Quinta-feira, 02/04/2026 — No Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007, dados inéditos do Censo Demográfico 2022 revelam o perfil da população diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na Bahia, evidenciando desafios estruturais relacionados à educação, inclusão social e acesso a direitos.
Pela primeira vez, o levantamento censitário incluiu informações específicas sobre o autismo, permitindo dimensionar a presença do transtorno na sociedade brasileira. Na Bahia, 144.928 pessoas foram identificadas com diagnóstico de TEA, o que posiciona o estado como o quarto maior contingente do país, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Dimensão do autismo na Bahia e no Brasil
O contingente de pessoas com autismo na Bahia corresponde a 1,0% da população estadual, percentual que coloca o estado entre os menores índices proporcionais do país, empatado com o Tocantins. Em âmbito nacional, o Censo registrou 2.405.337 pessoas com diagnóstico de TEA, equivalentes a 1,2% da população brasileira.
A presença do transtorno foi identificada em todos os 417 municípios baianos, demonstrando capilaridade territorial do diagnóstico. Em números absolutos, Salvador concentra o maior contingente, com 28.915 pessoas, o sexto maior entre todas as cidades brasileiras, representando 1,2% da população da capital.
Na sequência, destacam-se Feira de Santana (6.555 pessoas) e Vitória da Conquista (3.686). Já em termos proporcionais, os maiores índices foram registrados em Mirante (2,6%), Capim Grosso (2,2%) e Morpará (1,9%), acima da média estadual.
Perfil demográfico: predominância masculina e concentração em jovens
Os dados revelam uma predominância masculina entre as pessoas diagnosticadas com autismo na Bahia. Em 2022, 59,4% dos casos eram de homens (86.126 pessoas), enquanto as mulheres representavam 40,6% (58.802).
A distribuição etária indica concentração relevante nas faixas mais jovens. Crianças e adolescentes de até 14 anos correspondiam a 34,4% do total, o equivalente a 49.920 pessoas. Esse dado reforça a necessidade de políticas públicas voltadas ao diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo.
A presença significativa de jovens com TEA também evidencia a importância de estruturas educacionais adaptadas, capazes de absorver essa demanda com qualidade e inclusão efetiva.
Educação: desigualdade no acesso e permanência escolar
O Censo 2022 aponta diferenças expressivas na frequência escolar entre pessoas com e sem diagnóstico de autismo na Bahia. Na faixa etária de 6 a 14 anos, enquanto 98,4% da população em geral estavam na escola, entre os autistas esse percentual caía para 93,1%.
A disparidade se amplia na adolescência. Entre jovens de 15 a 17 anos, 85,8% da população geral frequentava a escola, frente a apenas 71,9% das pessoas com autismo. Os números indicam dificuldades de permanência no sistema educacional, sobretudo nas etapas mais avançadas.
Como consequência, a escolaridade média da população adulta com TEA é inferior. Entre pessoas com 25 anos ou mais, 60,2% não tinham instrução ou não haviam concluído o ensino fundamental, percentual significativamente superior ao observado na população geral (44,4%).
Distribuição territorial e desigualdades regionais
A análise territorial revela um quadro heterogêneo. Enquanto grandes centros urbanos concentram os maiores números absolutos, municípios menores apresentam proporções mais elevadas de pessoas diagnosticadas, o que pode refletir tanto variações no acesso ao diagnóstico quanto diferenças populacionais.
A universalização da presença do TEA nos municípios baianos reforça a necessidade de políticas públicas descentralizadas, com estrutura adequada de saúde, educação e assistência social em todas as regiões.
Além disso, os dados sugerem a existência de desigualdades no acesso ao diagnóstico e aos serviços especializados, especialmente fora dos grandes centros urbanos, onde a rede de atendimento tende a ser mais limitada.








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