O senador Angelo Coronel (BA) oficializou nesta terça-feira (17/03/2026) sua desfiliação do PSD e filiação ao Republicanos em cerimônia realizada em Brasília, marcando uma inflexão relevante em sua trajetória política e inaugurando um movimento estratégico voltado à disputa pela reeleição ao Senado Federal em 2026. O ato reuniu o presidente nacional da legenda, deputado Marcos Pereira (SP), o presidente estadual Márcio Marinho (BA), além de dirigentes partidários e lideranças políticas.
A filiação também incluiu o deputado federal Diego Coronel e o deputado estadual Angelo Coronel Filho, filhos do senador, ampliando o alcance da movimentação no plano familiar e institucional. A mudança ocorre em meio à reorganização das forças políticas na Bahia e indica um reposicionamento claro diante da disputa majoritária que se aproxima.
Republicanos amplia bancada e reforça presença no Senado
Com a entrada de Angelo Coronel, o Republicanos passa a contar com seis senadores em sua bancada, ampliando sua capacidade de articulação no Congresso Nacional. Integram o grupo:
- Alan Rick (AC), líder do partido no Senado
- Damares Alves (DF)
- Cleitinho (MG)
- Hamilton Mourão (RS)
- Roberta Acioly (RR)
O crescimento da bancada reforça a estratégia nacional do partido de consolidar presença no Legislativo, especialmente em um cenário de fragmentação partidária e disputas por protagonismo político.
Estratégia eleitoral mira reeleição em 2026
A mudança partidária de Angelo Coronel está diretamente associada ao objetivo de viabilizar sua reeleição ao Senado em 2026, quando estarão em disputa duas vagas pela Bahia. O novo posicionamento indica a busca por uma alternativa fora do bloco governista, diante da configuração já delineada no grupo liderado pelo governador Jerônimo Rodrigues.
No campo governista, a tendência é a formação de uma chapa com os ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa como candidatos ao Senado, o que reduziu o espaço político de Coronel dentro da aliança. A filiação ao Republicanos, nesse contexto, representa uma tentativa de manter competitividade eleitoral em outro campo político.
Disputa também se projeta no campo oposicionista
A movimentação, no entanto, não elimina obstáculos. Ao deixar a base governista, Angelo Coronel passa a disputar espaço também no campo liderado por ACM Neto (União Brasil), que já sinalizou sua pré-candidatura ao governo da Bahia.
Nesse mesmo grupo, foi anunciada a pré-candidatura ao Senado do ex-ministro João Roma, o que tende a intensificar a concorrência interna por uma das vagas. O cenário desenha uma disputa complexa, com múltiplos polos de poder e forte densidade política.
Fortalecimento do Republicanos na Bahia
A chegada de Angelo Coronel é tratada como estratégica pelo Republicanos, que busca ampliar sua presença na Bahia, um dos maiores colégios eleitorais do país. O senador indicou que pretende liderar um processo de expansão partidária, com mobilização de bases e novas filiações.
O presidente estadual da sigla, Márcio Marinho, destacou que a entrada do parlamentar fortalece a estrutura política do partido e amplia sua competitividade nas eleições futuras.
Trajetória política e atuação no Congresso
Angelo Mário Coronel de Azevedo Martins nasceu em 3 de maio de 1958, em Coração de Maria (BA). Engenheiro civil e empresário, exerce seu primeiro mandato como senador.
No Congresso, presidiu a CPMI das Fake News, comissão que investigou o uso de desinformação e mecanismos digitais em campanhas políticas. Sua atuação inclui ainda passagens pela política estadual, com destaque na Assembleia Legislativa da Bahia.
Reconfiguração política e rearranjo de forças
A filiação ao Republicanos ocorre em um momento de reconfiguração das alianças políticas na Bahia, tradicionalmente estruturadas em torno de blocos liderados por partidos como o PT e o PSD. A saída de Coronel altera, ainda que de forma pontual, a dinâmica desses agrupamentos.
A movimentação também reforça a tendência de reorganização partidária diante das eleições de 2026, com lideranças buscando novas posições estratégicas para manter viabilidade eleitoral.
Reeleição, reposicionamento e acomodação de forças
A filiação de Angelo Coronel ao Republicanos deve ser compreendida como um movimento orientado pela disputa direta pela reeleição ao Senado em 2026, em um cenário de elevada concorrência. Com duas vagas em disputa, o senador enfrentará um campo governista já estruturado, com Jaques Wagner e Rui Costa como nomes prioritários dentro do grupo liderado por Jerônimo Rodrigues.
Ao mesmo tempo, Coronel passa a disputar espaço no campo oposicionista, onde o grupo liderado por ACM Neto já projeta a candidatura do ex-ministro João Roma ao Senado. Trata-se, portanto, de uma reposição estratégica que o retira de um ambiente onde perdeu centralidade, mas o insere em outro igualmente competitivo.
O aspecto mais relevante, contudo, reside no efeito interno sobre o bloco governista. A saída de Angelo Coronel tende a reduzir atritos dentro do grupo político que busca manter o ciclo de poder iniciado na Bahia com a eleição de Jaques Wagner em 2006, em consonância com o projeto nacional inaugurado por Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. Ao eliminar uma disputa interna pela chapa majoritária, o grupo governista ganha maior coesão estratégica, ainda que perca um quadro experiente e com densidade eleitoral própria.








Deixe um comentário