Após apelo sobre dengue, primeira-dama de Salvador é cobrada por crise na saúde municipal

A cobrança pública feita pela primeira-dama de Salvador, Rebeca Cardoso, ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) por uma “ação imediata” diante de casos graves de dengue hemorrágica em Uauá, no sertão baiano, provocou reação neste domingo (03/05/2026) da presidente do PT em Salvador, Ana Carolina, que passou a questionar a atuação da gestão municipal na saúde, na limpeza urbana e na prevenção contra o mosquito Aedes aegypti. A manifestação ocorre em meio à repercussão de um vídeo publicado por Rebeca nas redes sociais, no qual ela afirmou que “pessoas estão morrendo” e cobrou providências do Governo da Bahia para pacientes do município onde tem origem familiar.

Cobrança de Rebeca Cardoso a Jerônimo Rodrigues abre disputa política sobre dengue

A declaração da primeira-dama de Salvador teve como foco a situação de pacientes com suspeita ou diagnóstico de dengue hemorrágica em Uauá, município localizado no norte da Bahia. No apelo, Rebeca Cardoso dirigiu a cobrança ao governador Jerônimo Rodrigues, apontando necessidade de resposta urgente da rede estadual de saúde.

A manifestação, porém, deslocou o debate sanitário para o campo político. A presidente do PT em Salvador, Ana Carolina, reagiu ao pronunciamento e afirmou que o enfrentamento da dengue não pode ser reduzido à regulação hospitalar, pois envolve também prevenção, limpeza urbana, eliminação de focos de água parada e atuação direta dos municípios.

Segundo a dirigente petista, Salvador enfrenta problemas visíveis de coleta, infraestrutura e saneamento em diversos bairros, condições que podem favorecer a proliferação do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. Para Ana Carolina, a primeira-dama deveria direcionar parte das cobranças à própria gestão municipal, comandada pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil), seu marido.

Ana Carolina atribui prevenção da dengue também aos municípios

Ao rebater Rebeca Cardoso, Ana Carolina afirmou que a dengue está diretamente associada à presença de água parada e acúmulo de lixo, fatores cuja prevenção depende de ações permanentes das prefeituras. A petista sustentou que a cobrança pública feita ao governo estadual deveria ser acompanhada de fiscalização sobre as condições sanitárias da capital baiana.

A dengue está ligada à água parada e ao acúmulo de lixo. Salvador, por exemplo, enfrenta problemas visíveis de coleta e infraestrutura em diversos bairros, o que favorece a proliferação do mosquito”, afirmou Ana Carolina, ao criticar a administração municipal.

A dirigente acrescentou que a primeira-dama deveria circular pelos bairros da capital para verificar as dificuldades enfrentadas pela população. “A primeira-dama deveria andar pela cidade, visitar os bairros e vivenciar o que a população sofre diariamente aqui. Isso ajudaria a cobrar soluções dentro da própria gestão”, declarou.

Sesab nega atraso na regulação em Uauá

A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) confirmou óbito por dengue em Uauá, mas negou que tenha havido atraso na regulação de pacientes, segundo informações divulgadas neste domingo (03/05/2026). A pasta afirmou que o atendimento ocorreu dentro do prazo e criticou a politização do caso antes da conclusão da apuração técnica.

Em nota repercutida pela imprensa baiana, a Sesab declarou que não se deve transformar “a dor de uma família em palanque” antes da verificação completa dos fatos. A resposta institucional reforçou a tensão entre a gestão estadual petista e o grupo político do prefeito Bruno Reis, em um tema de forte sensibilidade social e sanitária.

A dengue, por sua natureza epidemiológica, exige articulação entre Estado e municípios. A assistência hospitalar e a regulação de casos graves dependem da rede estadual e regionalizada, enquanto a prevenção cotidiana passa por limpeza urbana, vigilância epidemiológica, visitas de agentes de endemias e mobilização comunitária.

Maternidade municipal entra no centro da crítica

Além da dengue, Ana Carolina ampliou a crítica à gestão municipal ao citar a situação da maternidade municipal inaugurada por Bruno Reis em abril de 2026. A unidade, apresentada pela Prefeitura de Salvador como a primeira maternidade municipal da capital, foi inaugurada no bairro da Federação com estrutura hospitalar voltada ao atendimento materno-infantil. A imprensa local informou que o equipamento foi entregue com previsão de 198 leitos e estrutura de alta complexidade.

Segundo Ana Carolina, porém, a unidade estaria operando abaixo da capacidade prevista e registrando episódios de dificuldade de acesso. A dirigente mencionou vídeos que circulam nas redes sociais nos quais mulheres em trabalho de parto relatam problemas para obter atendimento.

“Enquanto cobra o governador, é preciso responder: qual a posição sobre mães sem atendimento na rede municipal? Vai cobrar solução ou ignorar o problema?”, questionou a presidente do PT em Salvador.

Críticas incluem ausência de especialistas e falta de medicamentos

A presidente do PT também citou problemas estruturais na rede municipal de saúde, como ausência de médicos especialistas nas unidades básicas, falta de medicamentos e dificuldades no atendimento cotidiano da população.

Para Ana Carolina, há um descompasso entre a cobrança pública feita por Rebeca Cardoso ao governo estadual e a realidade enfrentada por moradores de Salvador na rede administrada pela Prefeitura. A crítica buscou associar o discurso da primeira-dama à necessidade de maior cobrança interna sobre a gestão Bruno Reis.

Se há disposição para cobrar nas redes sociais, também é preciso cobrar dentro da própria gestão. Salvador enfrenta problemas reais, na maternidade, nos postos, na limpeza urbana, na infraestrutura e na mobilidade. A lista é grande, e a primeira-dama precisa ter dimensão disso, andar pela cidade para cobrar seu marido. Seria mais coerente”, afirmou Ana Carolina.


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