Milhares de indígenas de diversas regiões do país participaram, na terça-feira (07/04/2026), de uma marcha na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, como parte da 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026). A mobilização tem como foco a defesa dos direitos constitucionais dos povos indígenas, com ênfase na demarcação de terras e na rejeição ao Marco Temporal.
O ato reuniu representantes de diferentes etnias, que saíram do Eixo Cultural Ibero-Americano e percorreram cerca de 6 quilômetros até o Congresso Nacional, principal alvo das críticas do movimento.
A manifestação ocorre em meio a debates legislativos e decisões judiciais relacionadas à política indigenista, além de reivindicações por maior proteção territorial e fortalecimento de políticas públicas.
Críticas ao Congresso e defesa dos territórios
Durante a mobilização, lideranças indígenas criticaram a atuação de parlamentares, acusando o Congresso Nacional de aprovar propostas que impactam direitos territoriais e modos de vida tradicionais.
Os manifestantes também apontaram pressões de setores como agronegócio, mineração e grandes empreendimentos, que, segundo o movimento, influenciam decisões sobre a exploração de terras indígenas.
Faixas exibidas durante a marcha destacaram mensagens relacionadas à demarcação de terras, rejeição ao Marco Temporal e defesa dos territórios tradicionais, evidenciando as principais pautas do protesto.
Marco Temporal e disputas legislativas
O Marco Temporal é uma das principais questões em debate. A tese estabelece que povos indígenas teriam direito apenas às terras ocupadas em outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal.
Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou a tese inconstitucional. No entanto, em 2025, o Senado aprovou uma proposta de emenda à Constituição sobre o tema, que ainda aguarda nova análise na Câmara dos Deputados.
A pauta é considerada central pelas lideranças indígenas, que defendem a ampliação do reconhecimento de territórios tradicionais e a garantia de direitos constitucionais.
Demarcações e dados oficiais
Segundo dados da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), entre janeiro de 2023 e novembro de 2025, foram homologados 20 novos territórios indígenas, totalizando cerca de 2,5 milhões de hectares em 11 unidades federativas.
Apesar dos avanços, lideranças afirmam que ainda há um passivo significativo de áreas a serem demarcadas, com cerca de 110 territórios em análise.
O movimento também destaca a necessidade de enfrentar situações de violência e vulnerabilidade em terras indígenas, apontadas como desafios persistentes.
Participação política e demandas institucionais
Durante o ato, lideranças enfatizaram a importância da participação indígena na política institucional, defendendo maior representação em cargos públicos e espaços de decisão.
Também foram apresentadas demandas por ampliação de orçamento para órgãos como a Funai e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), vinculada ao Ministério da Saúde.
A mobilização reforça o papel do ATL como espaço de articulação nacional, reunindo diferentes povos para apresentar pautas comuns e dialogar com autoridades.
Organização e características da mobilização
Para atender a protocolos de segurança, os participantes deixaram instrumentos tradicionais no acampamento e ocuparam parte das vias do Eixo Monumental durante a marcha.
O evento reúne representantes de centenas de povos indígenas e é considerado uma das principais mobilizações do movimento indígena no país.
A organização destaca que a manifestação tem caráter pacífico e busca ampliar o diálogo sobre direitos, políticas públicas e reconhecimento territorial.
*Com informações da Agência Brasil.








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