Na quarta-feira, 01/04/2026, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e a empresa Google firmaram um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) para ampliar a qualidade das informações utilizadas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), com a incorporação de imagens de satélite de alta resolução referentes ao ano de 2008, marco temporal definido pelo Código Florestal de 2012. A iniciativa busca elevar a precisão das análises ambientais, fortalecer a regularização fundiária e ampliar a segurança jurídica no campo, sem transferência de recursos financeiros.
Desde 2023, quando o MGI assumiu a gestão do CAR, o governo federal tem investido na modernização do sistema por meio da incorporação de novas tecnologias e parcerias institucionais. O acordo com o Google representa um dos principais avanços nesse processo, ao enfrentar um problema histórico: a baixa resolução das imagens utilizadas para análise do marco temporal de 2008.
Até então, as avaliações eram baseadas em imagens com resolução espacial entre 15 e 30 metros, o que limitava o nível de detalhamento. Com o novo conjunto de dados, será possível alcançar uma qualidade até seis vezes superior, permitindo identificar com maior precisão elementos como fragmentos de vegetação nativa, margens de rios e limites de propriedades rurais.
Essa melhoria impacta diretamente a confiabilidade das informações declaradas pelos proprietários rurais, reduzindo incertezas e aumentando a consistência das análises técnicas conduzidas pelos órgãos ambientais.
Integração ao sistema e ampliação do acesso
As novas imagens serão integradas ao Sistema de Cadastro Ambiental Rural (Sicar), passando a ser utilizadas tanto nos processos de análise ambiental quanto em ferramentas voltadas ao público, como:
- Cadastro Pré-Preenchido
- Consulta Pública de informações ambientais
- Sistemas de monitoramento territorial
Além disso, os dados estarão disponíveis gratuitamente no Google Earth Engine e no Google Earth, ampliando o acesso público e a transparência das informações ambientais.
A parceria terá início com cobertura total em cinco estados — Maranhão, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins e Pará — e cobertura parcial nos demais, com expansão progressiva ao longo do projeto.
Impacto na política ambiental e segurança jurídica
O acordo está diretamente relacionado à aplicação do Código Florestal, cujo marco temporal de julho de 2008 define a base para:
- Identificação da vegetação nativa existente
- Definição de áreas de preservação permanente (APPs)
- Estabelecimento de obrigações de recomposição ambiental
Com imagens mais precisas, será possível determinar com maior rigor os passivos ambientais e comprovar o uso consolidado das áreas, fator essencial para garantir segurança jurídica aos produtores rurais e maior efetividade às políticas públicas.
Segundo autoridades envolvidas, a iniciativa também contribui para reduzir custos operacionais, melhorar a tomada de decisões e ampliar a capacidade do Estado de monitorar, regularizar e planejar o uso do território nacional.
Transformação digital e combate à crise climática
O acordo é apresentado como parte de uma estratégia mais ampla de transformação digital da gestão ambiental brasileira, alinhada às discussões recentes sobre mudanças climáticas, como as pautas debatidas na COP30.
A incorporação de tecnologia avançada, incluindo processamento de mais de 6 mil imagens de satélites SPOT com o uso do Google Earth Engine, permitiu a geração de um banco de dados com correções de nuvens e distorções, compatível com os padrões atuais de análise geoespacial.
A expectativa é que essa infraestrutura tecnológica contribua para:
- Combate ao desmatamento
- Regularização ambiental
- Ordenamento territorial
- Acesso ao crédito rural condicionado à conformidade ambiental








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