O deputado estadual Robinson Almeida (PT) saiu em defesa, nesta sexta-feira (27/03/2026) do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e reagiu às críticas feitas por ACM Neto (União Brasil) sobre o aumento dos preços dos combustíveis na Bahia. Em manifestação divulgada nesta sexta-feira, o parlamentar sustentou que a escalada dos valores não pode ser atribuída ao governo estadual de forma isolada, porque decorre de uma combinação entre a crise internacional do petróleo, agravada pela guerra envolvendo os Estados Unidos e o Irã, e decisões tomadas nos últimos anos no setor energético brasileiro, como a venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM) e a privatização da BR Distribuidora. O embate ocorre em meio ao avanço da discussão política sobre combustíveis no estado, tema que passou a ser explorado publicamente por ACM Neto nos últimos dias.
Disputa de narrativas sobre a alta dos combustíveis
O embate político ganhou força após críticas de ACM Neto à condução do governo estadual diante do aumento dos preços. Em resposta, Robinson Almeida classificou as declarações como tentativa de distorção dos fatos e responsabilizou fatores externos e decisões estruturais pela crise.
Segundo o parlamentar, a elevação dos preços não pode ser atribuída ao governo estadual. “ACM Neto tenta enganar a população ao jogar nas costas do governador uma responsabilidade que não é dele”, afirmou. Para ele, a crise atual exige uma análise mais ampla, que considere o cenário internacional e as transformações recentes no setor energético brasileiro.
Robinson também elevou o tom ao criticar a oposição. “É um discurso marcado pelo cinismo, pela hipocrisia e pela mentira”, declarou, acusando o grupo adversário de disseminar informações imprecisas para influenciar a opinião pública.
Impacto do cenário internacional no preço dos combustíveis
O deputado destacou que o aumento dos combustíveis é um fenômeno global, diretamente relacionado a tensões geopolíticas. De acordo com ele, conflitos internacionais têm pressionado os preços do petróleo e, consequentemente, os custos de energia em diversos países.
“O mundo inteiro está enfrentando alta nos combustíveis por conta de conflitos internacionais, provocados pela guerra liderada por Donald Trump contra o Irã, que impacta diretamente o preço do petróleo e dos alimentos em todo mundo”, afirmou Robinson Almeida.
A declaração insere o debate baiano em um contexto mais amplo, no qual oscilações do mercado internacional influenciam diretamente economias locais. A volatilidade do petróleo, tradicionalmente sensível a crises geopolíticas, tem sido um dos principais fatores de instabilidade nos preços.
Além disso, o parlamentar argumenta que, em cenários como esse, países com maior capacidade de regulação estatal tendem a absorver melhor os impactos, reduzindo a exposição direta da população às oscilações do mercado global.
Privatizações e efeitos estruturais no mercado brasileiro
Outro ponto central da crítica do deputado refere-se às privatizações realizadas no governo Jair Bolsonaro, especialmente no setor de refino e distribuição de combustíveis. Robinson Almeida apontou essas medidas como responsáveis por reduzir a capacidade de controle de preços no país.
“No país, a crise foi aprofundada por escolhas desastrosas de Bolsonaro, como a privatização da Refinaria Landulpho Alves e da BR Distribuidora, que retiraram instrumentos de controle de preços”, afirmou.
Segundo ele, tais decisões contaram com apoio político do União Brasil. “Isso teve apoio do União Brasil e o silêncio cúmplice de ACM Neto”, acrescentou, ampliando o confronto político.
O parlamentar sustenta que a venda de ativos estratégicos comprometeu a capacidade do Estado de atuar como agente regulador, deixando o mercado mais exposto às flutuações internacionais e à lógica de preços definida por agentes privados.
Acusações de oportunismo político
Robinson Almeida também acusou ACM Neto de incoerência política ao criticar a alta dos combustíveis. Para o deputado, o ex-prefeito teria apoiado medidas que contribuíram para o cenário atual.
“Ele quer posar de defensor do povo agora, mas esteve ao lado de quem desmontou a política energética nacional”, afirmou. Em tom ainda mais incisivo, acrescentou: “Essa é a verdade que a população conhece e ACM Neto quer esconder por oportunismo eleitoral”.
O discurso reforça a estratégia de vincular o adversário a decisões impopulares do passado, enquanto busca preservar a imagem do governo estadual diante da pressão inflacionária.
Ao mesmo tempo, a oposição tenta capitalizar o impacto direto da alta dos combustíveis no custo de vida da população, transformando o tema em um dos eixos centrais do debate político no estado.








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