PL amplia bancada na Câmara e ultrapassa 100 deputados após janela partidária; União Brasil registra maiores perdas

Nesta quinta-feira (02/04/2026), às vésperas do encerramento da janela partidária, os dados consolidados indicam uma reconfiguração significativa do equilíbrio político na Câmara dos Deputados, com destaque para o avanço do Partido Liberal (PL), que ultrapassou a marca de 100 parlamentares, e para o União Brasil, que registrou a maior perda de quadros no período. As mudanças ocorrem em meio a articulações intensificadas para as eleições e refletem estratégias de reposicionamento político em âmbito nacional.

O PL, legenda associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, foi o principal beneficiado pela janela partidária. A sigla recebeu ao menos 16 novos deputados e perdeu quatro, alcançando uma bancada de aproximadamente 100 parlamentares, número superior ao obtido nas eleições de 2022.

Esse crescimento consolida o partido como a maior força numérica da Câmara, ampliando sua capacidade de influência nas votações legislativas, na formação de blocos e na disputa por cargos estratégicos.

Em segundo lugar no ranking de adesões aparece o PSDB, que incorporou nove novos deputados, sinalizando uma tentativa de recuperação de espaço político após anos de retração. Entre os novos nomes está o ex-ministro Juscelino Filho, que deixou o União Brasil.

União Brasil lidera perdas e aposta em federação com o PP

No sentido oposto, o União Brasil foi a legenda mais impactada negativamente, com 18 saídas e apenas duas novas filiações.

A debandada expõe fragilidades internas e divergências estratégicas, especialmente relacionadas à formação de uma federação partidária com o Progressistas (PP), iniciativa vista como tentativa de recomposição de força política.

Outros partidos apresentaram movimentações mais equilibradas. O PSD, por exemplo, registrou cinco saídas e seis entradas, enquanto legendas como Republicanos e PSB tiveram trocas equivalentes entre perdas e ganhos.

Janela partidária mobiliza ao menos 60 deputados

Ao todo, cerca de 60 deputados federais realizaram mudanças partidárias durante o período, conforme levantamento baseado em dados da Câmara, anúncios públicos e comunicações partidárias.

A janela partidária, iniciada em 5 de março e encerrada em 3 de abril, é o único período em que parlamentares eleitos em cargos proporcionais podem trocar de partido sem risco de perda de mandato, respeitando o princípio da fidelidade partidária.

Esse mecanismo institucional permite ajustes estratégicos antes das eleições, especialmente em contextos de reorganização das forças políticas.

Movimentações atingem também o Senado e ampliam disputa regional

As mudanças não se limitaram à Câmara. No Senado, houve movimentações relevantes em Minas Gerais:

  • Rodrigo Pacheco deixou o PSD e filiou-se ao PSB, em meio a especulações sobre candidatura ao governo estadual;
  • Carlos Viana migrou do Podemos para o PSD;
  • Sergio Moro também trocou o União Brasil pelo PL, abrindo espaço para disputas regionais no Paraná.

Essas alterações indicam que a janela partidária também funciona como instrumento de reorganização de projetos eleitorais estaduais, com impacto direto nas eleições majoritárias.

PEC da Segurança e filiações reforçam agenda legislativa

Um dos movimentos simbólicos do período foi a filiação do deputado Mendonça Filho (PE) ao PL. Ex-ministro da Educação, ele assume relevância adicional por atuar como relator da PEC da Segurança Pública, proposta enviada pelo governo federal e em tramitação no Senado.

A adesão reforça o peso político do PL em temas centrais da agenda legislativa, especialmente aqueles relacionados à segurança pública, área de forte apelo eleitoral.

Lula e Flávio Bolsonaro intensificam agendas pré-eleitorais

Paralelamente às mudanças partidárias, os principais pré-candidatos à Presidência intensificaram articulações.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva priorizou agendas no Nordeste, com anúncios de obras e investimentos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro ampliou sua atuação internacional, incluindo participação em eventos conservadores nos Estados Unidos.

As movimentações indicam uma antecipação do ambiente eleitoral, com disputas por influência regional e construção de alianças.

Panorama das movimentações partidárias

Entre os principais dados da janela partidária:

Segue o levantamento limpo, objetivo e organizado por partido, sem uso de símbolos ou elementos gráficos, com base nas movimentações registradas na Câmara dos Deputados e no Senado durante a janela partidária de 2026.

Mudanças de legenda por partido (Câmara e Senado – 2026)

Partido Liberal (PL)

Entradas na Câmara:
Alfredo Gaspar (ex-União Brasil)
Coronel Assis (ex-União Brasil)
Padovani (ex-União Brasil)
Carla Dickson (ex-União Brasil)
Nicoletti (ex-União Brasil)
Mendonça Filho (ex-União Brasil)
Outros parlamentares, totalizando aproximadamente 16 a 17 adesões

Saídas na Câmara:
Aproximadamente 4 deputados migraram para outras siglas

Entradas no Senado:
Sergio Moro (ex-União Brasil)

Maior crescimento e consolidação da maior bancada da Câmara.

União Brasil

Saídas na Câmara:
Alfredo Gaspar → PL
Coronel Assis → PL
Padovani → PL
Carla Dickson → PL
Nicoletti → PL
Mendonça Filho → PL
Juscelino Filho → PSDB
Outros parlamentares, total estimado entre 14 e 18 saídas

Entradas na Câmara:
2 deputados

Saídas no Senado:
Sergio Moro → PL

Partido com maior perda de quadros no período.

PSDB

Entradas na Câmara:
Juscelino Filho (ex-União Brasil)
Outros parlamentares, totalizando 9 adesões

Saídas na Câmara:
Aproximadamente 3 deputados

Recuperação parcial de espaço político.

PSD

Entradas na Câmara:
Aproximadamente 6 deputados

Saídas na Câmara:
Aproximadamente 5 deputados

Entradas no Senado:
Carlos Viana (ex-Podemos)

Saídas no Senado:
Rodrigo Pacheco → PSB

Movimentação equilibrada, com ajustes regionais.

PSB

Entradas na Câmara:
4 deputados

Saídas na Câmara:
4 deputados

Entradas no Senado:
Rodrigo Pacheco (ex-PSD)

Ganho político relevante no Senado.

Podemos

Entradas na Câmara:
3 deputados

Saídas na Câmara:
2 deputados

Saídas no Senado:
Carlos Viana → PSD

Perda relevante no Senado.

Republicanos

Entradas na Câmara:
6 deputados

Saídas na Câmara:
6 deputados

Movimentação equilibrada, sem ganho líquido.

MDB

Entradas na Câmara:
4 deputados

Saídas na Câmara:
5 deputados

Síntese: leve retração.

PP (Progressistas)

Entradas na Câmara:
2 deputados

Saídas na Câmara:
1 deputado

Síntese: movimentação discreta.

PSOL

Entradas na Câmara:
1 deputado

PV

Entradas na Câmara:
1 deputado

PCdoB

Entradas na Câmara:
1 deputado

REDE

Entradas na Câmara:
1 deputado

Saídas na Câmara:
1 deputado

Solidariedade

Entradas na Câmara:
1 deputado

Saídas na Câmara:
1 deputado

PRD

Entradas na Câmara:
1 deputado

Saídas na Câmara:
3 deputados

PDT

Saídas na Câmara:
4 deputados

Avante

Saídas na Câmara:
3 deputados

Missão

Entradas na Câmara:
1 deputado

Reorganização fragmentada e destaque para três partidos

Os números revelam um cenário de reorganização fragmentada, com crescimento concentrado em poucos partidos.

O conjunto das movimentações confirma três tendências estruturais:

  • Primeiro, a concentração de poder em torno de partidos com maior viabilidade eleitoral, com destaque para o PL.
  • Segundo, o esvaziamento de siglas intermediárias, especialmente o União Brasil, que perdeu protagonismo de forma expressiva.
  • Terceiro, o uso da janela partidária como instrumento pragmático de reposicionamento político, com impacto direto na formação de blocos e na disputa eleitoral de 2026.

*Com informações do jornal O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Poder360, Metrópoles, CNN, Revista Veja e Agências Brasil, Reuters, RFI, Sputnik e BBC Brasil.


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