O deputado estadual Robinson Almeida (PT) criticou nesta quinta-feira (05/03/2026) a pesquisa eleitoral divulgada pelo portal Bahia Notícias e elaborada pelo Seculus Consultoria e Assessoria, que aponta o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) na liderança da corrida pelo Governo da Bahia nas eleições de 2026. Segundo o levantamento, divulgado na quarta-feira (04/03), Neto aparece com 48,3% das intenções de voto, enquanto o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT) registra 31,2%. Ao comentar os números, o parlamentar questionou a credibilidade do instituto responsável pelo estudo e afirmou que seu histórico exige cautela na interpretação dos dados. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob nº BA-09740/2026.
Questionamento sobre credibilidade do instituto
Robinson Almeida afirmou que o Seculus Consultoria acumula histórico de erros em pesquisas eleitorais estaduais, o que, segundo ele, demanda prudência na análise dos resultados divulgados.
De acordo com o parlamentar, levantamentos anteriores realizados pela empresa apresentaram discrepâncias significativas em relação aos resultados das urnas. “O instituto Séculus foi o que mais errou pesquisa no século 21. Nunca acertou uma pesquisa estadual, ao contrário, acumula erros expressivos e sucessivos”, declarou.
O deputado destacou que o debate não deve se concentrar em preferências políticas, mas sim na credibilidade metodológica dos levantamentos eleitorais. Para ele, a divulgação de números sem contextualização pode gerar interpretações equivocadas sobre o cenário político.
Referência às eleições estaduais de 2022
Durante sua manifestação, Robinson Almeida relembrou o episódio ocorrido nas eleições estaduais de 2022, quando uma pesquisa do mesmo instituto apontava ACM Neto com quase 57% das intenções de voto, com ampla vantagem sobre Jerônimo Rodrigues.
Na ocasião, segundo o deputado, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) suspendeu liminarmente a divulgação do levantamento.
O resultado final das eleições apresentou um cenário distinto. Jerônimo Rodrigues terminou o primeiro turno com quase 50% dos votos válidos e venceu a disputa no segundo turno, consolidando uma virada em relação às projeções iniciais divulgadas naquele período.
“A Bahia tem memória. Em 2022, esse mesmo instituto divulgou números que davam uma vantagem esmagadora a ACM Neto. A Justiça suspendeu a pesquisa e o resultado das urnas mostrou um cenário completamente diferente”, afirmou o parlamentar.
Histórico de impugnações citado pelo deputado
Robinson Almeida também mencionou decisões judiciais que teriam questionado levantamentos do Seculus Consultoria em eleições municipais, citando episódios envolvendo municípios baianos.
Entre os exemplos citados pelo deputado está o caso de Casa Nova, nas eleições municipais de 2020, quando a Justiça Eleitoral apontou, segundo ele, “defeitos insanáveis no registro” de pesquisa divulgada pelo instituto.
O parlamentar também mencionou suspensões de levantamentos em municípios como Uauá e Lafaiete Coutinho, argumentando que esse histórico reforça a necessidade de análise crítica por parte da imprensa e da sociedade.
Para Robinson, pesquisas eleitorais devem ser tratadas como instrumentos técnicos, utilizados para aferir tendências do eleitorado, e não como mecanismos capazes de influenciar o comportamento político.
“Pesquisa é instrumento técnico, não ferramenta de indução psicológica do eleitor. Quando há um histórico de impugnações e divergências expressivas com o resultado das urnas, é dever do jornalismo e da sociedade contextualizar esses antecedentes”, declarou.
Defesa do governo Jerônimo Rodrigues
O deputado também afirmou que o governador Jerônimo Rodrigues mantém base política consolidada no estado, destacando ações do governo estadual em áreas como infraestrutura e educação.
Segundo o parlamentar, o governo tem promovido investimentos em escolas de tempo integral, hospitais e obras de infraestrutura viária, além de atuar em alinhamento político com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Casa Civil Rui Costa e o senador Jaques Wagner, lideranças que compõem o principal grupo político do PT na Bahia.
Robinson Almeida avaliou que esse grupo político possui histórico de respaldo eleitoral no estado, resultado, segundo ele, das políticas públicas implementadas ao longo dos últimos anos.
“A eleição não se decide em manchete, se decide no voto. E quando as urnas são abertas, quem fala é o povo. Foi assim em 2022 e será assim novamente”, afirmou.
Disputa política e narrativas eleitorais
Ao final de sua manifestação, o deputado também fez referência ao histórico político da Bahia e às mudanças ocorridas desde o fim do chamado carlismo, grupo político associado ao ex-senador Antônio Carlos Magalhães.
Segundo Robinson, parte do eleitorado baiano valoriza o legado administrativo dos governos do PT no estado e demonstra resistência a um eventual retorno de grupos políticos associados a períodos anteriores da política estadual.
“A população reconhece o legado e o trabalho do PT, e não deseja retornar ao período em que o carlismo governava de Salvador, de forma centralizada, autoritária e sem compromisso com os municípios e o desenvolvimento do estado”, afirmou o parlamentar.











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