Nesta segunda-feira (20/04/2026), a Operação Duas Rosas II, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro no Vidigal, Zona Sul da capital fluminense, teve como principal alvo o traficante Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dada, apontado como liderança de facção criminosa com atuação no sul da Bahia. A ação, que contou com coordenação do Ministério Público da Bahia, resultou em confrontos armados, deixou turistas ilhados no Morro Dois Irmãos e revelou novos elementos sobre a estrutura e as conexões do crime organizado entre diferentes estados.
A operação foi deflagrada após informações de inteligência indicarem que Dada estaria escondido no Rio de Janeiro. Segundo as investigações, ele havia deixado a Rocinha e alugado uma residência no Vidigal durante o feriado de Tiradentes, onde participaria de um encontro com familiares e aliados.
Durante a ação, houve troca de tiros na comunidade, provocando tensão na região e interrompendo o acesso à trilha do Morro Dois Irmãos, deixando turistas temporariamente isolados. Apesar do cerco policial, o traficante conseguiu escapar por uma passagem secreta extremamente estreita, o que impediu a perseguição por agentes equipados com coletes balísticos.
Prisões e apreensões
A operação resultou na prisão de três pessoas, sendo duas em flagrante e uma mulher detida por mandado judicial. Entre os materiais apreendidos estavam:
- Um fuzil Colt calibre 5.56
- Uma espingarda calibre 12
- Uma pistola 9 mm com numeração raspada
- Grande quantidade de drogas
- Carregadores de fuzil
- Rádios transmissores
- Roupas camufladas
- Telefones celulares
Uma das presas foi identificada como Núbia Santos de Oliveira, apontada como responsável por auxiliar na lavagem de dinheiro da facção criminosa.
Histórico criminal e atuação interestadual
De acordo com as investigações, Dada é líder do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), organização criminosa com atuação no tráfico de drogas em regiões turísticas do sul da Bahia, como Caraíva e Trancoso. Após fugir do sistema prisional baiano em 2024, ele teria se aliado ao Comando Vermelho, ampliando sua atuação para o Rio de Janeiro.
Essa articulação evidencia a crescente integração entre facções regionais e grandes organizações criminosas nacionais, consolidando uma rede interestadual de tráfico e violência.
Fuga do presídio e suspeitas de corrupção
Segundo reportagem do jornal O Globo, a fuga de Dada do presídio de Eunápolis, na Bahia, é alvo de investigação e envolve acusações graves. Segundo delação premiada da então diretora da unidade, Joneuma Silva Neres, o traficante teria contado com auxílio interno para escapar.
A reportagem revela, também, que a delação aponta ainda que o ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB) teria, supostamente, recebido cerca de R$ 2 milhões para facilitar a fuga de Dada e de outros 15 detentos. A defesa do ex-parlamentar nega qualquer envolvimento e afirma que as acusações são infundadas.
Há também menções indiretas ao nome do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que igualmente negou participação, afirmando não ter qualquer relação com o caso e classificando as acusações como infundadas.
Investigações em andamento
O Ministério Público da Bahia e a Polícia Civil continuam apurando os desdobramentos da fuga e a possível participação de agentes públicos e políticos. A Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia informou que tem colaborado integralmente com as investigações desde a ocorrência da fuga em massa.
O caso também inclui apuração sobre o controle do tráfico dentro do presídio de Eunápolis, indicando possível fragilidade estrutural no sistema carcerário.
Impacto da operação e segurança pública
A operação no Vidigal expôs não apenas a presença de lideranças do crime organizado fora de seus estados de origem, mas também o risco direto à população civil, incluindo turistas, em áreas urbanas densamente ocupadas.
O episódio reforça a complexidade das ações policiais em comunidades com geografia favorável à fuga e presença de estruturas clandestinas, como túneis e passagens secretas.
Delação aponta suposta negociação de fuga em presídio da Bahia e cita ex-ministro
Foi revelado no sábado (18/04), pelo G1, supostos detalhes de uma delação premiada firmada pela ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, no sul da Bahia, que descreve um esquema de facilitação de fuga de presos em dezembro de 2024. O relato aponta a participação de agentes públicos, intermediários políticos e integrantes de facções criminosas, além de mencionar, de forma indireta, o nome do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que nega qualquer envolvimento. A investigação conduzida pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) busca esclarecer responsabilidades e a eventual existência de um esquema estruturado de corrupção no sistema prisional.
Esquema de fuga e negociação milionária
A delação da ex-diretora Joneuma Silva Neres detalha que a fuga de 16 detentos, ocorrida em 12 de dezembro de 2024, teria sido previamente negociada com integrantes da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE). Segundo o depoimento, o acordo teria sido intermediado pelo ex-deputado federal Uldurico Júnior, com valor estipulado em R$ 2 milhões para viabilizar a fuga de dois líderes da organização criminosa.
De acordo com o relato, o pagamento incluiria um adiantamento inicial, sendo que parte dos valores teria sido entregue em espécie, em uma caixa de sapato, e outra parcela transferida via operações bancárias. A ex-diretora afirma ter atuado como intermediária, facilitando contatos entre o político e o chefe da facção, identificado como Ednaldo Pereira Souza, conhecido como “Dada”.
O plano original previa a execução da fuga no final de dezembro, mas teria sido antecipado após informações sobre uma possível fiscalização e transferência de detentos.
Dinâmica da fuga e falhas de segurança
A delação descreve um ambiente de fragilidade operacional dentro da unidade prisional, com indícios de conivência e falhas estruturais. Entre os pontos destacados:
- Detentos com acesso a chaves das celas
- Presença de ferramentas como furadeiras
- Entrada de armamento ilegal dentro do presídio
- Comunicação facilitada entre presos e intermediários externos
A ex-diretora relatou que chegou a identificar um buraco na cela de um dos líderes e a presença de uma arma, mas não teria tomado medidas efetivas para impedir a fuga.
Além disso, o depoimento menciona a realização de encontros e negociações fora da unidade, inclusive em veículos e residências, envolvendo aliados políticos e pessoas ligadas à facção criminosa.
Citação de ex-ministro e controvérsias
O nome do ex-ministro Geddel Vieira Lima aparece na delação de forma indireta, por meio de declarações atribuídas ao ex-deputado Uldurico Júnior. Segundo o relato, metade do valor negociado — cerca de R$ 1 milhão — seria destinada ao ex-ministro.
Geddel nega categoricamente qualquer participação. Em manifestação pública, afirmou que seu nome teria sido utilizado indevidamente para dar credibilidade à negociação, classificando a situação como uma tentativa de manipulação por parte dos envolvidos.
Por sua vez, a defesa de Uldurico Júnior também rejeita as acusações, afirmando que as alegações são falsas e que o ex-deputado não teve participação em qualquer plano de fuga.
Delação revela visitas de ex-deputado a presídios e suposta negociação de fuga de detentos na Bahia
O site G1 revelou, no domingo (19/04/2026), detalhes de uma delação premiada firmada pela ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, que aponta a participação de ao menos cinco pessoas em visitas do ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB) a unidades prisionais no extremo sul da Bahia. Segundo o relato, as visitas incluíam reuniões reservadas com líderes de facções criminosas e teriam evoluído para a negociação de uma fuga em massa de detentos, mediante pagamento milionário.
Delação aponta articulação política e presença de aliados em visitas a presídios
De acordo com a delação, as reuniões com internos eram realizadas “de portas fechadas” e consideradas “normais” no ambiente prisional. A ex-diretora afirma que Uldurico Júnior era acompanhado por um grupo de cinco pessoas durante essas visitas, incluindo agentes políticos e assessores.
Entre os citados estão:
- Alberto Cley Santos Lima, candidato a vereador em Eunápolis em 2024, alvo de mandado de busca;
- Matheus da Paixão Brandão, ex-secretário parlamentar, também alvo de mandado;
- Jonatas dos Santos, vereador e presidente da Câmara de Teixeira de Freitas;
- David Loyola, secretário municipal;
- Clebson Porto, advogado.
Segundo os autos, apenas dois dos nomes são investigados formalmente. Os demais foram mencionados sem indicação direta de envolvimento em crime. Parte dos citados afirmou que esteve no presídio apenas em ocasião institucional, sem contato com detentos.
Suposta negociação de fuga envolvia pagamento de R$ 2 milhões
A delação descreve um suposto acordo entre o ex-deputado e integrantes de facção criminosa, no qual teria sido pactuada a facilitação da fuga de detentos mediante pagamento de R$ 2 milhões. Ainda conforme o relato, um adiantamento de R$ 200 mil teria sido pago em espécie, com parte dos valores repassados por meio de transferências bancárias e PIX.
O dinheiro teria sido entregue em uma caixa de sapato, posteriormente encaminhada à família do ex-parlamentar. A delação detalha que parte do montante teria sido recebida por familiares e assessores próximos, enquanto outros valores foram depositados diretamente em contas vinculadas ao investigado.
A operação policial que resultou na prisão do ex-deputado foi denominada “Duas Rosas”, em referência a uma expressão supostamente utilizada pelos envolvidos para tratar do pagamento do acordo.
Reuniões com líderes de facção e mudanças no plano de fuga
O conteúdo da delação indica que Uldurico Júnior teria solicitado encontros com chefes de facções, incluindo o líder conhecido como “Dada”, apontado como dirigente do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE). Também são citados outros integrantes da organização criminosa, responsáveis por diferentes alas dentro do presídio.
Inicialmente, o plano previa a fuga de dois detentos específicos. No entanto, a execução teria sido alterada, resultando na evasão de 16 presos. A antecipação da fuga teria ocorrido após informações sobre uma possível fiscalização no presídio durante o período de Réveillon.
Segundo a ex-diretora, o ex-deputado teria demonstrado preocupação com as mudanças no plano após a repercussão do caso, indicando possível descompasso entre o acordo inicial e a execução prática da fuga.
Pressões, ameaças e articulação institucional
A delação também aponta que Joneuma Silva Neres teria sido supostamente pressionada pelo ex-deputado a colaborar com o esquema, além de ter sido orientada a manter uma versão alinhada para eventual defesa judicial. A ex-diretora afirmou ainda que o investigado buscava recursos financeiros com urgência após derrota eleitoral, o que teria motivado a aproximação com lideranças criminosas.
Outro ponto relevante é a indicação de influência política na gestão de unidades prisionais. Segundo o relato, Uldurico já teria participado da indicação de diretores em presídios da região, o que sugere possível interferência política em estruturas sensíveis do sistema penal.
Investigações e posicionamento das autoridades
O Ministério Público da Bahia segue apurando o caso, com foco na identificação de responsabilidades e na eventual existência de um esquema articulado entre agentes públicos e organizações criminosas. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) informou que tem colaborado com as investigações desde o ocorrido.
A delação também aponta possíveis conexões com outros agentes políticos e intermediários locais, ampliando o escopo das apurações e levantando questionamentos sobre a integridade institucional do sistema prisional.











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