O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, na quarta-feira (22/04/2026), que o Brasil adotará o princípio da reciprocidade nas relações com os Estados Unidos, após a decisão de retirar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração norte-americano que atuava na sede da Polícia Federal, em Brasília.
A medida foi tomada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, após o governo dos Estados Unidos determinar a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho do país. Segundo Lula, a ação brasileira responde diretamente à decisão norte-americana.
Em declaração divulgada nas redes sociais, o presidente afirmou que espera a retomada do diálogo entre os dois países, com o objetivo de restabelecer a normalidade nas relações diplomáticas.
Brasil aplica reciprocidade após decisão dos Estados Unidos
O Ministério das Relações Exteriores informou que a medida foi comunicada à representação diplomática dos Estados Unidos na terça-feira (21/04/2026), com base no princípio da reciprocidade, aplicado em relações internacionais quando há ações equivalentes entre países.
Segundo o Itamaraty, a decisão norte-americana de retirar o agente brasileiro ocorreu de forma unilateral, sem solicitação prévia de esclarecimentos ou tentativa de diálogo, contrariando práticas previstas em acordos bilaterais de cooperação policial.
O agente brasileiro atuava nos Estados Unidos com base em um memorando de entendimento entre os dois governos, voltado ao intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança pública.
Caso envolve prisão de ex-deputado e cooperação internacional
A saída do delegado brasileiro está relacionada ao caso do ex-deputado Alexandre Ramagem, que foi preso nos Estados Unidos após cooperação entre autoridades brasileiras e norte-americanas.
Ramagem havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão, em processo relacionado a crimes como organização criminosa, tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado democrático de direito. Após a condenação, ele deixou o país e passou a residir nos Estados Unidos.
A Polícia Federal informou que a detenção ocorreu na cidade de Orlando, como resultado de ações conjuntas de cooperação internacional. Posteriormente, houve desdobramentos que culminaram na decisão norte-americana de solicitar a saída do agente brasileiro.
Debate diplomático e posicionamentos oficiais
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a retirada das credenciais do agente norte-americano foi realizada com base no princípio da reciprocidade. A medida, segundo ele, foi adotada como resposta institucional à decisão dos Estados Unidos.
O governo brasileiro também destacou que a ação busca preservar o equilíbrio nas relações diplomáticas e reforçar o cumprimento de acordos internacionais vigentes.
O episódio gerou repercussão no âmbito político e diplomático, com manifestações sobre a necessidade de diálogo e manutenção de canais institucionais entre os dois países.
Governo anuncia reforço na Polícia Federal
Durante a mesma declaração, o presidente Lula anunciou a contratação de 1 mil novos agentes da Polícia Federal, com atuação prevista em portos, aeroportos e regiões de fronteira.
A medida integra ações do governo federal voltadas ao combate ao crime organizado e fortalecimento da segurança pública, ampliando a presença policial em áreas estratégicas do território nacional.
Segundo o presidente, o reforço no efetivo busca melhorar a capacidade operacional da Polícia Federal em atividades de fiscalização e controle.
*Com informações da Agência Brasil.








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