Bahia apresenta novo modelo para reduzir filas e reorganizar atendimento especializado no SUS, diz secretária Roberta Santana

Em Salvador, neste domingo (26/04/2026), a secretária estadual da Saúde, Roberta Santana, apresentou a gestores municipais e representantes do setor público uma nova estratégia para reorganizar a atenção especializada no Sistema Único de Saúde (SUS), durante a abertura do 12º Congresso do Cosems Bahia. A proposta busca enfrentar a demanda reprimida por meio da integração entre atenção primária, diagnóstico, consultas, cirurgias e acompanhamento, com o objetivo de reduzir o tempo de espera e melhorar a continuidade do cuidado. O modelo parte do princípio de que o problema vai além das filas e envolve falhas estruturais no percurso assistencial.

Novo paradigma: da fila ao cuidado integral

Com o tema “O novo paradigma da Atenção Especializada na Bahia: da fila ao cuidado integral”, a apresentação destacou a necessidade de reorganizar o fluxo de atendimento no sistema público. Segundo a secretária, a demanda reprimida se forma antes mesmo da entrada do paciente em listas de انتظار, resultado de atrasos em diagnósticos, falhas no acompanhamento e ausência de integração entre os serviços.

A proposta central é substituir a lógica fragmentada por uma rede coordenada, capaz de garantir referência e contrarreferência entre os níveis de atenção, evitando a chamada “peregrinação” dos pacientes entre unidades. A estratégia enfatiza a continuidade do cuidado como elemento essencial para a eficiência do sistema.

Nesse contexto, a atenção primária é tratada como eixo estruturante, responsável por organizar o acesso e orientar o fluxo dentro da rede. A articulação entre municípios, Estado e União aparece como condição indispensável para a efetividade do modelo.

Expansão da rede e investimentos estruturais

Para sustentar a proposta, o governo estadual apresentou dados de ampliação da rede de saúde entre 2023 e 2026. No período, foram investidos R$ 39,02 bilhões, com a entrega de 13 novos hospitais e a abertura de mais de 5.500 leitos.

As 26 policlínicas regionais em funcionamento já acumulam 9,7 milhões de atendimentos, abrangendo 416 municípios consorciados e alcançando 80,86% da população baiana. Outras sete unidades estão em implantação em cidades estratégicas, como Feira de Santana, Camaçari e Seabra.

O programa Agora Tem Especialistas adiciona R$ 100 milhões para ampliar a oferta de serviços, incluindo funcionamento estendido e atendimento em finais de semana. Na área cirúrgica, foram realizados 720 mil procedimentos eletivos em 124 unidades credenciadas, com interiorização da oferta.

Indicadores de atendimento e avanços tecnológicos

A apresentação também destacou ações complementares que reforçam a estrutura do sistema:

  • R$ 586 milhões anuais em cofinanciamentos
  • 1 milhão de atendimentos em feiras de saúde
  • 529 mil mamografias de rastreio
  • 476 mil atendimentos de saúde bucal em escolas

Na oncologia, houve a criação de quatro novas Unacons e ampliação de outras três, com 14 aceleradores lineares em operação e previsão de chegar a 25 até o fim de 2026. Na cardiologia, o estado conta com 11 unidades de hemodinâmica ativas, além de sete em implantação.

No campo digital, o investimento de R$ 200 milhões viabilizou a implantação de um prontuário eletrônico integrado, já presente em 38 unidades, reunindo cerca de 260 milhões de dados e operando com 381 painéis de inteligência analítica (BI).

Congresso reforça integração entre entes federativos

O evento reuniu cerca de 1.500 participantes e registrou 563 experiências exitosas inscritas, consolidando-se como espaço de articulação entre gestores e profissionais de saúde.

A presidente do Cosems Bahia, Stela Souza, destacou que o avanço da atenção especializada depende diretamente do fortalecimento da atenção básica e da cooperação entre os entes federativos.

Representando o Ministério da Saúde, o secretário de Atenção Especializada, Mozart Sales, reforçou a necessidade de melhor aproveitamento da capacidade instalada nas redes pública, filantrópica e privada contratualizada, apontando a Bahia como referência na articulação regional.

A secretária Roberta Santana concluiu afirmando que a integração entre Estado, municípios e União é determinante para transformar o acesso à saúde, com base em planejamento, financiamento e uso de dados.

A Bahia apresentou um novo modelo de organização da atenção especializada no SUS, focado na integração entre serviços e na continuidade do cuidado. Com investimentos superiores a R$ 39 bilhões, expansão da rede hospitalar, policlínicas e digitalização, a estratégia busca reduzir a demanda reprimida. O êxito do modelo dependerá da cooperação federativa, da capacidade de execução nos municípios e da consolidação de sistemas integrados de gestão.


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