Na quarta-feira (08/04/2026), foi confirmada a realização da primeira edição brasileira do Salon du Chocolat, maior evento mundial dedicado ao cacau e ao chocolate, previsto para dezembro de 2026. A iniciativa, liderada pelo empresário baiano Marco Lessa, ainda definirá a cidade-sede entre Salvador, Belém e São Paulo, três capitais que concentram atributos históricos, produtivos e comerciais relevantes para o setor. O anúncio ocorre em um momento estratégico, logo após o período da Páscoa, e projeta o Brasil como protagonista no mercado global de chocolate de origem.
O Salon du Chocolat é uma das mais tradicionais feiras do mundo voltadas à cadeia produtiva do cacau e chocolate, com sede principal em Paris e edições realizadas em centros globais como Tóquio, Nova York e Dubai. A chegada ao Brasil marca uma expansão relevante do evento para um país que reúne características únicas no setor.
O projeto será conduzido pelo Grupo M21, sob liderança de Marco Lessa, criador do Chocolat Festival — considerado o maior evento do segmento na América Latina — e do Brasil Origem Week, realizado em Portugal. A proposta brasileira busca integrar produtores, indústria, chefs e especialistas em torno do conceito de cacau fino de origem, agregando valor à produção nacional.
A definição da cidade-sede permanece em aberto, com três candidatas principais:
- Salvador, pelo peso histórico e cultural na produção de cacau
- Belém, pela expansão da cadeia produtiva na Amazônia
- São Paulo, pela força econômica e capacidade de consumo e negócios
Cadeia produtiva e protagonismo brasileiro
A edição brasileira do evento pretende reunir produtores de cacau, chocolateiros internacionais, chefs renomados e profissionais da indústria, consolidando um ambiente de negócios, inovação e intercâmbio técnico. Além das atividades comerciais, estão previstas atrações como desfiles temáticos, exposições, palestras e esculturas em chocolate.
O objetivo central é fortalecer o posicionamento do Brasil no mercado global de chocolates premium, especialmente no segmento de origem, que valoriza rastreabilidade, qualidade e sustentabilidade da produção.
Segundo Marco Lessa, o país possui uma condição singular no cenário internacional: produz, transforma e consome cacau e chocolate, o que amplia o potencial de desenvolvimento interno da cadeia produtiva.
“Assumimos a franquia e a responsabilidade pelo Salon du Chocolat no Brasil. Queremos diminuir a dependência do modelo de commodity, que é tão prejudicial ao produtor. Somos o único país do circuito que produz cacau, consome cacau, produz chocolate e consome chocolate”, afirmou o empresário.
Impacto econômico e potencial de investimento
A realização do evento no Brasil deve mobilizar investimentos de até € 1,5 milhão (aproximadamente R$ 8 milhões). Em comparação, a edição de Paris movimenta cerca de € 10 milhões (R$ 54 milhões), indicando o potencial de retorno econômico e geração de negócios.
O impacto esperado envolve:
- Fortalecimento da cadeia produtiva do cacau
- Ampliação do turismo gastronômico
- Atração de investimentos internacionais
- Valorização de marcas nacionais
Além disso, o evento pode impulsionar políticas públicas e iniciativas privadas voltadas à industrialização do cacau, reduzindo a dependência histórica da exportação de matéria-prima.
Disputa entre capitais e critérios estratégicos
A escolha da cidade-sede deve considerar fatores logísticos, infraestrutura, relevância econômica e conexão com a produção cacaueira. Cada candidata apresenta vantagens distintas:
Salvador: tradição e identidade histórica
A capital baiana representa o berço histórico do cacau brasileiro, especialmente no sul do estado, com forte valor simbólico e cultural.
Belém: expansão amazônica
A capital paraense desponta como novo polo produtivo, com crescimento da cacauicultura sustentável e integração com a bioeconomia amazônica.
São Paulo: mercado e negócios
Principal centro financeiro do país, São Paulo oferece infraestrutura robusta e capacidade de atrair investidores e grandes marcas internacionais.









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