A Bahia apresentou nesta quinta-feira (26/03/2026), durante o Salão Sebrae das Cidades Empreendedoras 2026, em Salvador, um novo panorama de sua política de desenvolvimento econômico, ancorado na combinação entre atração de investimentos, expansão industrial, economia verde, segurança jurídica e interiorização de oportunidades. Na exposição, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Angelo Almeida, sustentou que o Estado vem consolidando uma estratégia voltada ao crescimento com inclusão, com resultados no ciclo 2023-2025 e a perspectiva de uma nova carteira bilionária de projetos ligados à transição energética, aos biocombustíveis e à descentralização produtiva.
Segundo o secretário, a política conduzida pelo governo baiano permitiu a geração de 251.028 novas vagas formais de trabalho no período entre 2023 e 2025. A apresentação defendeu que o avanço econômico não deve ser aferido apenas pelo volume financeiro dos investimentos, mas também pela capacidade de produzir efeitos concretos sobre trabalhadores, jovens e pequenos empreendedores, em uma linha de ação que busca articular crescimento produtivo e redução de desigualdades regionais e sociais.
A exposição também detalhou os principais instrumentos usados pelo Estado para ampliar a competitividade da Bahia no cenário nacional e internacional. Entre os eixos destacados estão planejamento de longo prazo, desburocratização, segurança jurídica e diálogo com o setor produtivo, além da aposta em setores considerados estratégicos, como mobilidade elétrica, energia renovável e produção de combustíveis sustentáveis. O discurso oficial apresentou a Bahia como um possível “motor do crescimento verde e inclusivo”, com ênfase na articulação entre tendências globais e desenvolvimento local.
Geração de empregos e ambiente de negócios
Angelo Almeida atribuiu o desempenho recente à combinação entre investimentos públicos robustos, política ativa de atração de empreendimentos e estímulo ao empreendedorismo. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico, segundo ele, atua como formuladora de um ambiente de negócios mais estável e previsível, capaz de atrair capital privado e ampliar a base produtiva do Estado.
Nesse desenho, a estratégia governamental foi apresentada em quatro frentes centrais: planejamento de longo prazo, para garantir continuidade das políticas; desburocratização, com o objetivo de reduzir entraves administrativos; segurança jurídica, para conferir previsibilidade aos investidores; e diálogo com o setor produtivo, como mecanismo de alinhamento entre governo e mercado. O argumento central é que a competitividade baiana depende menos de ações isoladas e mais de uma coordenação institucional permanente.
A fala do secretário procurou reforçar a ideia de que a política de desenvolvimento adotada não se restringe à atração de grandes projetos industriais, mas se estende à ampliação de oportunidades econômicas em diferentes escalas. Essa abordagem procura associar a expansão do investimento à criação de empregos formais e à incorporação de novos agentes econômicos ao mercado, especialmente em regiões fora dos grandes centros tradicionais.
Segurança jurídica como base da expansão industrial
Um dos pontos mais enfatizados na apresentação foi o fortalecimento do marco legal e administrativo voltado ao desenvolvimento econômico. Angelo Almeida destacou a Lei 14.318/2021 como referência para a regularização da política fundiária estadual, em especial no que se refere à destinação de áreas para projetos industriais e produtivos.
Também foram mencionados o Decreto 23.947/2025, que trata do regime jurídico dos bens imóveis do Estado, e a Portaria 005/2026, destinada à regulamentação de critérios técnicos de avaliação, atualização monetária e valoração. De acordo com o secretário, esse conjunto normativo busca reduzir incertezas e oferecer maior previsibilidade aos contratos de concessão de áreas vinculadas ao desenvolvimento industrial.
Na prática, o recado do governo ao mercado é claro: sem segurança institucional, não há ambiente consistente para investimentos de longa maturação. Ao destacar esse arcabouço, a gestão estadual tenta demonstrar que a expansão industrial depende não apenas de incentivos econômicos, mas de regras estáveis, clareza regulatória e capacidade administrativa. Esse é um ponto decisivo, porque grandes empreendimentos exigem horizonte de previsibilidade, sobretudo em setores intensivos em capital.
Bahia amplia aposta na economia verde
A apresentação também reposicionou a Bahia como protagonista na agenda da economia verde, com foco em energia renovável, mobilidade elétrica e novas cadeias industriais ligadas à transição energética. Entre os exemplos citados está a instalação da fábrica da BYD, tratada como um marco no fortalecimento da presença baiana no segmento da mobilidade elétrica.
No polo de Camaçari, o governo também ressaltou a chegada das multinacionais Goldwind e Sinoma Blade, vinculadas à produção de componentes para o setor eólico. O objetivo é consolidar uma cadeia industrial associada à geração de energia limpa, com potencial de agregação de valor, inovação tecnológica e fortalecimento do parque fabril do Estado.
Outro dado apresentado foi a entrada em operação de 162 parques eólicos e solares nos últimos três anos, com impacto estimado em R$ 8 bilhões em investimentos. O número reforça a tentativa de projetar a Bahia como território estratégico para a expansão da infraestrutura energética renovável, em um cenário no qual a disputa por investimentos sustentáveis se tornou central para Estados e países que buscam se inserir nas novas cadeias globais de produção.
Mobilidade elétrica e transição produtiva
A referência à BYD não tem apenas valor simbólico. Ela sinaliza uma inflexão industrial relevante: a tentativa de inserir a Bahia em segmentos de maior densidade tecnológica, ligados à eletrificação da mobilidade e à reconfiguração da indústria automotiva. Trata-se de uma agenda que, se bem executada, pode ampliar a sofisticação produtiva do Estado.
Da mesma forma, os projetos ligados à energia eólica e solar mostram que a política econômica estadual procura se alinhar a uma transformação estrutural da economia mundial. O desafio, contudo, não está apenas em atrair plantas industriais, mas em garantir encadeamentos produtivos, formação de mão de obra, conteúdo local e permanência dos ganhos econômicos no território baiano.
Biocombustíveis ganham centralidade na nova economia baiana
Entre os segmentos apresentados como mais promissores está o de biocombustíveis, tratado como uma das principais apostas da nova carteira de desenvolvimento econômico do Estado. O maior destaque foi o projeto de SAF (combustível sustentável de aviação) da Acelen, com previsão de US$ 3 bilhões em investimentos.
Segundo os dados apresentados, o empreendimento poderá gerar impacto estimado de 80 mil novos empregos, além de projetar uma produção anual de 1 bilhão de litros de SAF e diesel renovável (HVO). O projeto insere a Bahia em um setor estratégico da transição energética, especialmente em um momento de pressão global por descarbonização do transporte aéreo e substituição gradual de combustíveis fósseis.
No Oeste baiano, a agenda de biocombustíveis aparece associada ao avanço do etanol de milho. Foram citados dois empreendimentos. O primeiro é o da Inpasa, em Luís Eduardo Magalhães, com R$ 1,3 bilhão em investimentos, previsão de 2.500 empregos e produção anual de 460 milhões de litros. O segundo é o da Biocombustível Oeste, em Jaborandi, com R$ 820 milhões, também com expectativa de 2.500 empregos e produção anual estimada em 622 milhões de litros.
Oeste baiano e nova fronteira energética
Os números apresentados indicam que o Oeste da Bahia tende a se firmar como uma das principais fronteiras da nova economia energética estadual. A região, já marcada por forte dinamismo agroindustrial, passa a atrair projetos que combinam produção agrícola, processamento industrial e agregação de valor energético.
Esse movimento é relevante porque amplia a base da industrialização para além dos polos historicamente consolidados. Ao mesmo tempo, impõe desafios de infraestrutura logística, oferta de energia, disponibilidade hídrica e qualificação profissional. Em projetos dessa magnitude, a eficiência da execução pública será tão importante quanto a atração inicial dos investimentos.
Interiorização dos investimentos e equilíbrio regional
Outro eixo central da política apresentada foi a interiorização do desenvolvimento. De acordo com Angelo Almeida, mais de 90% dos investimentos previstos deverão ser implantados no interior da Bahia. A diretriz procura enfrentar um problema histórico da economia baiana: a concentração geográfica das atividades produtivas e da renda.
Ao defender a descentralização industrial, o governo sinaliza que a expansão econômica deve ser acompanhada por maior equilíbrio territorial. A ideia é fortalecer os territórios, reduzir assimetrias regionais e criar condições para que trabalhadores encontrem oportunidades em suas próprias cidades ou regiões de origem, sem depender necessariamente da migração para os grandes centros.
Esse tipo de estratégia, quando bem conduzido, tende a produzir efeitos sociais relevantes. A permanência da população em seus territórios, associada à abertura de postos de trabalho e ao fortalecimento da atividade econômica local, pode reduzir pressões urbanas, dinamizar mercados regionais e ampliar a circulação de renda no interior. O êxito, porém, dependerá da capacidade do Estado de transformar anúncios em implantação efetiva, com cronogramas, infraestrutura e monitoramento contínuo.
Modelo combina atração global, execução pública e inclusão social
Na síntese apresentada pelo secretário, a política econômica da Bahia está assentada em três pilares: atração global de investimentos, responsabilidade executiva e redução de desigualdades. O desenho busca posicionar o Estado como destino competitivo para grandes empreendimentos, sem dissociar crescimento econômico de inclusão social e transição ambiental.
A formulação é politicamente relevante porque procura responder a uma exigência cada vez mais presente no debate contemporâneo sobre desenvolvimento: a de que expansão produtiva, sustentabilidade e inclusão deixem de ser tratadas como agendas separadas. Ao menos no plano discursivo, a Bahia tenta construir uma narrativa de desenvolvimento integrada, na qual industrialização e justiça territorial caminhem juntas.
Ainda assim, a solidez dessa estratégia será medida menos pela retórica e mais pela capacidade de execução. Em matéria de política econômica, o histórico brasileiro mostra que anúncios volumosos nem sempre se convertem integralmente em investimento realizado. É justamente aí que a combinação entre segurança jurídica, coordenação institucional e capacidade administrativa se torna decisiva.








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