Mais de 100 mil pessoas participaram, neste domingo (19/04/2026), de uma missa ao ar livre celebrada pelo papa Leão XIV, em Kilamba, região próxima à capital angolana, Luanda. O evento integra a agenda da visita oficial do pontífice ao país africano, onde ele destacou mensagens de esperança, justiça social e superação das desigualdades.
Durante a homilia, o papa convidou a população a “olhar para o futuro com esperança” e defendeu a construção de uma sociedade baseada na reconciliação, no combate à corrupção e na promoção da justiça. A celebração ocorreu no contexto de um país marcado por desafios econômicos e sociais significativos, incluindo concentração de renda e alto índice de pobreza.
A visita a Angola representa a terceira etapa de uma viagem de 11 dias pela África, na qual o pontífice tem adotado um discurso mais direto sobre temas sociais e ambientais, incluindo críticas à exploração de recursos naturais.
Críticas à desigualdade e à exploração de recursos
Desde sua chegada, no sábado (18/04/2026), o papa tem destacado os impactos negativos da exploração econômica no país. Em discurso diante de autoridades, incluindo o presidente João Lourenço, ele denunciou “catástrofes sociais e ambientais” associadas à lógica de exploração de riquezas naturais.
O pontífice também afirmou que esse modelo contribui para exclusão social e desigualdade, defendendo a necessidade de políticas voltadas ao bem comum. Segundo dados do Banco Mundial, cerca de um terço da população angolana vive abaixo da linha internacional de pobreza, com renda inferior a 2,15 dólares por dia.
Além disso, o papa incentivou a abertura ao diálogo político, pedindo que as autoridades não reprimam a dissidência e considerem as demandas da população, especialmente dos jovens, em um país com histórico de governo contínuo desde a independência em 1975.
Participação popular e demandas sociais
A celebração reuniu fiéis de diferentes regiões e também estrangeiros residentes em Angola. Entre os participantes, havia expectativa por mensagens relacionadas à juventude, emprego e reconciliação nacional.
Relatos de religiosos e fiéis destacam a percepção de que a concentração de renda e os efeitos da guerra civil (1975–2002) contribuíram para o agravamento das desigualdades. Demandas por redistribuição de riqueza, fortalecimento da democracia e justiça social foram mencionadas durante o evento.
O contexto social recente inclui manifestações registradas em julho de 2025, quando protestos contra o custo de vida resultaram em mortes, detenções e denúncias de uso excessivo da força por autoridades, refletindo o nível de insatisfação popular.
Visita ao santuário de Muxima
Após a missa, o papa seguiu para o santuário de Nossa Senhora da Muxima, localizado a cerca de 130 quilômetros de Luanda. O local é considerado um dos principais centros de peregrinação católica da região, recebendo aproximadamente 2 milhões de visitantes por ano.
A igreja, construída no século XVI às margens do rio Kwanza, tem relevância histórica e religiosa, associada à devoção à Virgem Maria, conhecida localmente como “Mamã Muxima”. Fiéis relatam que o santuário representa um símbolo espiritual e cultural importante para o país.
A visita ao local também reforça o papel da religião na mobilização social e na promoção de mensagens de unidade em um cenário de desafios estruturais.
Próximos destinos da viagem
Após Angola, o papa seguirá para a Guiné Equatorial, última etapa de uma jornada que percorre quatro países africanos e soma cerca de 18 mil quilômetros. A viagem tem como foco temas como paz, desenvolvimento sustentável e inclusão social.
A agenda reforça o posicionamento do pontífice em relação a questões globais, especialmente em regiões afetadas por desigualdade, conflitos e exploração econômica.
*Com informações da RFI.











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