Bradesco e Itaú confirmam aquisição de carteiras do BRB com crédito a estados e municípios

Na quinta-feira (16/04/2026), o Bradesco (BBDC4) confirmou ao mercado que, em conjunto com o Itaú Unibanco (ITUB4), está adquirindo carteiras de empréstimos concedidos pelo Banco de Brasília (BRB) a estados e municípios, operação que ocorre após questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre reportagem que mencionava um volume aproximado de R$ 1 bilhão. Segundo as instituições, embora a transação exista, o montante é inferior ao divulgado e não possui materialidade suficiente para ser classificado como fato relevante.

O comunicado do Bradesco indica que a operação ocorre por meio de um consórcio com participação igualitária (50% para cada banco). A aquisição envolve ativos de crédito já concedidos pelo BRB, especialmente operações destinadas a entes subnacionais — estados e municípios — frequentemente respaldadas por garantias institucionais, como aval da União.

A manifestação foi uma resposta direta à CVM, que solicitou esclarecimentos após reportagem do Correio Braziliense apontar negociações que poderiam atingir cerca de R$ 1 bilhão em carteiras de crédito público. O Bradesco, no entanto, destacou que o valor efetivamente negociado é inferior ao citado.

O Itaú Unibanco, por sua vez, também confirmou a operação em documento protocolado junto à CVM, afirmando que suas subsidiárias assumiram compromisso de aquisição de determinados ativos do BRB, condicionados ao cumprimento de requisitos contratuais previamente estabelecidos.

Natureza dos ativos e relevância financeira

As carteiras em questão são compostas por empréstimos a entes federativos, um segmento tradicionalmente considerado de baixo risco relativo, especialmente quando há garantias federais envolvidas. Esse tipo de ativo costuma ser atrativo para grandes instituições financeiras, por combinar previsibilidade de fluxo e menor inadimplência histórica.

Apesar disso, o Itaú destacou que, sob seus critérios internos, os valores envolvidos na operação são imateriais, motivo pelo qual a transação não se enquadra como fato relevante — categoria regulatória que exige divulgação mais ampla ao mercado.

Esse enquadramento indica que, embora relevante do ponto de vista estratégico, a operação não altera significativamente a posição financeira ou os resultados projetados das instituições envolvidas.

Contexto do mercado e movimentações recentes

A negociação ocorre em um momento de maior atenção regulatória sobre operações envolvendo ativos públicos e instituições financeiras regionais. O BRB, banco estatal do Distrito Federal, tem ampliado sua atuação nos últimos anos, inclusive com operações de crédito estruturadas para entes públicos.

A venda de carteiras pode ser interpretada como parte de uma estratégia de gestão de ativos e liquidez, permitindo ao banco liberar capital e reduzir exposição a determinados segmentos, ao mesmo tempo em que grandes bancos privados ampliam sua presença em carteiras com perfil conservador.

Além disso, a atuação da CVM evidencia o papel da autarquia na supervisão da transparência informacional, especialmente diante de reportagens que possam influenciar a percepção do mercado sobre operações relevantes.


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