O Governo da Bahia recebeu na sexta-feira (17/04/2026) lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ao final de uma mobilização que percorreu mais de 120 quilômetros entre Feira de Santana e Salvador. A agenda institucional, conduzida pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), resultou em uma série de encaminhamentos voltados ao fortalecimento da agricultura familiar, com destaque para investimentos em mecanização agrícola, distribuição de insumos e avanços na titulação de terras. A mobilização integrou a Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária e reuniu cerca de 2 mil trabalhadores rurais.
A marcha consolidou um ciclo de negociações entre o governo estadual e os movimentos sociais do campo, com foco em acesso à terra, incentivo à produção e ampliação de políticas públicas rurais. Segundo a SDR, a programação foi estruturada com base na escuta das demandas apresentadas pelas lideranças, permitindo a construção de soluções conjuntas.
A titular da pasta, Elisabete Costa, afirmou que as reuniões ocorreram de forma contínua ao longo da semana, envolvendo diferentes áreas do governo. De acordo com a secretária, o processo buscou alinhar responsabilidade institucional com as reivindicações apresentadas. “O que a gente quer é construir com consciência, com responsabilidade”, declarou.
A articulação envolveu também outros órgãos estaduais e o gabinete do governador, indicando um esforço coordenado para responder às pautas apresentadas durante a mobilização.
Investimentos e medidas anunciadas
Entre os principais resultados das negociações, a SDR anunciou um conjunto de medidas com impacto direto nas condições de produção no campo. Destacam-se:
- Investimento superior a R$ 4 milhões em mecanização agrícola
- Distribuição de mudas e sementes
- Fornecimento de equipamentos agrícolas, tratores e forrageiras
- Disponibilização de carro-pipa e melhorias no abastecimento de água
- Avanço nos processos de titulação de terras
As ações incluem ainda a reativação de estruturas já existentes, como poços artesianos não instalados, e intervenções em infraestrutura rural, especialmente em estradas vicinais.
Segundo Evanildo Costa, da coordenação nacional do MST na Bahia, parte das reivindicações históricas teve encaminhamento concreto. Ele destacou a resolução de demandas relacionadas à água, logística e produção, além do fortalecimento das chamadas redes produtivas, voltadas à industrialização e comercialização de produtos da agricultura familiar.
Mobilização, percurso e contexto histórico
A marcha teve início em 8 de abril de 2026, em Feira de Santana, e seguiu até Salvador, integrando a agenda nacional do MST. O percurso de mais de 120 quilômetros reuniu trabalhadores de diversas regiões do estado, com o objetivo de pressionar por avanços na política de reforma agrária.
Neste ano, a mobilização também marcou os 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, episódio ocorrido em 1996, no Pará, que resultou na morte de 19 trabalhadores rurais. A lembrança do evento foi incorporada à pauta como elemento simbólico e político.
De acordo com Abrão Brito, da Regional Chapada Diamantina, a marcha teve caráter duplo: reivindicar justiça pelo episódio histórico e reforçar a agenda contemporânea da reforma agrária, com foco na produção e na sustentabilidade dos assentamentos.
Compromissos do governo estadual
A Secretaria de Desenvolvimento Rural reiterou o compromisso de manter o diálogo com movimentos sociais como instrumento de formulação de políticas públicas. A estratégia inclui:
- Fortalecimento da agricultura familiar
- Ampliação da segurança jurídica no campo
- Incentivo à produção e industrialização rural
- Integração entre políticas de infraestrutura e desenvolvimento econômico
O governo estadual também indicou que novas rodadas de negociação poderão ocorrer ao longo do ano, conforme o andamento das demandas apresentadas.












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