Manifestação bolsonarista na Avenida Paulista reúne cerca de 20 mil pessoas, critica presidente e STF e projeta Flávio Bolsonaro para disputa presidencial

Neste domingo (01/03/2026), milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se reuniram na Avenida Paulista, em São Paulo, em manifestação convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O protesto reuniu lideranças políticas da oposição ao governo federal, críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O evento também ganhou forte conotação eleitoral ao destacar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República nas eleições de 2026, além de defender anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e a liberdade do ex-presidente Bolsonaro, atualmente preso.

A manifestação ocorreu sob o lema “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”, em referência ao presidente da República e aos ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. O protesto reuniu parlamentares, lideranças religiosas e militantes identificados com a direita brasileira, consolidando-se como mais um episódio da mobilização política em torno do bolsonarismo.

Ato reúne lideranças da oposição e apoiadores do ex-presidente

O evento estava programado para começar às 14h, mas sofreu atraso devido à chegada posterior do senador Flávio Bolsonaro, apontado como pré-candidato à Presidência. O parlamentar chegou ao local utilizando colete à prova de balas e foi recebido por apoiadores com aplausos e gritos de apoio.

Em discurso aos manifestantes e à imprensa, o senador afirmou que o movimento busca recuperar o que classificou como um período de prosperidade durante o governo de seu pai.

“Estamos aqui lutando por um Brasil que estava indo bem com o presidente Bolsonaro. Vamos voltar para o caminho da prosperidade”, declarou.

Flávio direcionou críticas ao governo Lula, citando gastos públicos e a condução da política econômica. Também criticou o ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), a quem chamou de “Taxad”, em referência a medidas tributárias recentes, e defendeu o retorno da política econômica associada ao ex-ministro Paulo Guedes.

O senador também afirmou apoiar processos de impeachment contra ministros do STF que, segundo ele, descumpram a lei, ressaltando, porém, que não considera o Supremo como instituição um adversário político.

Presença de parlamentares e lideranças políticas

Diversos políticos compareceram ao ato ou manifestaram apoio à mobilização. Entre os presentes estavam:

  • Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL
  • Silas Malafaia, pastor evangélico e aliado do bolsonarismo
  • Deputados federais como Bia Kicis, Sóstenes Cavalcante, Paulo Bilynskyj e Mário Frias
  • Deputados estaduais paulistas ligados à base conservadora

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), também participou da manifestação e declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro, afirmando que o grupo político trabalha para “resgatar ordem e progresso”.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que também é citado como possível presidenciável, afirmou à imprensa que a direita precisa vencer as eleições de 2026 para promover mudanças institucionais no país.

Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), criticou o governo federal durante sua participação no evento, sem mencionar diretamente a tragédia causada por fortes chuvas que atingiu recentemente a cidade de Juiz de Fora, em seu estado.

Conflitos internos na direita e discurso de unidade

A manifestação ocorreu em meio a tensões internas no campo bolsonarista. Nos últimos dias, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) havia criticado publicamente o que considerou apoio insuficiente de aliados à pré-candidatura do irmão Flávio.

Apesar disso, Flávio procurou demonstrar unidade ao elogiar publicamente o deputado Nikolas Ferreira, responsável pela convocação do ato.

Eduardo participou do evento por meio de vídeo, transmitido aos manifestantes. Na gravação, afirmou que a eleição de Flávio Bolsonaro representaria a possibilidade de aprovar anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro e para condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023.

Público e organização do protesto

Segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP, em parceria com a organização More in Common, a manifestação reuniu cerca de 20,4 mil pessoas no momento de maior concentração, registrado às 15h53. A margem de erro da estimativa é de 12%, o que indica um público entre 18 mil e 22,9 mil participantes.

A contagem foi realizada por meio de imagens aéreas analisadas com software de inteligência artificial.

Mesmo com a mobilização, o público foi inferior ao registrado em um ato pró-anistia realizado em 7 de setembro de 2025, que teve aproximadamente 42,4 mil participantes no pico.

Durante o protesto, manifestantes exibiram faixas com frases como “Fora Moraes”, “Justiça e liberdade” e “Bolsonaro livre”. Um boneco inflável do ex-presidente também foi instalado no local, com uma mordaça simbolizando suposta censura.

Discursos e críticas ao STF

Ao longo da tarde, diversos discursos foram realizados em um trio elétrico posicionado próximo ao Museu de Arte de São Paulo (Masp).

O deputado Nikolas Ferreira fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, figura central nas investigações relacionadas aos ataques de 8 de janeiro e a processos envolvendo o bolsonarismo.

O pastor Silas Malafaia também fez discurso contundente contra Moraes, acusando o ministro de abuso de poder e mencionando o caso envolvendo o Banco Master, tema que tem sido explorado politicamente por setores da oposição.

O escritório de advocacia Barci de Moraes, ligado à família do ministro, prestou serviços jurídicos ao banco, o que tem sido citado por críticos como possível conflito de interesses — embora não haja decisão judicial que confirme irregularidade.

Organização e financiamento do evento

A organização do ato ficou sob responsabilidade do movimento “Nas Ruas”, coordenado pelo deputado estadual Tomé Abduch (Republicanos).

Segundo os organizadores, o evento teve custo aproximado de R$ 130 mil, arrecadados por meio de financiamento coletivo.

A manifestação ocupou aproximadamente quatro quarteirões da Avenida Paulista, entre as ruas Itapeva e Ministro Rocha Azevedo, nas imediações do Masp e do Parque Trianon.

*Com informações da Folha de S.Paulo e da Agência Sputnik.


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