O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o uso da força por nações ricas em intervenções internacionais e defendeu a soberania dos países da América Latina, Caribe e África durante discurso realizado no sábado (21/03/2026), em Bogotá, na Colômbia. A declaração ocorreu durante a 10ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e o I Fórum Celac-África.
Em sua fala, Lula questionou a legitimidade de ações militares e políticas externas que interferem em outros países, citando casos envolvendo Cuba, Venezuela e Bolívia. O presidente afirmou que não há respaldo na Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) para invasões ou intervenções unilaterais.
O chefe do Executivo também destacou a necessidade de respeito à autonomia das nações e criticou o que classificou como tentativa de retomada de práticas de dominação internacional.
Críticas à política internacional e à exploração de recursos
Durante o discurso, Lula apontou a pressão internacional sobre recursos naturais, como o lítio da Bolívia, utilizado na produção de baterias elétricas. Segundo ele, países em desenvolvimento devem priorizar o uso desses recursos para fortalecer suas economias e promover desenvolvimento tecnológico interno.
O presidente mencionou o histórico de exploração econômica enfrentado por países da América Latina, Caribe e África, destacando a extração de riquezas minerais ao longo dos séculos. Ele defendeu que esses países adotem estratégias para evitar a repetição desse modelo.
Lula também afirmou que nações devem incentivar a instalação de indústrias em seus territórios, com o objetivo de ampliar a cadeia produtiva e gerar desenvolvimento local.
Conflitos globais e críticas ao Conselho de Segurança da ONU
O presidente criticou a atuação do Conselho de Segurança da ONU, apontando falhas na prevenção de conflitos internacionais. Ele mencionou situações recentes envolvendo Gaza, Irã, Líbia, Iraque e Ucrânia, destacando a necessidade de revisão do papel dos membros permanentes do órgão.
Lula questionou a ausência de reformas estruturais na ONU e defendeu a ampliação da representatividade, incluindo maior participação de países da América Latina e da África nas decisões globais.
O discurso também abordou o aumento dos investimentos em armamentos, contrastando com os índices globais de pobreza e fome.
Desigualdade global e defesa do multilateralismo
Segundo Lula, o mundo enfrenta uma distribuição desigual de recursos, com gastos elevados em guerras enquanto milhões de pessoas permanecem em situação de vulnerabilidade. Ele citou dados sobre investimentos globais em armamentos e a existência de centenas de milhões de pessoas em situação de fome e sem acesso a serviços básicos.
O presidente defendeu o fortalecimento do multilateralismo, destacando a cooperação entre países da América Latina, Caribe e África como estratégia para enfrentar desafios globais, como mudanças climáticas, segurança alimentar e acesso à energia.
A cúpula contou com a participação de líderes internacionais, incluindo o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, e o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, além de representantes diplomáticos de diversos países.
Cooperação internacional e prioridades estratégicas
Lula destacou que os países participantes da Celac e da União Africana somam cerca de 2,2 bilhões de pessoas, reforçando o potencial de cooperação econômica e política entre as regiões.
Entre as prioridades citadas estão o combate à fome, a transição energética, a preservação ambiental e o avanço tecnológico, incluindo o uso de inteligência artificial.
O presidente concluiu defendendo que os esforços internacionais devem ser direcionados para o desenvolvimento social e econômico, com foco na redução das desigualdades globais.
*Com informações da Agência Brasil.








Deixe um comentário