A Sociedade Filarmônica 25 de Março, uma das mais tradicionais instituições culturais da Bahia, celebrou na última quarta-feira (25/03/2026) seus 158 anos de fundação com um concerto especial do Projeto Retreta, realizado no coreto da Praça da Matriz, em Feira de Santana. O evento reuniu músicos, convidados e o público em uma apresentação que destacou a importância histórica da filarmônica, marcada pela formação de gerações de instrumentistas e pela preservação da tradição musical no interior do estado.
A programação contou com a participação da Filarmônica Terpsícore Popular, da cidade de Maragogipe, consolidando um intercâmbio cultural entre bandas do interior baiano. Além das apresentações musicais, o público pôde visitar a exposição fotográfica “Notas de um Tempo Antigo: Imagens que Contam Histórias”, composta por registros históricos que retratam a trajetória da instituição e sua relação com a cidade ao longo das décadas.
Tradição centenária e formação cultural
Fundada em 1868, a Filarmônica 25 de Março atravessou diferentes períodos históricos, mantendo-se como um dos pilares da vida cultural de Feira de Santana. Ao longo de mais de um século e meio, a banda não apenas preservou a tradição das retretas, como também consolidou sua atuação na formação musical de jovens e na ocupação cultural dos espaços públicos.
As retretas — apresentações em praças públicas — permanecem como um símbolo da cultura brasileira, resgatando práticas que remontam ao século XIX e reforçando o papel da música como instrumento de convivência social e memória coletiva.
Nos últimos anos, a instituição passou por um processo de renovação estruturada. Desde 2014, com a criação da Escola de Música Maestro Estevam Moura, a filarmônica ampliou sua atuação educacional, oferecendo formação gratuita e criando condições para o surgimento de novos músicos.
Encontro de gerações fortalece a instituição
Um dos aspectos centrais da apresentação comemorativa foi o encontro entre músicos experientes e jovens formados pela escola, que hoje já integram o corpo da banda. Essa integração evidencia a continuidade de um modelo tradicional de transmissão de conhecimento, baseado na prática coletiva e na formação comunitária.
A filarmônica e a escola são coordenadas pelo maestro Antônio Carlos Batista Neves Junior, responsável pela preparação do repertório especial apresentado no evento. O programa musical incluiu obras de compositores que marcaram a história da própria instituição, como Tertuliano Santos e Estevam Moura, reforçando a valorização da memória musical local.
A escolha das peças demonstra um esforço deliberado de preservar a identidade da filarmônica, mantendo vivo o legado de seus maestros e reafirmando sua função como guardiã da tradição musical regional.
Projeto Retreta e ocupação dos espaços públicos
O concerto integrou o Projeto Retreta, iniciativa que busca revitalizar a cultura das bandas filarmônicas e promover a ocupação qualificada dos espaços públicos por meio da música. Realizado no próprio dia de aniversário da instituição, o evento reforçou o simbolismo da data e a conexão histórica entre a filarmônica e a cidade.
O projeto é uma produção da Sociedade Filarmônica 25 de Março, viabilizado por meio da Lei Rouanet, com patrocínio da Rede Menor Preço, DPC Distribuidora e Bartofil, além do apoio institucional da Fundação Senhor dos Passos e realização do Ministério da Cultura, em parceria com o Governo Federal.
A presença do público na Praça da Matriz reforçou o caráter democrático da iniciativa, evidenciando o papel das filarmônicas como instrumentos de acesso à cultura e de fortalecimento da identidade local.
Exposição resgata memória e identidade cultural
Paralelamente ao concerto, a exposição “Notas de um Tempo Antigo: Imagens que Contam Histórias” ofereceu ao público uma leitura visual da história da filarmônica. Por meio de fotografias históricas, a mostra destacou momentos marcantes da instituição e sua inserção no cotidiano de Feira de Santana.
A iniciativa contribui para preservar a memória coletiva e reforça a importância da documentação histórica como ferramenta de valorização cultural. Ao associar música e imagem, o evento amplia a compreensão sobre o papel da filarmônica na construção simbólica da cidade.








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