Às vésperas do Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio de 2026, dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam um panorama estrutural do mercado de trabalho na Bahia marcado por alta informalidade, baixos rendimentos e desigualdades entre municípios. Em 2025, cerca de 6,5 milhões de pessoas estavam ocupadas no estado, o que corresponde a 53,5% da população com 14 anos ou mais, índice inferior à média nacional.
Nível de ocupação abaixo da média nacional
O chamado nível de ocupação, que mede a proporção de pessoas trabalhando, posiciona a Bahia em situação desfavorável no cenário nacional. Com 53,5%, o estado ocupa apenas a 18ª posição entre as 27 unidades da Federação, enquanto o Brasil registra média de 59,1%.
Essa realidade se reflete no recorte municipal. Em 2022, apenas 53 dos 417 municípios baianos (12,7%) tinham mais da metade da população ocupada, evidenciando um mercado de trabalho restrito e concentrado.
Municípios com maior e menor inserção no trabalho
Os melhores indicadores de ocupação estavam em municípios com forte dinamismo econômico, como:
- Luís Eduardo Magalhães: 66,8% da população ocupada
- Porto Seguro: 63,5%
- São Miguel das Matas: 63,3%
No extremo oposto, municípios como Jaborandi (17,7%), Mansidão (18,9%) e Morpará (19,9%) registravam níveis críticos de inserção no mercado de trabalho.
Informalidade atinge mais da metade dos trabalhadores
Um dos principais desafios estruturais da economia baiana é a informalidade. Em 2025, 52,8% dos trabalhadores estavam em ocupações informais, o equivalente a 3,4 milhões de pessoas.
O índice é significativamente superior à média nacional (38,1%) e coloca a Bahia como a 3ª maior taxa de informalidade do país, atrás apenas de Maranhão e Pará.
Predominância da informalidade nos municípios
A informalidade é disseminada no território baiano:
- 372 municípios (89,2%) tinham mais da metade dos trabalhadores em situação informal
- Nenhuma cidade registrava taxa inferior a 30%
Os maiores índices estavam em:
- Mulungu do Morro: 86,2%
- Feira da Mata: 84,5%
- Cafarnaum: 84,3%
Já os menores níveis, ainda elevados, foram observados em:
- Luís Eduardo Magalhães: 35,6%
- Salvador: 37,4%
- Lauro de Freitas: 37,7%
Estrutura econômica concentrada em comércio e agropecuária
A composição setorial do emprego revela uma economia ainda fortemente baseada em atividades tradicionais. Em 2022:
- Comércio: 908,6 mil trabalhadores (16,8%)
- Agropecuária: 761,7 mil (14,1%)
Juntos, esses setores concentravam 30,9% da força de trabalho baiana.
Predominância da agropecuária no interior
A agropecuária liderava como principal empregadora em 77,5% dos municípios (323 cidades), com destaque para:
- Nilo Peçanha: 61,7% dos trabalhadores
- Cafarnaum: 56,8%
- Nova Ibiá: 56,2%
Já o comércio predominava em centros urbanos e regionais, como:
- Capim Grosso: 27,5%
- Irecê: 25,3%
- Feira de Santana: 22,5%
Baixa renda e desigualdade salarial
Outro ponto crítico é o rendimento médio. Em 2025, a Bahia registrou R$ 2.284 mensais, o 2º menor do país, muito abaixo da média nacional de R$ 3.560.
Em 2022, 135 municípios (32,4%) tinham renda média inferior ao salário mínimo da época (R$ 1.212).
Os maiores rendimentos estavam concentrados em áreas urbanas:
- Lauro de Freitas: R$ 3.179
- Salvador: R$ 2.964
- Luís Eduardo Magalhães: R$ 2.885
Enquanto isso, os menores salários foram registrados em:
- Mulungu do Morro: R$ 805
- Canarana: R$ 891
- Jaguaripe: R$ 893
Desemprego permanece elevado
Apesar de mais da metade da população estar ocupada, a Bahia ainda enfrenta alto nível de desocupação. Em 2025, a taxa foi de 8,7%, a segunda maior do país, acima da média nacional (5,6%).
No âmbito municipal, em 2022:
- 119 municípios (28,5%) tinham desemprego acima de 10%
Os maiores índices foram observados em:
- Rafael Jambeiro: 30,6%
- Nova Redenção: 29,9%
- Queimadas: 28,8%
Já os menores níveis estavam em:
- Ibicoara: 1,2%
- São José da Vitória: 1,5%
- Lafaiete Coutinho: 1,7%
Estrutura econômica e desafios persistentes
Os dados evidenciam que o mercado de trabalho baiano permanece ancorado em uma estrutura econômica tradicional, com forte dependência de setores de baixa produtividade, como a agropecuária e o comércio. Essa configuração limita a geração de empregos formais e qualificados, contribuindo para a elevada informalidade e os baixos rendimentos.
Outro aspecto relevante é a desigualdade regional acentuada, com municípios apresentando realidades socioeconômicas profundamente distintas. Enquanto polos dinâmicos concentram renda e oportunidades, grande parte do interior enfrenta dificuldades estruturais, com baixa inserção no mercado de trabalho e rendimentos abaixo do mínimo.
Além disso, a persistência de taxas elevadas de desemprego, mesmo com crescimento da ocupação, indica fragilidades no modelo de desenvolvimento econômico, sugerindo a necessidade de políticas públicas voltadas à formalização, diversificação produtiva e qualificação profissional.
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