O Brasil e a Bolívia avançaram terça-feira (03/03/2026) na construção de uma agenda estratégica para ampliar o comércio agropecuário e fortalecer a cooperação técnica bilateral. A reunião ocorreu na sede do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e reuniu o ministro Carlos Fávaro e o ministro Óscar Mario Justiniano, como preparação para o próximo encontro entre os chefes de Estado dos dois países.
O diálogo antecedeu a 51ª Reunião Ordinária do Conselho Agropecuário do Sul (CAS) e incluiu temas comerciais, sanitários e de inovação tecnológica. O governo brasileiro destacou a presidência pro tempore exercida pela Bolívia no colegiado e o ambiente de coordenação entre as delegações.
Segundo o Mapa, as tratativas buscaram estabelecer mecanismos para ampliar exportações, harmonizar exigências sanitárias e promover intercâmbio técnico, com consolidação de medidas nos próximos dias.
Cooperação técnica e pesquisa agropecuária
Entre os pontos centrais esteve o interesse boliviano em firmar termo de cooperação com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O objetivo é transferência de conhecimento e desenvolvimento de culturas estratégicas para a produção local.
A parceria poderá abranger pesquisas aplicadas, capacitação de técnicos e compartilhamento de tecnologias voltadas ao aumento de produtividade e adaptação climática. O instrumento de cooperação deve ser preparado para formalização durante agenda presidencial.
As delegações também trocaram informações sobre o Programa de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), política brasileira voltada à proteção da renda do produtor e à estabilidade de mercado. A experiência servirá de referência para possível estruturação de mecanismo semelhante na Bolívia.
Sanidade animal e abertura de mercados
No eixo sanitário, o Mapa defendeu a aplicação do princípio da regionalização para influenza aviária e doença de Newcastle, prática que restringe embargos comerciais a áreas específicas com foco localizado, reduzindo impactos ao comércio exterior.
O tema foi tratado em conformidade com parâmetros internacionais e busca assegurar previsibilidade nas exportações agropecuárias, mesmo diante de ocorrências pontuais de enfermidades. A estratégia é considerada essencial para manter fluxos comerciais contínuos.
Também avançaram as discussões sobre processos de abertura de mercado para manga, cana-de-açúcar e soja brasileiras, com análise de requisitos fitossanitários e etapas de habilitação técnica.
Biotecnologia e integração regional
Outro ponto debatido foi a cooperação em biotecnologia agrícola. A Bolívia manifestou interesse em homologação de eventos biotecnológicos no âmbito do Mercosul, com intercâmbio de critérios regulatórios e alinhamento técnico com o Brasil.
O país vizinho pretende utilizar a experiência brasileira na área de biossegurança, conduzida pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), responsável por avaliações de organismos geneticamente modificados e regulamentação de tecnologias transgênicas.
Para o Mapa, a integração regulatória pode facilitar a adoção de inovação no campo, reduzir custos produtivos e ampliar competitividade de pequenos e médios produtores na região.










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