BOPE localiza e neutraliza “Maquinista”, apontado como mandante do assassinato de Mãe Bernadete na Bahia

Na quinta-feira (16/04/2026), equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da Polícia Militar da Bahia localizaram, na zona rural do município de Catu, o foragido Marílio dos Santos, conhecido como “Maquinista”, classificado como “Ás de Ouros” no Baralho do Crime da Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) e apontado como responsável pelo assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete. Durante a operação, houve confronto armado, o suspeito foi atingido, socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. A ocorrência segue sob apuração das autoridades.

De acordo com informações da Secretaria da Segurança Pública da Bahia, o alvo foi localizado após ações de inteligência que indicaram sua presença na região rural de Catu. No momento da tentativa de cumprimento do mandado de prisão, o suspeito reagiu com disparos contra os policiais.

As equipes do BOPE revidaram à agressão, resultando no ferimento de Marílio dos Santos. Ele foi socorrido ainda no local, mas não sobreviveu. Com o suspeito, foram apreendidos arma de fogo e munições, que serão periciadas.

A SSP informou que a operação integra esforços contínuos para captura de criminosos listados no Baralho do Crime, ferramenta utilizada para divulgar foragidos de alta periculosidade no estado.

Condenação judicial e situação de foragido

Na terça-feira (14/04/2026), Marílio dos Santos havia sido condenado a 29 anos e 9 meses de prisão em regime fechado. Mesmo na condição de foragido, a Justiça determinou a realização do júri popular, uma vez que o acusado possuía defesa constituída.

O caso evidencia uma prática recorrente no sistema judicial brasileiro, em que julgamentos podem ocorrer à revelia quando há representação legal do réu. A condenação consolidou a responsabilização do acusado pelo homicídio qualificado.

A continuidade da execução penal, contudo, dependia da efetiva captura do condenado, o que motivou a intensificação das operações policiais.

Assassinato de Mãe Bernadete e repercussão

A líder quilombola Mãe Bernadete foi assassinada em agosto de 2023, no quilombo Pitanga dos Palmares, localizado em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. O crime teve ampla repercussão nacional e internacional, sobretudo pelo histórico de atuação da vítima na defesa de direitos territoriais e sociais.

As investigações apontaram Marílio dos Santos como mandante do crime. Outro envolvido, Arielson da Conceição dos Santos, identificado como executor, foi condenado a 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão em regime fechado, além de multa.

O caso passou a ser tratado como emblemático no enfrentamento à violência contra lideranças comunitárias e tradicionais na Bahia.

Baralho do Crime e estratégia de segurança pública

O “Baralho do Crime” da SSP-BA é uma estratégia consolidada de comunicação e inteligência policial, que divulga os criminosos mais procurados do estado por meio de cartas simbólicas, inspiradas em um baralho convencional.

Marílio dos Santos ocupava a carta de “Ás de Ouros”, uma das posições de maior destaque na lista, indicando alta periculosidade e prioridade de captura.

A utilização desse instrumento tem como objetivo ampliar a colaboração da sociedade e direcionar ações policiais estratégicas, sobretudo em casos de maior complexidade e repercussão.

Governo reforça compromisso com direitos humanos após condenações

O Governo do Estado da Bahia acompanhou, na terça-feira (14/04/2026), a decisão do Tribunal do Júri que condenou os executores do assassinato de Mãe Bernadete, destacando o caso como resultado de um trabalho integrado de investigação conduzido pela Secretaria da Segurança Pública.

Segundo o Executivo estadual, o desfecho do julgamento reafirma o compromisso institucional com o enfrentamento à violência contra defensores de direitos humanos e comunidades tradicionais. As condenações foram sustentadas por um conjunto de provas técnicas reunidas no inquérito concluído pela Polícia Civil em novembro de 2025.

O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, afirmou que a decisão judicial representa uma resposta consistente do Estado. “A justiça foi feita com base em um conjunto probatório consistente, resultado de um trabalho articulado das instituições. É uma resposta clara em defesa da vida e dos direitos humanos”, declarou.

Proteção institucional e atuação integrada

Desde o assassinato da liderança quilombola, o governo estadual mantém acompanhamento contínuo do caso por meio do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH).

A iniciativa envolve monitoramento permanente, articulação com órgãos do sistema de justiça e adoção de medidas protetivas baseadas em análise de risco. Em cooperação com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), o programa também presta assistência às famílias e amplia a presença institucional em territórios vulneráveis.

A estratégia busca não apenas proteger indivíduos sob ameaça, mas também fortalecer a atuação de comunidades tradicionais, com foco na prevenção de novos episódios de violência.

Reparação, memória e políticas públicas

Como parte das medidas adotadas após o crime, o Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos e da Procuradoria Geral do Estado, efetivou um acordo de reparação extrajudicial aos familiares da vítima.

A medida, considerada inédita, evitou a judicialização prolongada e estabeleceu um reconhecimento formal da responsabilidade estatal no amparo aos herdeiros de Mãe Bernadete.

No campo simbólico, será realizado no domingo (19/04/2026) o “Ato em Memória de Mãe Bernadete”, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. A iniciativa integra as ações de memória e reafirma o compromisso com a preservação histórica e a dignidade das comunidades quilombolas.

Legado e fortalecimento institucional

A trajetória de Mãe Bernadete consolidou-se como referência na luta por direitos territoriais e reconhecimento das comunidades tradicionais na Bahia. Sua morte impulsionou o fortalecimento de políticas públicas voltadas à proteção de lideranças sociais.

Com a condenação dos executores e a atuação integrada das instituições, o Estado busca consolidar mecanismos de enfrentamento à violência e à impunidade, associando repressão qualificada, políticas de proteção e ações de reparação.


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