Paulo Cavalcanti é eleito presidente da FACEB e assume entidade em votação que reforça peso do interior da Bahia; Isabela Suarez assume vice-presidência 

Em Feira de Santana, na terça-feira (07/04/2026), a Federação das Associações Comerciais e Empresariais da Bahia (FACEB) elegeu sua nova diretoria para o biênio 2026–2028. Em chapa única, intitulada “Unir para Transformar”, o empresário Paulo Cavalcanti foi escolhido presidente com 31 votos, em uma assembleia marcada pela presença de representantes de várias associações do interior do estado e por um discurso centrado em continuidade institucional, renovação da liderança e fortalecimento do associativismo empresarial. A vice-presidência ficou com Isabela Suarez, atual presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB).

A eleição ocorre em um momento de reorganização do associativismo empresarial baiano. A FACEB, criada em 15 de julho de 1964, tem a função de articular e coordenar as associações filiadas no estado, representando interesses do setor produtivo e promovendo ações ligadas ao empreendedorismo e à integração institucional. Em sua própria apresentação institucional, a federação afirma atuar na promoção do desenvolvimento empresarial e da colaboração entre as associações.

O resultado também consolida a projeção de Paulo Cavalcanti no sistema associativista. Antes de chegar à presidência da FACEB, ele já ocupava posição de destaque na Associação Comercial da Bahia, onde foi eleito presidente em 2023 e, depois, presidente do Conselho Superior na chapa que levou Isabela Suarez ao comando da entidade para o biênio 2025–2027.

Eleição em Feira de Santana e mobilização regional

A assembleia eleitoral foi realizada na sede da Associação Comercial e Empresarial de Feira de Santana (ACEFS), cidade que voltou a se afirmar como ponto de convergência das lideranças empresariais do estado. A convocação oficial do pleito constava da agenda da FACEB para 7 de abril de 2026, o que mostra que a eleição já vinha sendo tratada como um marco da agenda institucional da federação.

O dado mais expressivo do processo não foi apenas a ausência de disputa, com chapa única, mas a mobilização de dirigentes do interior. Esse aspecto tem peso político dentro do associativismo porque a FACEB é, por definição, uma federação baseada em capilaridade territorial. A listagem institucional da entidade mostra uma rede espalhada por diferentes municípios baianos, o que torna a presença física dessas lideranças um indicativo de legitimidade e articulação regional.

Na prática, o pleito sinaliza que a nova gestão tentará combinar duas frentes: de um lado, preservar a lógica tradicional de representação das associações comerciais; de outro, ampliar a capacidade de pressão política e econômica do sistema em temas de interesse do setor produtivo. Essa linha já aparecia na candidatura de Cavalcanti, lançada em fevereiro, quando ele defendeu alternância e fortalecimento do associativismo baiano.

Discurso de posse e defesa de maior protagonismo empresarial

Em seu primeiro pronunciamento após a eleição, Paulo Cavalcanti afirmou que a missão estava “parcialmente cumprida” e que o processo representava apenas o início de uma trajetória mais ampla. O eixo central de sua fala foi a defesa de uma classe produtiva mais organizada, capaz de ser ouvida com maior peso no debate público.

O presidente eleito também chamou atenção para o que considera um dos principais problemas do sistema: o baixo engajamento empresarial nas entidades representativas. Segundo ele, em média, menos de 8% dos CNPJs das cidades estão associados, índice que, em sua avaliação, evidencia a necessidade de fortalecer a cultura do coletivo entre empresários e comerciantes.

Essa argumentação não surgiu de forma isolada. Em aparições públicas anteriores, Cavalcanti já vinha associando o tema do associativismo a uma agenda mais ampla de participação cívica e de fortalecimento institucional. Em evento nacional promovido pela CACB em Salvador, em 2025, ele afirmou que o associativismo deveria ser tratado como pilar do desenvolvimento econômico e social, defendendo a construção de pontes entre setores e maior integração nacional.

O que Paulo Cavalcanti herda na FACEB

A nova gestão sucede a diretoria eleita para o biênio 2024–2026, presidida por Clóves Lopes Cedraz, e assume uma estrutura já consolidada no sistema federativo empresarial baiano. A FACEB mantém serviços, agenda institucional e articulação com a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), além de representar uma rede que inclui associações comerciais em diferentes regiões do estado.

Ao mesmo tempo, Cavalcanti chega ao cargo com inserção crescente em fóruns nacionais. Reportagens sobre a eleição registram que ele recentemente assumiu posição ligada ao Comitê de Integração Nacional da CACB, enquanto a própria confederação vem ampliando encontros nacionais e grupos temáticos voltados à atuação política, tecnologia, agenda institucional e articulação federativa.

Esse vínculo nacional é relevante porque a CACB reúne mais de 2.000 associações comerciais e empresariais no país, segundo informação divulgada em serviços institucionais replicados no sistema da FACEB. Isso dá à federação baiana um canal de interlocução que ultrapassa a pauta local e alcança debates sobre ambiente de negócios, comércio, serviços, digitalização e representação legislativa.

Isabela Suarez na vice-presidência amplia eixo Salvador–interior

A escolha de Isabela Suarez para a vice-presidência reforça a composição entre liderança estadual e base regional. Ela foi eleita, em junho de 2025, presidente da Associação Comercial da Bahia, em chapa única, tornando-se uma das figuras centrais da renovação recente da entidade. Na mesma eleição, Paulo Cavalcanti foi escolhido para o Conselho Superior da ACB.

A presença de Suarez na nova diretoria da FACEB também aproxima a federação da estrutura histórica da ACB, fundada em 15 de julho de 1811 e apresentada institucionalmente como uma das mais antigas casas empresariais do país. Esse elo não é apenas simbólico. Ele tende a fortalecer a ponte entre a tradição do associativismo baiano da capital e a demanda contemporânea por interiorização da representação empresarial.

Em declarações recentes, a presidente da ACB tem defendido como eixos de gestão o fortalecimento institucional, a ampliação da base de associados, a modernização de processos e a sustentabilidade financeira da entidade. Esses pontos dialogam diretamente com o discurso apresentado por Cavalcanti na eleição da FACEB, sobretudo na ênfase sobre ampliar a adesão ao sistema associativo.

Desafios da nova gestão da FACEB

O principal desafio da nova diretoria será transformar o discurso de mobilização em capacidade efetiva de representação. A baixa taxa de associação mencionada por Cavalcanti sugere um problema estrutural: boa parte do empresariado ainda opera fora das entidades que, em tese, deveriam falar em seu nome. Isso fragiliza a força política do sistema e reduz o alcance das pautas econômicas defendidas pelas associações.

Outro desafio está na necessidade de conciliar a diversidade regional da Bahia. Uma federação que reúne dezenas de associações precisa responder a realidades distintas, que vão de centros urbanos mais dinâmicos a economias locais fortemente dependentes do comércio tradicional, dos serviços e das micro e pequenas empresas. A capilaridade que fortalece a FACEB também impõe maior dificuldade de coordenação.

Há ainda a frente nacional. O ambiente empresarial brasileiro segue pressionado por debates como custo de contratação, jornada de trabalho, competitividade, digitalização dos mercados e inserção internacional. A própria agenda recente da CACB mostra atuação em temas legislativos e econômicos de interesse direto do comércio e dos serviços, o que indica que a presidência da FACEB exigirá, cada vez mais, interlocução técnica e política simultaneamente.

Na terça-feira, 07/04/2026, a FACEB elegeu Paulo Cavalcanti presidente para o biênio 2026–2028, com 31 votos, em assembleia realizada em Feira de Santana. A eleição, marcada pela presença de lideranças do interior, levou Isabela Suarez à vice-presidência e reforçou o discurso de renovação com continuidade. O novo comando assume com o desafio de ampliar a base associativa, fortalecer a representação empresarial e integrar a agenda baiana ao debate nacional do setor produtivo.  
Assembleia da FACEB elegeu Paulo Cavalcanti para o biênio 2026–2028, com apoio de associações comerciais de diversas regiões baianas.

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