Rede estadual amplia inclusão com oficinas de Libras no Litoral Norte e Agreste da Bahia

Na sexta-feira (24/04/2026), escolas da rede estadual da Bahia no Litoral Norte e Agreste Baiano ampliam práticas de inclusão por meio da implementação de oficinas de Língua Brasileira de Sinais (Libras), com destaque para experiências desenvolvidas em unidades de Inhambupe, Alagoinhas e Cardeal da Silva. A iniciativa, coordenada no âmbito do Núcleo Territorial de Educação do Litoral Norte e Agreste Baiano (NTE 18), busca ampliar o acesso à comunicação no ambiente escolar, reduzir barreiras de interação e fortalecer a participação de estudantes surdos nas atividades pedagógicas e sociais.

Inclusão escolar ganha escala no interior baiano

No Colégio Estadual do Campo Maria Mendes de Souza, em Inhambupe, a introdução das oficinas de Libras alterou a dinâmica cotidiana da escola. A proposta foi estruturada a partir da atuação da professora e intérprete Damille Cardoso de Jesus, que identificou dificuldades de interação entre estudantes surdos e ouvintes, especialmente durante os intervalos.

Segundo a docente, a ausência de uma linguagem comum gerava situações recorrentes de isolamento. A criação das oficinas buscou, portanto, estabelecer um canal efetivo de comunicação, promovendo maior integração no ambiente escolar. Com a adesão dos alunos ouvintes, a linguagem de sinais passou a ser incorporada progressivamente ao cotidiano da instituição.

Os resultados observados incluem maior participação dos estudantes surdos nas atividades escolares e o fortalecimento das relações interpessoais. A iniciativa também contribui para a valorização da diversidade linguística e cultural, ampliando o repertório comunicativo dos estudantes.

Aprendizado e transformação social no ambiente escolar

O contato com a Libras tem promovido mudanças na percepção dos estudantes sobre inclusão e convivência. Entre os alunos do Ensino Médio, o aprendizado da linguagem de sinais é apontado como um fator de ampliação da compreensão sobre as diferentes formas de comunicação.

Relatos de estudantes indicam que o processo de aprendizagem, embora inicialmente desafiador, contribui para o desenvolvimento de habilidades expressivas e para a construção de um ambiente mais colaborativo. A prática estimula não apenas a comunicação, mas também o respeito às diferenças e o reconhecimento da cultura surda.

Além disso, ex-alunos da unidade, como estudantes atualmente vinculados à Universidade do Estado da Bahia, relatam que o contato prévio com a Libras teve impacto positivo em sua formação acadêmica e social, ampliando perspectivas de atuação em contextos diversos.

Expansão das oficinas e integração com políticas educacionais

A iniciativa em Inhambupe integra um movimento mais amplo de expansão das oficinas de Libras em outras unidades do território. Em Cardeal da Silva, o Colégio Estadual do Campo de Tempo Integral Doutor José Antônio de Araújo Pimenta desenvolve atividades de coral em Libras, combinando linguagem de sinais com expressão musical.

Já em Alagoinhas, as oficinas estão vinculadas ao programa Educa Mais Bahia, uma estratégia da Secretaria da Educação do Estado da Bahia voltada à ampliação da jornada escolar. O programa oferece atividades complementares, como artes, esportes, música e reforço pedagógico, incorporando a Libras como instrumento de inclusão.

A atuação de voluntários também tem sido relevante na consolidação das oficinas. Oficineiros destacam que o aprendizado da Libras funciona como um mecanismo de aproximação entre os estudantes, contribuindo para a construção de um ambiente escolar mais acessível e inclusivo.

Integração entre cultura, educação e acessibilidade

A introdução de práticas como o coral em Libras evidencia uma abordagem interdisciplinar, que articula educação, cultura e inclusão. Ao incorporar elementos artísticos, as escolas ampliam as possibilidades de expressão dos estudantes e promovem experiências pedagógicas mais abrangentes.

Essa integração reforça o papel da escola como espaço de formação cidadã, no qual a diversidade é reconhecida como elemento constitutivo do processo educativo. A valorização da cultura surda, nesse contexto, contribui para a construção de uma sociedade mais inclusiva.

Ao mesmo tempo, a expansão das oficinas demonstra a capacidade da rede estadual de adaptar políticas educacionais às demandas específicas dos territórios, respeitando suas características sociais e culturais.


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