O arcebispo metropolitano Dom Zanoni Demettino Castro destacou no domingo (12/04/2026), em Feira de Santana, a liberdade religiosa como um direito humano fundamental, durante o I Simpósio de Liberdade Religiosa, que reuniu lideranças de diferentes credos, autoridades e representantes da sociedade civil para debater o tema e promover o diálogo inter-religioso.
O encontro foi promovido pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em parceria com a J. Reuben Clark Law Society, tendo como eixo central o tema “Liberdade Religiosa como Direito Humano Fundamental”. A proposta foi estimular reflexões sobre o respeito às crenças, a convivência pacífica e o papel das religiões na construção de uma sociedade mais equilibrada.
A presença de diferentes tradições religiosas reforçou o caráter plural do evento, que buscou consolidar o diálogo como instrumento de convivência. A iniciativa também evidenciou a crescente relevância do tema em contextos marcados por diversidade cultural e tensões sociais.
Durante o simpósio, os participantes discutiram a importância de garantir o exercício pleno da fé, tanto na esfera individual quanto coletiva, como condição indispensável para a preservação de direitos fundamentais.
Liberdade religiosa como direito natural e civil
Em sua exposição, Dom Zanoni afirmou que a liberdade religiosa constitui um dos pilares mais profundos dos direitos humanos, sendo um direito natural inerente à pessoa humana, que deve ser igualmente protegido no âmbito jurídico e institucional.
Segundo o arcebispo, esse direito se caracteriza pela imunidade de coação, ou seja, ninguém pode ser obrigado a agir contra a própria consciência nem impedido de agir conforme suas convicções. A afirmação reforça a dimensão individual da liberdade religiosa como expressão da dignidade humana.
O religioso também destacou que a fé, por sua natureza, exige liberdade. Para ele, a adesão religiosa só possui autenticidade quando resulta de uma decisão livre, afastando qualquer forma de imposição externa.
Dimensão comunitária e papel do Estado
Outro ponto central abordado foi a dimensão coletiva da liberdade religiosa. Dom Zanoni ressaltou que não apenas indivíduos, mas também comunidades religiosas possuem direitos, incluindo a realização pública de cultos, a formação de ministros e a participação na vida social.
Nesse contexto, o arcebispo enfatizou a responsabilidade do Estado na garantia desse direito. Segundo ele, cabe ao poder público assegurar igualdade jurídica entre crenças e impedir práticas discriminatórias.
Ele também advertiu que o Estado ultrapassa seus limites quando tenta impor práticas religiosas ou restringir sua manifestação legítima, o que comprometeria a própria base dos direitos fundamentais.
Desafios contemporâneos e promoção do diálogo
Ao abordar o cenário atual, Dom Zanoni destacou que o mundo contemporâneo é marcado simultaneamente pela diversidade religiosa e por tensões sociais, o que exige усили esforços de convivência e respeito mútuo.
Para o arcebispo, o caminho passa pela educação para o respeito, pelo fortalecimento do diálogo e pelo reconhecimento do outro como sujeito de direitos e buscador de sentido para a vida.
Ele também afirmou que, quando vividas de forma autêntica, as religiões desempenham papel relevante na promoção da fraternidade, da justiça e da paz, contribuindo para o desenvolvimento social.
Liberdade religiosa como base dos demais direitos
Ao concluir sua participação, Dom Zanoni definiu a liberdade religiosa como “o oxigênio dos demais direitos humanos”, destacando que sua proteção favorece o desenvolvimento integral da pessoa e das sociedades.
A Arquidiocese de Feira de Santana reiterou, por meio do evento, seu compromisso com o diálogo inter-religioso e com a defesa da liberdade religiosa como um direito essencial, especialmente em contextos de pluralidade cultural e desafios institucionais.









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