Quem é Tiago Di Mauro, conheça o baiano que integra equipe de Hamnet, filme que recebeu 8 indicações ao Oscar 2026

Natural de Salvador e criado em Juazeiro, no norte da Bahia, Tiago Di Mauro está entre os profissionais brasileiros que atuam nos bastidores de uma das produções mais comentadas da atual temporada do cinema internacional. O baiano integra a equipe de finanças de Hamnet, longa-metragem indicado em oito categorias no Oscar 2026, incluindo Melhor Filme, cuja cerimônia de premiação está marcada para domingo, 15 de março de 2026, em Hollywood.

Radicado em Londres, mas com rotina dividida entre o Reino Unido e o Brasil, Tiago atuou no departamento de finanças da produção, setor responsável por contratos, pagamentos e acompanhamento dos gastos de cada área envolvida no filme. Hamnet, dirigido por Chloé Zhao e produzido por nomes de peso da indústria, teve orçamento estimado em cerca de 35 milhões de dólares, o equivalente a aproximadamente R$ 245 milhões.

Em declaração sobre a experiência, Tiago destaca que uma eventual vitória do longa na categoria de Melhor Filme representaria o reconhecimento do trabalho coletivo de todos os departamentos da produção. Segundo ele, a migração da área de produção para o setor financeiro ampliou sua compreensão sobre o funcionamento integral de um projeto cinematográfico, desde a contratação de serviços até o controle orçamentário das diferentes etapas da realização.

Formação e início da carreira no audiovisual

Antes de se estabelecer no Reino Unido, Tiago Di Mauro iniciou sua trajetória profissional em Salvador, onde estudou Cinema e Vídeo. Após concluir a formação, decidiu se mudar para Londres para aprofundar os estudos e buscar inserção na indústria audiovisual internacional.

A mudança marcou um ponto de inflexão em sua carreira. Desde então, o profissional acumulou participação em 13 longas-metragens, trabalhando em produções associadas a estúdios e plataformas globais como Netflix, Disney, Amazon Prime Video, Focus Features, BBC e Sony.

Entre os projetos que compõem seu currículo estão filmes como “The Kitchen”, “Chevalier”, “Minha Culpa: Londres”, “Todo Tempo que Temos”, “Sinfonia de Guerra” e “Prima Facie”, além de produções que reuniram nomes consagrados do cinema internacional, como Ralph Fiennes, Gal Gadot, Cynthia Erivo, Judi Dench, Andrew Garfield e Florence Pugh.

A participação em Hamnet representa um marco específico em sua trajetória por conectar o profissional brasileiro a uma produção que reúne alguns dos principais nomes da indústria cinematográfica contemporânea.

O filme Hamnet e sua presença no Oscar 2026

Baseado no romance homônimo da escritora Maggie O’Farrell, o filme Hamnet narra a história da família de William Shakespeare a partir da morte de seu filho, episódio que inspira reflexões sobre luto, memória e criação artística.

Dirigido por Chloé Zhao, o longa conquistou forte repercussão na temporada internacional de premiações e recebeu oito indicações ao Oscar 2026, incluindo Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado, Atriz em Papel Principal, Trilha Sonora Original, Direção de Arte, Figurino e Casting.

A produção também obteve bom desempenho de bilheteria para um drama histórico de médio orçamento, consolidando-se como uma das obras mais comentadas do circuito cinematográfico recente.

Bastidores da produção e o papel do departamento financeiro

Embora os holofotes normalmente se concentrem no elenco e na direção, produções de grande escala dependem de uma complexa estrutura administrativa e financeira para funcionar.

No caso de Hamnet, o departamento de finanças desempenha papel central na organização da produção, supervisionando contratos, pagamentos a fornecedores, controle de despesas por departamento e planejamento orçamentário.

Para Tiago Di Mauro, a atuação nesse setor oferece uma visão abrangente de todo o processo cinematográfico. Segundo ele, acompanhar os gastos de cada área e entender os processos que estruturam um filme permite compreender a dimensão real de uma produção audiovisual.

Esse tipo de atuação evidencia que a indústria do cinema não se sustenta apenas no campo artístico, mas também em uma complexa engrenagem administrativa e financeira que garante a execução dos projetos.

Projetos autorais e planos para dirigir longa-metragem

Paralelamente ao trabalho em produções internacionais, Tiago Di Mauro também desenvolve projetos autorais. Entre eles está o curta-metragem “Nega Tonha”, inspirado na história de uma goleira que atuava em ligas masculinas no sertão baiano durante as décadas de 1980 e 1990.

O cineasta também tem três longas-metragens em que trabalhou previstos para estrear em 2026, consolidando um momento de intensa atividade profissional.

Segundo o próprio Tiago, cada novo projeto representa uma etapa em um objetivo maior: dirigir seu primeiro longa-metragem. A experiência acumulada em diferentes departamentos da produção audiovisual contribui para esse processo de formação como realizador.

Encontro com Wagner Moura durante circuito de premiações

Durante o circuito internacional de premiações, Tiago Di Mauro também encontrou o ator baiano Wagner Moura, que participa do filme “O Agente Secreto”, outro título associado à temporada do Oscar.

De acordo com o produtor, os dois conversaram sobre seus projetos e celebraram o momento de visibilidade do cinema brasileiro no cenário internacional.

O encontro simboliza a presença crescente de profissionais baianos em diferentes áreas da indústria audiovisual global, tanto diante quanto atrás das câmeras.

Bahia como referência cultural

Mesmo vivendo há anos no Reino Unido, Tiago Di Mauro afirma que a Bahia continua influenciando diretamente sua forma de olhar o cinema. O profissional divide o tempo entre Londres e o estado e procura aplicar nos projetos brasileiros a experiência adquirida na indústria internacional.

Segundo ele, trabalhar no exterior permitiu alcançar estabilidade profissional no setor audiovisual. Ao retornar ao Brasil, busca utilizar esse conhecimento técnico em produções de menor orçamento, mantendo o mesmo rigor de planejamento e execução observado nos grandes estúdios.

Essa ponte entre o mercado internacional e a cultura brasileira tornou-se um dos elementos centrais de sua trajetória profissional.

Videoclipes e experimentação audiovisual

Além do cinema, Tiago Di Mauro construiu uma trajetória consistente na direção de videoclipes, iniciada há cerca de 13 anos em Salvador com a criação do projeto Espaço V, iniciativa colaborativa voltada à produção de conteúdos audiovisuais para a internet.

Desde então, o profissional participou de cerca de 15 projetos de videoclipes, exercendo funções de direção e produção em trabalhos nacionais e internacionais.

Entre os destaques estão produções para a banda britânica Ibibio Sound Machine, da qual se tornou diretor em alguns projetos, assinando os clipes “Protection From Evil” e “Pull the Rope”.

No Brasil, dirigiu videoclipes para artistas como Josyara, incluindo “Apreciação” e “De Samba em Samba”, este último indicado na categoria Potência Criativa do m-v-f awards 2026, cuja cerimônia ocorrerá em 25 de março, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo.

Seu portfólio inclui ainda trabalhos com artistas como Nina Miranda, Tulipa Ruiz, Zé Manoel e Alexia Chellun, além da produção do projeto audiovisual “AVAE – Aricia Virtual Album Experience”, que reuniu profissionais de 27 nacionalidades na criação de seis videoclipes inspirados no álbum Versos do Mundo, da cantora Aricia Mess.

Para Tiago, os videoclipes funcionam como um laboratório criativo, onde experimenta linguagens visuais, narrativas e estéticas que também influenciam sua formação como diretor de cinema.

Tiago Di Mauro, natural de Salvador e criado em Juazeiro, integra a equipe de finanças do filme Hamnet, indicado em oito categorias ao Oscar 2026. Radicado em Londres, o profissional acumula participação em 13 longas-metragens e projetos ligados a grandes estúdios internacionais. Paralelamente, desenvolve obras autorais e videoclipes, mantendo conexão direta com a Bahia e projetando dirigir seu primeiro longa-metragem nos próximos anos.


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