Na quarta-feira (22/04/2026), em Salvador, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) realizou uma série de reuniões na Governadoria que resultaram na aproximação de três prefeitos ligados à oposição, em um intervalo inferior a cinco horas. Os encontros ocorreram entre 13h e 17h30, logo após uma agenda intensa de visitas e entregas em 11 municípios durante o feriado de Tiradentes. O movimento reforça a estratégia de ampliação da base política do governo estadual e acende alerta no grupo liderado pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil).
Articulação política em ritmo acelerado
O primeiro encontro do dia foi com o prefeito de Cruz das Almas, Ednaldo Ribeiro (Republicanos), identificado politicamente com o bolsonarismo. Após reunião com o governador e com o secretário de Relações Institucionais, Adolpho Loyola, o gestor municipal participou de registro fotográfico e cumprimentos públicos, sinalizando aproximação institucional.
Na sequência, a prefeita de Itatim, Daiane dos Anjos, acompanhada de seu grupo político, também esteve na Governadoria. O município havia garantido maioria de votos a ACM Neto na eleição de 2022. Após o encontro, a gestora declarou estar “selando um casamento” político com o governo estadual. O ex-prefeito Tingão (PSD) reforçou a mudança de posicionamento ao afirmar que o grupo deverá apoiar Jerônimo em futuros pleitos.
Encerrando a agenda, o prefeito de Piatã, Marcos Paulo (PSD), acompanhado do vice-prefeito Rone (Avante), declarou reconhecimento às ações do governo estadual no município. Segundo ele, o alinhamento decorre da avaliação de políticas públicas implementadas na região.
Expansão da base e impacto político
O conjunto das reuniões evidencia uma estratégia clara do governo baiano: combinar entregas no interior com articulação política na capital, ampliando gradualmente sua base de apoio. De acordo com dados do próprio governo, Jerônimo Rodrigues já conta com mais de 350 prefeitos alinhados à sua gestão, número expressivo no cenário político estadual.
Esse movimento tem implicações diretas sobre o equilíbrio de forças na Bahia, especialmente diante da reorganização da oposição. A adesão — ainda que gradual — de gestores anteriormente vinculados a adversários políticos indica um processo de realinhamento pragmático, comum em sistemas federativos marcados por forte dependência de recursos estaduais.









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