Dados consolidados do Boletim de Conjuntura Agropecuária (BCAB), divulgado na quarta-feira (22/04/2026) pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia em parceria com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura, revelam que a agropecuária foi o principal motor do crescimento econômico da Bahia no quarto trimestre de 2025, ao registrar expansão de 12,4%, índice significativamente superior ao avanço de 2,3% do PIB estadual no mesmo período. O levantamento reúne dados de produção, exportação, crédito e emprego, consolidando um panorama abrangente do desempenho do setor.
Desempenho econômico e estrutura do agronegócio
O boletim indica que o Valor Bruto da Produção (VBP) da agropecuária baiana atingiu R$ 4,9 bilhões entre outubro e dezembro de 2025, sendo R$ 2,5 bilhões oriundos da agricultura e R$ 2,4 bilhões da pecuária. Os dados foram compilados com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e da Companhia Nacional de Abastecimento.
O agronegócio como um todo movimentou R$ 24,1 bilhões no trimestre, o equivalente a 18,5% da atividade econômica do estado, com crescimento de 1,9%. A cadeia ampliada — que inclui transporte, comércio e serviços — respondeu por 59,7% da composição do setor, evidenciando o peso estrutural das atividades indiretas no desempenho econômico.
Pecuária em expansão e preços sustentados
Na pecuária, o crescimento foi sustentado tanto pela demanda interna quanto pelas exportações. O abate de bovinos alcançou 372 mil cabeças, alta de 3,1% em relação ao mesmo período de 2024.
Outros segmentos também apresentaram desempenho positivo:
- Suínos: 79 mil cabeças (+0,4%)
- Frangos: 35 milhões de cabeças (+1,8%)
- Leite: 155 milhões de litros (+4,4%)
- Ovos: 23 milhões de dúzias
A valorização da arroba, oscilando entre R$ 285 e R$ 330, reforçou a rentabilidade do segmento, consolidando a pecuária como vetor relevante de crescimento no período.
Safra recorde e avanço da produção agrícola
O desempenho agrícola foi impulsionado por uma safra recorde de grãos, favorecida por condições climáticas positivas. A produção de cereais, oleaginosas e leguminosas superou 12,8 milhões de toneladas, crescimento de 12,8% frente a 2024.
Principais culturas
- Soja: 8,6 milhões de toneladas (+14,3%)
- Milho: 2,74 milhões de toneladas (+18,2%)
- Algodão: 1,79 milhão de toneladas (+1,4%)
- Café: 262 mil toneladas (+5,1%)
- Cacau: 119 mil toneladas (+7%)
A soja manteve a liderança, beneficiada pela expansão da área plantada (2,14 milhões de hectares) e ganhos de produtividade. O cacau, por sua vez, foi impulsionado pela demanda internacional aquecida e restrições de oferta global, em parte associadas a efeitos climáticos como o El Niño.
Na fruticultura, destacaram-se:
- Uva: crescimento de 84,4%
- Banana: 906 mil toneladas (+4,8%)
- Laranja: 632 mil toneladas (+0,3%)
Exportações recordes e inserção internacional
O agronegócio baiano atingiu, em 2025, o maior valor de exportações da série histórica, totalizando US$ 6,72 bilhões, com crescimento de 0,5%.
A China permaneceu como principal destino, absorvendo 66,2% das exportações de soja e derivados. O algodão apresentou forte desempenho, com alta de 26,5% na receita, impulsionado pelo aumento de 40,2% no volume exportado para mercados asiáticos.
O segmento de carnes registrou expansão expressiva:
- Receita: +120,3%
- Volume exportado: +73,9%
A carne bovina teve crescimento de 53,5% nas vendas externas, com destaque para destinos como China, Estados Unidos, Países Baixos, Bangladesh e Índia.
Crédito rural e concentração regional
O Plano Safra 2025/2026 destinou R$ 2,084 bilhões em crédito rural à Bahia no último trimestre, segundo dados do Banco Central.
Distribuição dos recursos:
- Custeio: R$ 1,362 bilhão
- Investimento: R$ 557,7 milhões
- Comercialização: R$ 117,5 milhões
- Industrialização: R$ 47 milhões
Quatro territórios concentraram 70% dos recursos:
- Bacia do Rio Grande
- Bacia do Rio Corrente
- Extremo Sul
- Costa do Descobrimento
A agricultura empresarial respondeu por mais de 74% do crédito, com destaque para soja, café, algodão e milho. Na pecuária, a bovinocultura concentrou 78% dos financiamentos do segmento.







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