Na sexta-feira (03/04/2026), uma decisão da Prefeitura de Salvador, sob a liderança do prefeito Bruno Reis, passou a impactar diretamente o atendimento de urgência na capital baiana. Desde 1º de abril, foi suspensa a oferta de avaliação vascular especializada nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), serviço considerado essencial para a definição de condutas em casos complexos, como pé diabético com necrose, comprometimento circulatório e risco iminente de amputação. A medida foi formalizada por meio de ofício enviado à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), sem previsão de retomada.
Suspensão imediata e ausência de planejamento
A interrupção do serviço foi comunicada oficialmente em documento assinado em 31 de março pela Diretoria de Regulação, Controle e Avaliação da Secretaria Municipal da Saúde. No ofício, a gestão municipal informa que o atendimento especializado deixaria de ser ofertado já no dia seguinte, evidenciando uma decisão de caráter imediato e sem transição operacional estruturada.
A ausência de planejamento prévio para substituição do serviço levanta preocupações sobre a continuidade assistencial em situações que exigem resposta clínica rápida. Em quadros vasculares, o tempo é fator determinante para evitar complicações graves, incluindo infecções sistêmicas e perda de membros.
Impacto direto no atendimento de urgência
A avaliação vascular funciona como suporte técnico especializado acionado quando o paciente chega à unidade sem a presença de um cirurgião vascular, mas apresenta sinais clínicos que exigem decisão imediata. Esse serviço orienta a equipe sobre:
- Possibilidade de estabilização local
- Necessidade de transferência urgente
- Risco de agravamento em curto prazo
Sem essa retaguarda, a capacidade de resposta das UPAs é reduzida, aumentando a dependência de encaminhamentos e prolongando o tempo até a definição do tratamento adequado.
Pressão sobre a rede estadual de saúde
A diretora do Serviço Estadual de Regulação (SER), Rita Santos, aponta que a suspensão transfere a responsabilidade para a rede estadual. Pacientes que antes tinham seus casos analisados por médicos vinculados ao município passam a depender exclusivamente da regulação estadual.
Esse deslocamento tende a ampliar a sobrecarga sobre serviços já pressionados, sobretudo em Salvador, onde há alta incidência de casos vasculares com feridas complexas e comprometimento circulatório significativo.
O próprio ofício da Prefeitura solicita apoio da Sesab para absorver a demanda, indicando que a gestão municipal reconhece a necessidade de suporte externo para manter o atendimento.
Riscos clínicos e aumento da incerteza assistencial
Para a população, a consequência imediata é o aumento da incerteza no atendimento de urgência. Em doenças vasculares, a demora na avaliação especializada pode resultar em:
- Progressão rápida de infecções
- Piora do quadro circulatório
- Necessidade de amputações evitáveis
A retirada do serviço especializado rompe uma etapa crítica da linha de cuidado, tornando o processo mais lento e potencialmente menos resolutivo.










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