O projeto cultural “Retreta – Nosso Palco é a Praça” levou apresentações de tradicionais bandas filarmônicas ao Coreto da Praça da Matriz, no centro histórico de Feira de Santana, no sábado (07/03/2026), reafirmando uma prática musical que marcou gerações nas cidades brasileiras. A iniciativa reuniu a Sociedade Filarmônica 25 de Março, fundada em 1868 e considerada a mais antiga da Bahia em atividade, e a Sociedade Litero Musical Minerva Cachoeirana, do município de Cachoeira, em concertos públicos que resgataram o repertório clássico das retretas e reforçaram o papel dessas instituições na preservação da memória cultural do interior baiano.
O projeto foi viabilizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com apoio da Prefeitura de Feira de Santana e patrocínio de empresas parceiras como Rede Menor Preço, DPC e Bafortil. A proposta central da iniciativa é recuperar a tradição das retretas musicais, concertos realizados em praças públicas que, ao longo do século XIX e início do século XX, constituíram uma das principais formas de difusão cultural e convivência social nas cidades brasileiras.
Tradição musical centenária das filarmônicas
Durante as apresentações no coreto, o público acompanhou um repertório formado por dobrados, marchas e composições tradicionais do universo das bandas filarmônicas, estilos que historicamente marcaram a identidade musical dessas corporações culturais.
As filarmônicas desempenham, historicamente, um papel relevante na formação musical de jovens, na preservação de repertórios tradicionais e na manutenção de uma prática cultural profundamente ligada à vida comunitária das cidades do interior.
No caso da Sociedade Filarmônica 25 de Março, a trajetória iniciada em 1868 reforça a dimensão histórica da instituição. A banda é reconhecida como uma das mais antigas em atividade no estado da Bahia, mantendo ao longo de mais de um século uma presença constante em eventos culturais, cívicos e religiosos.
Já a Sociedade Litero Musical Minerva Cachoeirana, oriunda do município de Cachoeira, integra uma das cidades mais tradicionais do Recôncavo Baiano em termos de cultura musical e formação de bandas filarmônicas, tradição que remonta ao período imperial.
Coreto da Praça da Matriz como palco histórico
As apresentações ocorreram no Coreto da Praça da Matriz, estrutura construída em 1916, que ao longo das décadas se consolidou como espaço simbólico de manifestações culturais e encontros comunitários em Feira de Santana.
Historicamente, os coretos das praças brasileiras foram concebidos justamente para abrigar retretas e apresentações musicais abertas ao público, funcionando como ponto de encontro entre artistas e comunidade.
Ao recuperar esse formato, o projeto busca reaproximar a música instrumental da vida cotidiana da cidade, valorizando a ocupação cultural dos espaços públicos e a convivência social em torno da arte.
A iniciativa também reforça o papel das bandas filarmônicas como patrimônio cultural imaterial, responsável por transmitir conhecimentos musicais entre gerações e preservar repertórios tradicionais.
Ação solidária em apoio às vítimas das enchentes em Cachoeira
Além da dimensão cultural, o evento foi marcado por uma ação solidária em apoio às famílias afetadas pelas enchentes recentes na cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano.
Durante o encontro entre as duas instituições musicais, a diretoria da Sociedade Filarmônica 25 de Março anunciou a doação de cerca de 200 quilos de alimentos para auxiliar as famílias atingidas pelas chuvas.
As contribuições foram viabilizadas por meio de doações pessoais do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho, além da participação de empresários locais e da diretoria da Fundação Senhor dos Passos.
Segundo informações apresentadas durante o evento, mais de 400 famílias ficaram desalojadas em Cachoeira em decorrência das enchentes recentes, cenário que mobilizou iniciativas de apoio em diferentes cidades da região.
Cultura e memória das cidades do interior
As retretas musicais ocuparam por décadas um papel central na vida cultural das cidades brasileiras, especialmente entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX.
Esses concertos ao ar livre eram realizados regularmente em praças públicas, funcionando como um dos principais espaços de difusão cultural e entretenimento comunitário antes da popularização do rádio e da televisão.
Nesse contexto, as bandas filarmônicas tornaram-se instituições fundamentais na formação musical da população e na construção da identidade cultural local.
Ao retomar essa tradição, o projeto “Retreta – Nosso Palco é a Praça” busca preservar essa herança histórica e estimular a valorização da música instrumental como elemento de integração social.









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