Uma manifestação convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reuniu neste domingo (01/03/2026) aproximadamente 22.800 pessoas na Avenida Paulista, na capital paulista, segundo estimativa baseada em imagens aéreas de alta resolução. O ato, intitulado “Acorda, Brasil”, teve como principais alvos de protestos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. A mobilização também reuniu parlamentares, governadores e lideranças religiosas, além de incluir reivindicações como anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e críticas ao atual cenário político e institucional do país.
Mobilização e estimativa de público
O ato começou por volta das 14h, ocupando trechos da Avenida Paulista e reunindo manifestantes alinhados a setores da oposição ao governo federal.
A estimativa de 22.800 participantes foi obtida por meio de análise de fotografias aéreas registradas por drone às 16h09, momento de maior concentração de público. As imagens foram analisadas com apoio do Google Earth, permitindo calcular a área ocupada pelos manifestantes e aplicar diferentes níveis de densidade populacional.
Para estimar o público presente, os organizadores da análise dividiram a área em categorias de ocupação:
- 1 pessoa por metro quadrado – densidade baixa
- 2 pessoas por metro quadrado – densidade média-baixa
- 3 pessoas por metro quadrado – densidade média
- 4 pessoas por metro quadrado – densidade média-alta
- 5 pessoas por metro quadrado – densidade alta
A soma das áreas ocupadas em cada categoria permitiu chegar ao número final aproximado de participantes, considerando a movimentação constante típica de eventos desse tipo.
Estimativa alternativa feita por pesquisa acadêmica
Outra medição foi realizada pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital, projeto vinculado à Universidade de São Paulo e sediado no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).
A instituição estimou cerca de 20.400 participantes, com margem de erro de 12%, o que indica um intervalo provável entre 18 mil e 22,9 mil pessoas.
O cálculo utilizou um sistema de inteligência artificial conhecido como Point to Point Network, software de origem chinesa empregado para identificar e contar indivíduos automaticamente em imagens aéreas de multidões.
Lideranças políticas presentes
A manifestação reuniu diversas lideranças da direita brasileira. Entre os participantes estavam:
- Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à Presidência
- Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais
- Ronaldo Caiado (PSD), governador de Goiás
- Valdemar Costa Neto, presidente do PL
- Bia Kicis (PL-DF), deputada federal
- Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), deputado federal
- Mario Frias (PL-SP), deputado federal
Também estiveram presentes o pastor Silas Malafaia e outras lideranças políticas e religiosas ligadas ao campo conservador.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não participou por estar em viagem internacional.
Discurso e críticas ao Supremo Tribunal Federal
Durante o evento, Nikolas Ferreira fez críticas diretas ao ministro Alexandre de Moraes, afirmando que o magistrado deveria responder judicialmente por suas decisões. Em seu discurso, o parlamentar também mencionou processos relacionados aos atos de 8 de janeiro.
O pastor Silas Malafaia também dirigiu críticas ao ministro do Supremo, citando contratos do escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado, com o Banco Master. Segundo o religioso, o caso deveria ser investigado.
Até o momento da publicação das informações, o Supremo Tribunal Federal não havia se manifestado publicamente sobre as declarações feitas durante o ato.
Discurso moderado de Flávio Bolsonaro
Ao discursar na manifestação, o senador Flávio Bolsonaro adotou um tom mais moderado em relação ao Supremo Tribunal Federal, concentrando suas críticas principalmente no governo federal.
O parlamentar afirmou que defende o impeachment de ministros que eventualmente descumpram a lei, mas ressaltou que a Corte possui papel relevante no sistema institucional brasileiro.
Segundo ele:
“Todos nós somos favoráveis ao impeachment de qualquer ministro do Supremo que descumpra a lei. O Supremo é fundamental para a democracia.”
Durante o ato, o senador utilizou colete à prova de balas, medida adotada por recomendação de sua equipe de segurança.
A precaução foi tomada em razão do histórico de atentado sofrido em 2018 pelo então candidato à Presidência Jair Bolsonaro, pai do senador, durante campanha eleitoral em Minas Gerais.
Atos paralelos e mobilização política
Além da manifestação em São Paulo, eventos semelhantes foram realizados em outras cidades, incluindo um ato na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.
Na capital federal, parlamentares defenderam maior união da direita para as eleições presidenciais de 2026 e reiteraram críticas ao governo Lula e a ministros do Supremo Tribunal Federal.
Entre as pautas mencionadas pelos participantes estavam:
- críticas às decisões do STF
- defesa de anistia para condenados pelos atos de 8 de janeiro
- mobilização política para o pleito presidencial de 2026








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