No contexto do Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado nesta quinta-feira (02/04/2026), dados do Censo Demográfico 2022 apontam que Feira de Santana possui 6.555 pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), configurando-se como o segundo maior contingente da Bahia e um dos principais polos urbanos do interior nordestino em termos absolutos.
O levantamento, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), traz pela primeira vez uma mensuração detalhada da população com autismo no país. Em Feira de Santana, os números refletem tanto a densidade populacional do município quanto a crescente capacidade de identificação e diagnóstico do transtorno.
Feira de Santana entre os maiores contingentes da Bahia
Com 6.555 pessoas diagnosticadas com autismo, Feira de Santana ocupa a segunda posição no ranking estadual, atrás apenas de Salvador, que concentra 28.915 casos. O município supera cidades de porte relevante, como Vitória da Conquista, consolidando-se como referência regional em volume populacional com TEA.
Esse posicionamento está diretamente relacionado ao papel estratégico de Feira de Santana como centro econômico, logístico e de serviços do interior baiano, o que tende a ampliar a demanda por atendimento especializado nas áreas de saúde, educação e assistência social.
A presença expressiva de pessoas com autismo no município reforça a necessidade de planejamento urbano e social orientado por dados, com foco na ampliação de serviços públicos e na estruturação de redes de apoio adequadas.
Perfil demográfico e concentração em jovens
Embora o Censo não detalhe recortes exclusivos por município em todas as variáveis, a tendência observada na Bahia indica que, em Feira de Santana, há também predominância masculina entre os diagnósticos, além de significativa presença de crianças e adolescentes.
No contexto estadual, 59,4% das pessoas com autismo são homens, enquanto 34,4% têm até 14 anos, o que sugere que o município acompanha padrão semelhante. Essa configuração demográfica impõe desafios específicos, especialmente no campo educacional e na formulação de políticas públicas voltadas à infância.
A concentração em faixas etárias mais jovens evidencia a importância de diagnóstico precoce, acompanhamento contínuo e integração entre saúde e educação, elementos fundamentais para o desenvolvimento e a inclusão social.
Educação e inclusão: desafios persistentes no município
Os dados do Censo 2022 revelam que pessoas com autismo enfrentam maiores dificuldades de acesso e permanência na escola, realidade que tende a se reproduzir em Feira de Santana.
Na Bahia, 93,1% das crianças com TEA entre 6 e 14 anos frequentavam a escola, contra 98,4% da população geral. Entre adolescentes de 15 a 17 anos, a diferença é ainda mais significativa: 71,9% dos autistas estavam na escola, frente a 85,8% no conjunto da população.
Esse cenário indica a existência de barreiras estruturais no sistema educacional, como falta de profissionais especializados, ausência de adaptações pedagógicas e limitações na infraestrutura escolar, fatores que impactam diretamente a trajetória educacional de pessoas com autismo.
Impactos na formação e no mercado de trabalho
As dificuldades no percurso educacional refletem-se na formação da população adulta com TEA. Na Bahia, 60,2% das pessoas com 25 anos ou mais não concluíram o ensino fundamental ou não possuem instrução, percentual superior ao da população geral.
Em Feira de Santana, esse quadro tende a gerar restrições no acesso ao mercado de trabalho formal, ampliando a dependência de políticas assistenciais e dificultando a inclusão produtiva.
A ausência de qualificação educacional adequada compromete não apenas a autonomia individual, mas também a capacidade de inserção social plena, reforçando a necessidade de políticas integradas de educação, capacitação e empregabilidade.









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