelo futuro da Bahia” .
Esse movimento indica uma estratégia pragmática de coalizão, típica de disputas majoritárias, em que alianças são reconstruídas com base em viabilidade eleitoral e objetivos comuns.









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