Papa Leão XIV afirma que “Cristo está vivo” e convoca fiéis à esperança em meio às crises do mundo na Páscoa

Neste domingo (05/04/2026), durante a celebração da Missa de Páscoa na Praça São Pedro, no Vaticano, o Papa Leão XIV afirmou que “Cristo está vivo e permanece conosco”, destacando a Ressurreição como fundamento da esperança cristã em um cenário marcado por conflitos, injustiças e fragilidades humanas. A cerimônia reuniu cerca de 50 mil fiéis na praça e outros 10 mil nos arredores, consolidando-se como um dos principais atos litúrgicos do calendário cristão. Em sua homilia, o pontífice abordou a presença constante da morte — tanto no plano individual quanto social — e defendeu que a Páscoa representa uma resposta concreta de renovação espiritual e histórica.

Ressurreição como fundamento da esperança cristã

O Papa iniciou sua homilia com uma afirmação central da fé cristã:

“Cristo ressuscitou da morte e, com Ele, também nós ressuscitamos para uma vida nova.”

Segundo Leão XIV, o anúncio pascal ultrapassa o campo religioso estrito e alcança “o mistério da nossa vida e o destino da história”, oferecendo uma perspectiva de superação mesmo diante das situações mais adversas. Ele ressaltou que a Ressurreição representa “uma esperança que não falha, uma luz que não se põe”, afirmando que a morte perdeu seu caráter definitivo.

Apesar disso, o pontífice reconheceu a dificuldade humana em aceitar essa mensagem:

“O poder da morte ameaça-nos constantemente, por dentro e por fora.”

A presença da morte no indivíduo e na sociedade

Ao aprofundar sua reflexão, Leão XIV descreveu a presença da morte em duas dimensões distintas:

Dimensão interior

  • Pecado e culpa que limitam a liberdade espiritual
  • Desilusões, solidão e esgotamento emocional
  • Ressentimentos e preocupações que comprometem a alegria

Segundo o Papa, esses elementos criam um cenário de “escuridão interior”, no qual o indivíduo se sente aprisionado, sem perspectiva de saída.

Dimensão social e estrutural

No plano coletivo, o pontífice destacou problemas concretos que refletem a presença da morte na sociedade:

  • Injustiças e desigualdades sociais
  • Opressão dos pobres e vulneráveis
  • Violência e guerras
  • Exploração econômica e degradação ambiental

Em tom direto, afirmou:

“Vemo-la na violência, nas feridas do mundo, no grito de dor que se eleva de todas as partes devido aos abusos que oprimem os mais vulneráveis.”

A Páscoa como resposta e novo começo

Diante desse cenário, Leão XIV apresentou a Páscoa como uma resposta concreta e ativa:

“A Páscoa do Senhor nos convida a erguer o olhar e a alargar o coração.”

O Papa ressaltou que a Ressurreição não é apenas um evento passado, mas uma realidade contínua que “alimenta, no nosso espírito e no percurso da história, a semente da vitória prometida”.

Ele utilizou a imagem do sepulcro vazio para ilustrar a transformação:

“Em cada morte que experimentamos, há também espaço para uma nova vida que renasce.”

Essa dinâmica, segundo o pontífice, exige movimento e compromisso dos fiéis, inspirados pelo testemunho de Maria Madalena e dos Apóstolos.

Referência ao Papa Francisco e continuidade doutrinária

Durante a homilia, Leão XIV citou um trecho da exortação apostólica Evangelii gaudium, do Papa Francisco, reforçando a continuidade do magistério recente da Igreja.

O texto citado afirma:

“A ressurreição de Cristo não é algo do passado; contém uma força de vida que penetrou o mundo.”

A citação enfatiza que, mesmo em contextos marcados por injustiça e sofrimento, “sempre começa a desabrochar algo de novo”, ainda que de forma gradual.

Chamado à ação e responsabilidade dos fiéis

Na parte final da homilia, o Papa fez um apelo direto aos cristãos:

“Somos nós, ressuscitados com Cristo, que devemos levá-lo pelas estradas do mundo.”

Ele convocou os fiéis a atuarem como agentes de transformação social e espiritual, levando a mensagem da Ressurreição a ambientes marcados pela desesperança.

O pontífice concluiu com uma bênção e uma mensagem universal:

“Que Cristo, nossa Páscoa, nos abençoe e conceda a sua paz ao mundo inteiro.” 


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