O deputado estadual Marcelino Galo (PT) criticou neste sábado (21/03/2026) a nova estratégia de comunicação do ex-prefeito de Salvador ACM Neto, após a divulgação de um vídeo em que o político aparece chegando à cidade de Macaúbas, no interior da Bahia, na garupa de um motoboy. Para o parlamentar petista, a gravação foi concebida para reforçar uma suposta identificação de Neto com o eleitor comum, mas representa uma tentativa artificial de reposicionamento de imagem nas redes sociais.
Segundo Marcelino Galo, o episódio simboliza uma mudança calculada de postura pública por parte do ex-prefeito, historicamente associado, na avaliação do deputado, a uma imagem de distanciamento social e de circulação em veículos de luxo. O líder do PT na Assembleia Legislativa da Bahia atribuiu essa inflexão ao trabalho do novo marqueteiro de ACM Neto e afirmou que a estratégia busca aproximá-lo do eleitorado do interior em um momento de reconstrução política.
A crítica foi formulada em tom de ironia. Para Galo, a tentativa de apresentar ACM Neto como alguém próximo do “povão” não encontra respaldo em sua trajetória política e pessoal. Na leitura do deputado, a encenação pode até produzir repercussão digital, mas não seria suficiente para alterar a percepção já consolidada sobre o ex-prefeito entre parcelas do eleitorado baiano.
Vídeo em Macaúbas reacende disputa narrativa entre governo e oposição
O episódio ocorreu em Macaúbas, município do interior baiano, onde ACM Neto gravou e publicou em suas redes sociais um vídeo em que surge na garupa de um motoboy. A publicação foi interpretada por aliados e adversários dentro da lógica da comunicação política digital, cada vez mais orientada pela produção de cenas de fácil circulação, forte apelo visual e linguagem de proximidade com o cotidiano do eleitor.
Na avaliação de Marcelino Galo, a opção por esse tipo de imagem não foi espontânea. O deputado sustenta que o conteúdo foi planejado para sugerir simplicidade, naturalidade e identificação popular, em contraste com o perfil tradicionalmente atribuído ao ex-prefeito de Salvador. A crítica do petista não se limita ao vídeo em si, mas alcança o que ele enxerga como uma tentativa mais ampla de reconfiguração simbólica da figura de ACM Neto.
O embate revela, mais uma vez, que a disputa política na Bahia também se trava no terreno da imagem pública, da linguagem audiovisual e da comunicação em redes sociais. Em vez de uma discussão estritamente programática, o episódio expõe o uso crescente de gestos, enquadramentos e roteiros curtos como instrumentos de construção narrativa, especialmente em agendas no interior do estado.
Marcelino Galo associa mudança de postura a cálculo eleitoral
Ao comentar a gravação, Marcelino Galo afirmou que ACM Neto estaria tentando abandonar uma imagem antes associada ao luxo, às grifes e a um estilo socialmente distante da maioria da população. Para o deputado, a mudança de linguagem visual e corporal revela mais cálculo político do que transformação autêntica de perfil.
Na interpretação do parlamentar petista, o ex-prefeito busca suavizar uma imagem de elite urbana para ampliar sua capacidade de diálogo com o interior baiano. Esse movimento, segundo Galo, seria parte de uma estratégia pensada para reduzir resistências e ampliar empatia junto a um público que valoriza sinais de proximidade, simplicidade e identificação com a vida cotidiana.
Ainda assim, o líder do PT sustenta que esse tipo de reposicionamento encontra limites na memória política do eleitor. Para ele, uma peça de comunicação, por mais eficiente que seja do ponto de vista estético ou digital, não apaga com facilidade marcas anteriores da trajetória pública de uma liderança. A crítica, portanto, mira menos o episódio isolado e mais a coerência entre imagem projetada e histórico político.








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