Governo Jerônimo lança licitação para centros indígenas na Bahia com recursos da PNAB e investimento de R$ 2,7 milhões

O Governo do Estado da Bahia publicou no Diário Oficial do Estado (DOE) de sexta-feira (27/03/2026) a licitação para a construção de oito centros de cultura indígenas, distribuídos em diferentes regiões do território baiano. A iniciativa, conduzida em parceria entre a Secretaria de Cultura (SecultBA) e a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), prevê investimento de R$ 2,7 milhões, financiados pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), com impacto direto em cerca de 200 famílias indígenas.

A proposta integra uma estratégia mais ampla de fortalecimento das políticas públicas voltadas aos povos originários, com foco na valorização das identidades culturais, preservação dos saberes tradicionais e estímulo à economia criativa nas comunidades.

Os centros culturais serão implantados em aldeias localizadas em cinco territórios de identidade, com o objetivo de consolidar espaços permanentes de expressão cultural, formação e produção artística indígena.

De acordo com o secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, a iniciativa representa um esforço coordenado entre os entes federativos. Segundo ele, trata-se de uma ação estruturada para ampliar o alcance das políticas culturais:

É um compromisso com a valorização da cultura dos nossos povos originários, fortalecendo suas tradições e identidades. Uma ação construída em parceria entre os governos federal e estadual.

Municípios e aldeias contempladas

Os equipamentos culturais serão distribuídos em oito municípios baianos, abrangendo diferentes regiões e etnias indígenas:

  • Itajú do Colônia — Aldeia Bahetá
  • Santa Cruz Cabrália — Aldeia Mata Medonha
  • Paulo Afonso — Aldeia Kariri Xocó
  • Glória — Aldeia Pankararé
  • Una — Aldeia Serra do Padeiro
  • Rodelas — Aldeia Tuxá
  • Curaçá — Aldeia Missão Velha
  • Alcobaça — Aldeia Renascer

A seleção dos territórios segue critérios de representatividade cultural e potencial de impacto socioeconômico nas comunidades atendidas.

Economia da cultura e geração de renda

Além da preservação cultural, os centros terão papel estratégico na dinamização da economia local, sobretudo por meio do incentivo à produção e comercialização de artesanato indígena, atividades culturais e turismo de base comunitária.

A superintendente de Políticas para os Povos Indígenas da Bahia, Patrícia Pataxó, destacou que a iniciativa combina desenvolvimento com respeito às especificidades culturais:

Os centros vão valorizar saberes tradicionais, impulsionar o artesanato, fomentar o turismo cultural e gerar renda, exaltando identidades e modos de vida.

Na mesma linha, o secretário de Desenvolvimento Rural, Osni Cardoso, ressaltou o caráter estruturante da política pública:

Ao levar esses centros para dentro dos territórios, estamos criando oportunidades concretas de geração de renda, inclusão produtiva e desenvolvimento sustentável.

Inserção no pacote de investimentos para povos indígenas

A construção dos centros culturais integra um conjunto mais amplo de políticas públicas voltadas às comunidades indígenas na Bahia. O governo estadual anunciou um pacote de R$ 500 milhões, destinado a diferentes áreas estratégicas:

Principais ações previstas:

  • Produção rural e segurança alimentar
  • Habitação rural indígena
  • Regularização fundiária
  • Fomento à economia da cultura

Entre os programas associados, destaca-se o edital do Bahia que Produz e Alimenta, com potencial de beneficiar até 4 mil famílias, além da construção de moradias em áreas rurais indígenas.


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