A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri) promoveu na terça-feira (07/04/2026) uma reunião para avançar no processo de reconhecimento da Indicação Geográfica (IG) da pluma de algodão branco produzida no Oeste baiano, considerada singular no país devido às características do solo e às técnicas produtivas consolidadas na região. O encontro reuniu representantes do governo estadual, produtores e instituições técnicas, com o objetivo de estruturar as etapas necessárias para obtenção do selo, que pode ampliar a competitividade e agregar valor ao produto no mercado nacional e internacional.
A reunião marcou mais um passo no processo de consolidação da IG, que busca reconhecer formalmente a origem, qualidade e identidade do algodão do Oeste da Bahia. A tonalidade branca da pluma, destacada como diferencial competitivo, está diretamente associada às condições edafoclimáticas da região, combinadas ao uso de tecnologias como mecanização agrícola, irrigação e controle sanitário.
O secretário estadual da Agricultura, Vivaldo Góis, ressaltou a importância da articulação entre o poder público e os produtores. Segundo ele, a iniciativa transcende o reconhecimento técnico e representa um instrumento de fortalecimento econômico. A Seagri atua como coordenadora do Fórum Baiano de Indicação Geográfica e Marcas Coletivas, responsável por impulsionar projetos semelhantes no estado.
De acordo com a pasta, a certificação pode ampliar a visibilidade do algodão baiano e consolidar sua reputação em mercados mais exigentes, onde a rastreabilidade e a procedência são fatores determinantes para a comercialização.
Etapas técnicas e potencial de expansão na Bahia
Durante o encontro, a chefe da Unidade Regional do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), Viviane Almeida, apresentou os critérios e etapas exigidos para o reconhecimento da IG. O processo envolve a delimitação da área geográfica, a comprovação da relação entre o produto e o território e a organização dos produtores em entidade representativa.
A Bahia apresenta um cenário favorável para expansão dessas certificações. Segundo o INPI, o estado possui potencial para alcançar até 50 registros de Indicação Geográfica, consolidando-se como referência nacional nesse tipo de reconhecimento. Atualmente, já existem oito IGs registradas, incluindo produtos como a banana de Bom Jesus da Lapa e o café do Oeste baiano.
A especialista destacou que o selo não apenas valoriza o produto, mas também estabelece um mecanismo de proteção jurídica. Com a certificação, apenas produtores da área delimitada poderão utilizar a denominação “Oeste da Bahia”, garantindo autenticidade e evitando o uso indevido da marca.
Impactos econômicos e desenvolvimento regional
Além do ganho comercial direto, a obtenção da IG tende a gerar efeitos estruturais sobre a economia regional. O reconhecimento pode impulsionar cadeias produtivas associadas, fortalecer a identidade territorial e ampliar oportunidades de negócios.
Entre os principais impactos esperados, destacam-se:
- Valorização do produto no mercado interno e externo
- Aumento da renda dos produtores
- Estímulo ao turismo rural e gastronômico
- Fortalecimento da imagem da região como polo agrícola
A certificação também pode incentivar práticas produtivas mais padronizadas, elevando o nível de qualidade e promovendo maior organização entre os produtores.
Participaram da reunião representantes técnicos da Seagri, da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) e do INPI, reforçando a integração institucional em torno da proposta.
Articulação produtiva e governança do setor
A presença de entidades representativas do setor agrícola evidencia o grau de maturidade organizacional da cadeia do algodão na Bahia. A atuação conjunta entre produtores e instituições públicas é considerada um dos fatores decisivos para o sucesso de processos de certificação como a IG.
A governança compartilhada permite alinhar interesses, padronizar práticas e garantir o cumprimento dos requisitos técnicos exigidos pelo INPI. Esse modelo tem sido adotado em outras regiões do país com resultados positivos na valorização de produtos agrícolas.
No caso do Oeste baiano, a articulação entre Abapa, Aiba e órgãos governamentais indica um ambiente institucional favorável à consolidação da IG, com potencial para gerar ganhos sustentáveis no médio e longo prazo.








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