Nesta quarta-feira (29/04/2026), o Governo do Estado da Bahia oficializou, por meio de publicação no Diário Oficial, a homologação de duas licitações voltadas à expansão da rede pública de saúde no interior: a construção da Policlínica Regional de Seabra e a reforma e ampliação do Hospital Geral de Guanambi. Somados, os investimentos alcançam R$ 102,2 milhões, com previsão de início das obras já na primeira semana de maio, reforçando a estratégia de descentralização da assistência especializada no estado.
Expansão da atenção especializada na Chapada Diamantina
A nova Policlínica Regional de Seabra será executada pela Nordeste Engenharia Ltda, com aporte de R$ 25,2 milhões. A unidade integra o modelo de regionalização da saúde adotado pelo estado, com foco na ampliação do acesso a consultas especializadas, exames e procedimentos diagnósticos.
A implantação da policlínica tem como objetivo reduzir a necessidade de deslocamentos da população da Chapada Diamantina para centros urbanos maiores, ao mesmo tempo em que fortalece a oferta local de serviços de média complexidade. Trata-se de uma medida alinhada à lógica histórica do Sistema Único de Saúde (SUS), que prioriza a organização regional da assistência.
Atualmente, a Bahia conta com 26 policlínicas regionais em funcionamento, responsáveis por cerca de 9,7 milhões de atendimentos, abrangendo 416 municípios consorciados e cobrindo 80,86% da população estadual. Novas unidades também estão em implantação em cidades como Camaçari, Remanso, Itapetinga, Ipirá, Ibotirama e Feira de Santana.
Reestruturação amplia capacidade do Hospital de Guanambi
A intervenção no Hospital Geral de Guanambi, executada pelo Consórcio Novo HRG, representa o maior volume de recursos do pacote, com investimento de R$ 77 milhões. A unidade é referência em atendimento de média complexidade para 37 municípios do sudoeste baiano.
Entre as principais mudanças estruturais, destaca-se a ampliação da capacidade de terapia intensiva, com a criação de 20 novos leitos de UTI, sendo:
- 10 leitos pediátricos (inéditos na unidade)
- 10 leitos adultos
Com isso, o hospital passará a contar com 30 leitos de UTI no total, ampliando significativamente sua capacidade de resposta a casos graves.
A expansão inclui ainda:
- Implantação de 50 novos leitos de enfermaria (20 pediátricos e 30 adultos)
- Reforma de 30 leitos já existentes
- Ampliação do centro cirúrgico para cinco salas operatórias
- Reestruturação do Serviço de Nutrição e Dietética e da Central Farmacêutica
Novas estruturas e reforço à segurança hospitalar
O projeto também contempla a construção de uma nova emergência e de uma Central de Material Esterilizado, considerada essencial para garantir segurança assistencial e controle de infecções hospitalares.
Além disso, está prevista a requalificação da fachada principal do hospital, em linha com intervenções estruturais recentes que buscam modernizar a unidade e adequá-la às exigências contemporâneas de atendimento.
A secretária estadual da Saúde, Roberta Santana, afirmou que os investimentos ampliam a capacidade de atendimento e qualificam os serviços prestados. A gestora também destacou a criação de um Centro de Ensino e Pesquisa, que dará suporte à formação de aproximadamente 2 mil estudantes de graduação por mês, além de profissionais em residência médica.
Histórico recente de investimentos na unidade
As obras anunciadas se somam a intervenções realizadas nos últimos anos no Hospital Geral de Guanambi. Em junho de 2025, foi entregue a reforma da Enfermaria Cirúrgica, com reestruturação de 30 leitos e do Banco de Leite Humano, em investimento de R$ 2,84 milhões.
Anteriormente, em outubro de 2023, a unidade havia recebido a ampliação de 30 leitos de enfermaria, com aporte de R$ 1,56 milhão. O conjunto de intervenções evidencia uma política contínua de fortalecimento da infraestrutura hospitalar regional.
Estratégia de regionalização da saúde
A expansão simultânea de policlínicas e hospitais regionais reflete uma diretriz consolidada na gestão pública da saúde: reduzir desigualdades territoriais no acesso a serviços especializados. Ao descentralizar a assistência, o modelo busca aliviar a pressão sobre grandes centros urbanos e garantir maior eficiência no atendimento.
Esse padrão segue uma tradição administrativa que prioriza redes regionais articuladas, evitando a concentração excessiva de serviços e promovendo maior capilaridade do sistema de saúde.










Deixe um comentário