A CPI do Crime Organizado do Senado Federal cancelou a reunião prevista para terça-feira (03/03/2026) que ouviria o ex-presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, e o fundador da Reag Investimentos, João Carlos Falbo Mansur. A comissão informou que o depoimento do empresário foi reagendado para a próxima semana.
Segundo o presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, concedeu habeas corpus que dispensou Campos Neto da obrigatoriedade de comparecer presencialmente. Ainda conforme o senador, o ex-dirigente informou que responderá por escrito aos questionamentos da comissão.
Campos Neto havia sido convocado a partir de requerimento apresentado pelo senador Jaques Wagner, com o objetivo de esclarecer eventuais falhas de fiscalização bancária que possam ter contribuído para a atuação de organizações criminosas no sistema financeiro.
Ausência de empresário e nova data de depoimento
Mesmo com decisão do ministro Flávio Dino mantendo a obrigatoriedade de comparecimento, João Carlos Falbo Mansur não participou da sessão. A defesa alegou ausência de prazo legal suficiente para apresentação, justificativa aceita temporariamente pela presidência da CPI.
Contarato informou que o advogado do empresário manteve contato com a comissão e confirmou presença na próxima semana. O senador declarou que o não comparecimento poderá resultar em condução coercitiva, caso a convocação não seja atendida na nova data.
A convocação de Mansur busca esclarecimentos sobre a liquidação de fundo de investimentos determinada pelo Banco Central, após registro de supostas infrações regulatórias. A CPI pretende analisar documentos e responsabilidades administrativas relacionadas ao caso.
Investigações sobre mercado financeiro
As apurações envolvem ainda o Banco Master, citado em investigações sobre possíveis irregularidades. A Polícia Federal e a Comissão de Valores Mobiliários conduzem procedimentos para apurar suposta manipulação do mercado financeiro com participação de gestores de instituições privadas.
A CPI do Crime Organizado tem como finalidade identificar vínculos entre atividades financeiras e organizações criminosas, além de propor medidas legislativas e administrativas. A comissão pode convocar testemunhas, requisitar documentos e produzir relatórios com recomendações aos órgãos de controle.
Com o cancelamento da reunião, os trabalhos seguem com novo cronograma, mantendo a coleta de informações por meio de respostas escritas, depoimentos presenciais e análise técnica dos dados encaminhados pelos investigados.
Próximos passos da comissão
A presidência da CPI informou que os depoimentos são considerados etapas essenciais para esclarecer a conduta de agentes do sistema financeiro. A comissão continuará a agenda de oitivas e diligências, priorizando casos relacionados a possíveis falhas regulatórias e fraudes.
O envio das respostas de Campos Neto por escrito e o comparecimento do fundador da Reag deverão subsidiar o relatório parcial da comissão, que consolida informações sobre regulação bancária, gestão de fundos e eventuais responsabilidades legais.
*Com informações da Agência Senado.








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