O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou, na quarta-feira (08/04/2026), que recebeu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a orientação para atuar de forma técnica e sem “pirotecnia” na condução do caso envolvendo o Banco Master. A declaração foi feita durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado.
Segundo Galípolo, a recomendação foi para que o Banco Central tivesse autonomia para investigar qualquer instituição, mantendo critérios técnicos e evitando exposição desnecessária.
O dirigente também detalhou reuniões e decisões que antecederam a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro de 2025.
Reunião no Planalto e contexto do Banco Master
Galípolo informou que participou, em dezembro de 2024, de uma reunião no Palácio do Planalto para tratar da situação do Banco Master, que já enfrentava problemas de liquidez e dificuldades de captação.
Estiveram presentes representantes do banco, ministros e integrantes do governo federal, além do próprio presidente da República.
De acordo com o presidente do Banco Central, durante o encontro foram apresentadas alegações de que a instituição enfrentava resistência do mercado financeiro, hipótese que ele considerou não compatível com o porte do banco.
Liquidação extrajudicial e situação financeira
O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master após identificar insuficiência de recursos para honrar compromissos imediatos.
Segundo Galípolo, no momento da decisão, o banco possuía apenas 10% do valor necessário para quitar Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com vencimento no mesmo dia.
A instituição havia registrado crescimento ao oferecer CDBs com rentabilidade acima da média, o que, conforme investigações, levou à assunção de riscos elevados e fragilidade na liquidez.
Sigilo de oito anos segue norma interna
Durante o depoimento, Galípolo também abordou o sigilo de oito anos aplicado aos documentos da liquidação, esclarecendo que a medida segue norma interna vigente desde 2018.
Segundo ele, a regra estabelece prazo de oito anos para bancos menores e dez anos para instituições de maior porte, substituindo o padrão anterior de dez anos para todos os casos.
O presidente do Banco Central destacou que todas as decisões recentes seguem esse padrão, sem exceções.
Justificativa para padronização das decisões
De acordo com Galípolo, a manutenção do sigilo e o cumprimento rigoroso das normas têm como objetivo evitar questionamentos judiciais sobre processos de liquidação.
Ele citou que o Banco Central e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) enfrentam atualmente ações judiciais relacionadas a liquidações ocorridas há décadas, com pedidos de indenização.
A padronização das decisões busca garantir segurança jurídica e conformidade com os procedimentos estabelecidos.
*Com informações da Agência Brasil.








Deixe um comentário