O Encontro Nacional de Mulheres na Justiça Restaurativa realizou, na quinta-feira (19/03/2026), em Salvador, uma programação voltada à apresentação de boas práticas, debates e lançamentos de livros, reunindo participantes de diferentes estados brasileiros. A iniciativa tem como objetivo fortalecer a cultura de paz e a aplicação da Justiça Restaurativa no país.
As atividades ocorreram na sede da Arquidiocese de Salvador e integraram a segunda edição do evento, que promove a troca de experiências entre profissionais do Judiciário, especialistas e representantes de instituições. A proposta central é ampliar o debate sobre práticas que priorizam o diálogo e a mediação de conflitos.
Segundo a organização, a programação busca consolidar estratégias para a implementação de métodos restaurativos em diferentes contextos sociais e institucionais.
Apresentação de práticas e experiências institucionais
Durante o encontro, foram apresentados projetos desenvolvidos em tribunais brasileiros, com foco na resolução de conflitos por meio de escuta qualificada e construção de acordos. A presidente do Núcleo de Justiça Restaurativa de 2º Grau do Tribunal de Justiça da Bahia, desembargadora Joanice Guimarães, destacou a importância da sistematização dessas práticas.
De acordo com a magistrada, as oficinas promovidas no evento contribuem para a padronização de metodologias e fortalecimento das ações restaurativas, incentivando soluções que evitem a reincidência de conflitos.
Entre os projetos apresentados está o Apoena, desenvolvido pelo Tribunal de Justiça de Roraima, voltado à aplicação da Justiça Restaurativa em abrigos femininos, com foco em adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
Projetos voltados à inclusão e reconstrução de vínculos
O projeto Apoena atua com círculos de construção de paz, abordando temas como autoestima, autocuidado e perspectiva de futuro. A iniciativa busca criar ambientes seguros para o diálogo e a reconstrução de vínculos sociais.
Representantes do projeto destacaram que a proposta é ampliar o acesso de jovens a práticas restaurativas, contribuindo para a redução de conflitos e fortalecimento de relações interpessoais.
Além das apresentações institucionais, o evento também promoveu debates sobre o papel das mulheres na condução de políticas públicas voltadas à Justiça Restaurativa.
Lançamento de livros e debates sobre cultura de paz
A programação incluiu o lançamento de obras voltadas à temática, como “Violência Doméstica e Justiça Restaurativa”, da juíza Aline Damasceno Ferreira de Sena, e “A adoção da Justiça Restaurativa pelo Poder Judiciário nas violências cometidas contra as mulheres”, de Lorena Santiago Fabeni.
Também foi realizado o painel “O lugar da Mulher na Justiça Restaurativa na Visão Brasileira”, com participação de magistradas e especialistas, abordando a atuação feminina na mediação de conflitos e na construção de políticas públicas.
As atividades culturais integraram a programação, ampliando o espaço de interação entre os participantes e fortalecendo a proposta de troca de experiências.
Encerramento prevê plenária e novos lançamentos
O evento segue até sexta-feira (20/03/2026), com atividades no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. Pela manhã, estão previstos debates sobre o fortalecimento da Justiça Restaurativa como política pública.
No período da tarde, será realizada a plenária final com a leitura da Carta das Mulheres da Justiça Restaurativa, documento que reúne diretrizes e propostas debatidas durante o encontro.
O encerramento contará ainda com o lançamento dos livros “História da Justiça Restaurativa na Bahia”, de autoria da desembargadora Joanice Guimarães e da assistente social Cristiana Lopes de Oliveira Coelho, e “Do Conflito ao Encontro: Cultura Generativa, o Feminino e a Justiça Restaurativa”, da professora e advogada Carla Boin, com início previsto para as 18h.








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