O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) ajuizou neste mês de março de 2026 uma ação civil pública contra o Município de Central com o objetivo de garantir a proteção do Sítio Arqueológico Riacho Largo, área que abriga pinturas rupestres de relevante valor ambiental, cultural e científico. A iniciativa decorre de irregularidades constatadas durante fiscalizações da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI), que apontaram ausência de controle, degradação do patrimônio e omissão do poder público municipal diante de notificações anteriores.
Falta de controle e danos ao patrimônio arqueológico
O processo tem como base um Relatório de Fiscalização Ambiental elaborado após ações da FPI, programa coordenado pelo MPBA desde 2002 em parceria com órgãos como o Ministério Público do Trabalho, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
De acordo com o documento, o sítio arqueológico recebe grande fluxo de visitantes sem qualquer tipo de controle ou estrutura adequada, o que tem provocado impactos diretos na conservação das pinturas rupestres.
Entre os principais problemas identificados estão:
- Pichações sobre os painéis rochosos
- Acúmulo de lixo na área
- Realização de fogueiras próximas às pinturas
- Circulação intensa e desordenada de visitantes
Além das ações humanas, o relatório também destaca a atuação de agentes naturais, como o escorrimento de água da chuva, que contribui para o desgaste gradual das inscrições rupestres.
Omissão do município e tentativa frustrada de acordo
Segundo o promotor de Justiça Romeu Gonsalves Coelho Filho, responsável pela ação, o MPBA tentou resolver a situação por vias administrativas antes de recorrer ao Judiciário.
Foram encaminhadas notificações formais e propostas de ajuste de conduta, além de reiterados pedidos de manifestação ao município, inclusive com entrega direta ao gestor local. No entanto, não houve resposta por parte da administração municipal.
O promotor destacou ainda o uso frequente da área pela população:
“O local é amplamente utilizado para lazer, recebendo cerca de 300 pessoas nos fins de semana. No entanto, não dispõe de infraestrutura mínima, como sinalização, controle de acesso ou fiscalização.”
A ausência de medidas preventivas, segundo o MPBA, agrava o risco de perda irreversível do patrimônio arqueológico.
Medidas exigidas na ação civil pública
Na ação, o Ministério Público solicita que a Justiça determine ao Município de Central a adoção de providências imediatas e estruturantes para conter os danos.
Entre as principais exigências estão:
- Criação de um grupo de trabalho específico
- Elaboração de um Plano de Ações Emergenciais (PAE) em até 30 dias
- Implantação de controle de acesso ao sítio
- Instalação de placas informativas e educativas
- Realização de rondas de fiscalização
- Promoção de ações de educação ambiental
- Execução de serviços de limpeza, manutenção e instalação de lixeiras
O MPBA também requer que, após aprovação judicial, o plano seja integralmente executado, como medida de contenção dos danos já identificados.
Preservação e perspectiva de proteção permanente
A iniciativa do Ministério Público busca não apenas conter a degradação imediata, mas também estabelecer bases para a proteção permanente do sítio arqueológico.
Entre as medidas estruturais previstas está a possibilidade de:
- Criação de uma unidade de conservação
- Elaboração de um plano de manejo específico
- Definição de políticas públicas voltadas à preservação do patrimônio cultural
A ausência dessas medidas, segundo o MPBA, compromete não apenas a integridade física das pinturas, mas também o valor histórico e científico do local.








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