Guerra contra o Irã já custa US$ 25 bilhões aos EUA e pressiona economia global; Petróleo dispara e tensão diplomática aumenta

A guerra entre Estados Unidos e Irã já acumula custo estimado de US$ 25 bilhões após dois meses de operações militares, segundo dados apresentados ao Congresso norte-americano na quarta-feira (29/04/2026). O conflito, iniciado em 28 de fevereiro, amplia seus efeitos para além do campo militar, com impactos nos mercados globais, na diplomacia internacional e em indicadores sociais.

De acordo com o Pentágono, a maior parte dos recursos foi destinada à aquisição e uso de armamentos, dentro da operação denominada “Fúria Épica”. O valor foi apresentado por um alto funcionário da área orçamentária, enquanto o secretário de Defesa indicou estimativa inferior, sem detalhamento.

O cenário ocorre em meio à paralisação das negociações diplomáticas sobre o programa nuclear iraniano, considerado o principal ponto de divergência entre as partes.

Custos militares e impasse diplomático

O conflito envolve operações aéreas conduzidas pelos Estados Unidos em conjunto com Israel, com foco em alvos militares e estruturas estratégicas iranianas. Apesar da continuidade das ações, não há avanço nas tratativas para cessar-fogo.

Autoridades iranianas afirmaram que os Estados Unidos não devem interferir em decisões internas de outros países, em resposta a declarações recentes do governo norte-americano.

Também na quarta-feira (29/04/2026), o presidente dos EUA, Donald Trump, reforçou o discurso contra o Irã, afirmando que o país precisa “ficar esperto” em relação às negociações sobre energia nuclear.

Impactos econômicos globais e alta do petróleo

A escalada do conflito já provoca forte reação nos mercados internacionais, especialmente no setor energético. O barril do petróleo Brent registrou alta superior a 6%, ultrapassando US$ 118, enquanto o WTI avançou mais de 5%.

O aumento dos preços está relacionado à possibilidade de bloqueio prolongado no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de um quinto do petróleo mundial.

Além disso, bolsas de valores internacionais apresentaram queda, enquanto o dólar se fortaleceu como ativo de segurança diante do cenário de instabilidade.

Risco de aumento da pobreza global

Segundo estimativas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a elevação dos preços da energia pode levar até 32 milhões de pessoas à pobreza em diferentes regiões do mundo.

O impacto atinge principalmente países dependentes de importação de combustíveis, ampliando custos de produção e pressionando economias já fragilizadas.

A projeção considera um cenário inicial de seis semanas de conflito, indicando tendência de agravamento caso a guerra se prolongue.

Tensão no Oriente Médio e efeitos regionais

No plano regional, o conflito mantém instabilidade no Oriente Médio, com reflexos diretos em países vizinhos. No Líbano, confrontos persistem mesmo após acordos de cessar-fogo, enquanto a reconstrução enfrenta limitações financeiras.

O governo libanês estima necessidade de cerca de US$ 1 bilhão para ações emergenciais e reconstrução, diante do deslocamento de aproximadamente 1,2 milhão de pessoas.

Paralelamente, ataques e operações militares continuam sendo registrados, elevando o número de vítimas e pressionando sistemas locais de assistência.

Petróleo iraniano e risco de colapso de receitas

Analistas apontam que o bloqueio ao escoamento de petróleo pode levar as receitas iranianas a níveis próximos de zero, caso a restrição se mantenha por período prolongado.

O Irã enfrenta limitações de armazenamento e dificuldades técnicas para interromper a produção sem prejuízos estruturais às instalações.

O cenário amplia a pressão econômica sobre o país, ao mesmo tempo em que contribui para a volatilidade nos mercados internacionais de energia.

Reações internacionais e incerteza sobre desfecho

No campo diplomático, lideranças internacionais mantêm contatos para buscar soluções, mas sem avanços concretos. Conversas entre autoridades dos Estados Unidos e da Rússia indicam tentativa de manter canais abertos para negociação.

Enquanto isso, a continuidade das operações militares e o endurecimento de discursos políticos aumentam a incerteza sobre a duração e os desdobramentos do conflito.

A combinação entre fatores militares, econômicos e humanitários reforça a complexidade do cenário e amplia a pressão por uma solução negociada.

*Com informações da RFI.


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