Nesta segunda-feira (27/04/2026), durante a abertura da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou a criação de uma nova linha de crédito de R$ 10 bilhões voltada à modernização de máquinas e implementos agrícolas, além de antecipar que o governo federal prepara um programa de renegociação de dívidas rurais, com alcance tanto para produtores inadimplentes quanto adimplentes. A iniciativa integra a estratégia econômica para ampliar a competitividade do agronegócio, fortalecer a capacidade produtiva e estimular investimentos no campo.
O programa, denominado MOVE Agricultura, segue a lógica já aplicada ao setor de transporte com o programa de renovação de frota de caminhões. Segundo Alckmin, os recursos estarão disponíveis em até três semanas, com juros reduzidos e condições mais acessíveis, destinados à aquisição de tratores, colheitadeiras, plantadeiras e outros equipamentos agrícolas.
A operação será realizada por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), além de bancos privados, cooperativas e o Banco do Brasil. Pela primeira vez, cooperativas agrícolas terão acesso direto ao crédito da Finep, ampliando a capilaridade do financiamento no setor.
A medida busca impulsionar a modernização do parque produtivo rural, com foco em inovação tecnológica, aumento de produtividade e redução de custos operacionais. O financiamento também contempla investimentos em agricultura digital e soluções tecnológicas para pequenas e médias propriedades.
Integração com políticas agrícolas e industriais
Estratégia articulada com o Plano Safra
O novo programa integra uma estratégia mais ampla do governo federal, articulando crédito para investimento e financiamento da produção. O Plano Safra 2025/2026 prevê R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 89 bilhões para a agricultura familiar, formando um dos maiores pacotes de incentivo já registrados no país.
Essa combinação de políticas busca garantir não apenas a expansão da produção, mas também a modernização estrutural do campo, consolidando ganhos de eficiência e competitividade.
Fomento à agricultura familiar e inovação
Durante o evento, a ministra Fernanda Machiaveli destacou a importância da mecanização da agricultura familiar, apontando que o acesso a equipamentos e tecnologia é essencial para ampliar a produtividade e diversificar a produção de alimentos.
O modelo proposto enfatiza a integração entre indústria, inovação e produção agrícola, criando um ambiente favorável ao desenvolvimento tecnológico no campo e ao fortalecimento da cadeia agroindustrial nacional.
Renegociação de dívidas rurais
Outro eixo central do anúncio foi a sinalização de um programa de renegociação de dívidas rurais, que deverá contemplar diferentes perfis de produtores. Segundo Alckmin, a medida pretende aliviar o endividamento e ampliar a capacidade de investimento do setor.
A proposta ainda está em fase de elaboração, mas a indicação de que incluirá produtores adimplentes e inadimplentes aponta para uma abordagem mais abrangente, voltada à estabilidade financeira do campo.
Contexto de expansão do agronegócio
Crescimento das exportações e novos mercados
O anúncio ocorre em um momento de forte desempenho do agronegócio brasileiro. Em 2025, o setor registrou US$ 169,2 bilhões em exportações, representando 48,5% das vendas externas do país, além da abertura de 600 novos mercados internacionais desde 2023.
Em fevereiro de 2026, o agronegócio alcançou US$ 12,05 bilhões em exportações, o maior valor já registrado para o mês.
Projeções de safra recorde
Na produção interna, a safra de grãos atingiu 346,1 milhões de toneladas em 2025, com projeção de até 356,3 milhões de toneladas para o ciclo 2025/2026, segundo estimativas da Conab.
Esse cenário reforça a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura, tecnologia e financiamento, para sustentar o crescimento do setor.
Acordos comerciais e competitividade
O ministro André de Paula destacou que o acordo Mercosul-União Europeia, com entrada em vigor prevista para 1º de maio, tende a ampliar a competitividade de produtos agropecuários brasileiros, com redução ou eliminação de tarifas em diversos segmentos, como a fruticultura.
A medida é vista como um vetor adicional de expansão, sobretudo para exportações de maior valor agregado.











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